Tubarões-tigre passam a ser monitorados por satélite após aparições frequentes no litoral do Rio

Pesquisadores marcaram dois animais na Baía de Ilha Grande e observaram um comportamento incomum: ao menos dez tubarões circulando em grupo dentro da baía

12/02/2026 às 10:19 por Redação Plox

Pela primeira vez, cientistas estão acompanhando por satélite a presença de tubarões‑tigre na região Sudeste do Brasil. Considerada uma das espécies de tubarão mais agressivas do mundo, a espécie passou a ser vista com frequência na Baía de Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, após relatos de pescadores e barqueiros.


Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste

Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste

Foto: Reprodução/TV Globo

O tubarão‑tigre é comum no litoral de Pernambuco, onde há registros de ataques fatais. Agora, pesquisadores buscam entender por que o animal tem sido observado com mais regularidade no Sudeste e se há relação entre esses grupos e os que vivem no Nordeste.

Primeiros registros e estudo inédito na Baía de Ilha Grande

Moradores da região relatavam a presença de um tubarão conhecido como tintureiro, hoje reconhecido como tubarão‑tigre. Para os biólogos envolvidos na pesquisa, a descoberta não significa que os animais chegaram recentemente à área, mas que sua presença está sendo finalmente registrada com mais precisão.

Na verdade, eles sempre estiveram aqui. Agora a gente está enxergando eles mais

– pesquisadora do Instituto Pro Shark

Em janeiro, pescadores levaram a equipe de pesquisa ao ponto onde os tubarões costumam se concentrar. No local, os cientistas conseguiram capturar e marcar dois indivíduos, que receberam nomes e medições:

Gaspar, com 1,80 m de comprimento, e Baltazar, medindo 2,08 m.

Cada um deles ganhou uma antena de monitoramento acoplada à nadadeira dorsal, capaz de enviar dados de posição e de temperatura da água sempre que o animal sobe à superfície. É a primeira vez que tubarões‑tigre são monitorados por satélite na região Sudeste, abrindo uma nova frente de pesquisa sobre a espécie no país.

Comportamento em grupo surpreende pesquisadores

As primeiras semanas de monitoramento revelaram um comportamento considerado inesperado. Embora o tubarão‑tigre seja classificado como uma espécie solitária, os animais foram observados circulando em grupo dentro da baía.


Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste

Pela primeira vez, cientistas monitoram tubarões-tigre na região Sudeste

Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo os pesquisadores, foi possível identificar a presença de pelo menos dez indivíduos juntos. A constatação reforça a importância de ampliar o número de animais marcados, para compreender melhor os padrões de uso da área e as interações entre eles.

Ausência de ataques e ambiente considerado equilibrado

Apesar da fama da espécie, não há registro de ataques dentro da Baía de Ilha Grande. Especialistas apontam que a região apresenta um ambiente marinho mais equilibrado, com abundância de alimento e áreas de proteção ambiental, fatores que tendem a reduzir o risco de incidentes com banhistas.

O maior perigo, de acordo com os estudiosos, surge quando pessoas entram na água sem informação adequada ou tentam interagir com os animais. Para evitar esse tipo de situação, a equipe responsável pelo monitoramento opta por não divulgar com exatidão os pontos onde os tubarões costumam circular, como forma de proteger tanto os animais quanto os visitantes.

Contraste com o histórico de ataques em Pernambuco

A comparação com o litoral de Pernambuco ajuda a dimensionar o alerta em relação à espécie. Em 34 anos, foram contabilizados 82 ataques e 27 mortes no estado, sobretudo na região metropolitana do Recife. Pesquisadores relacionam esse quadro a fatores como poluição, lançamento de esgoto no mar, alterações nas correntes marítimas e presença de canais naturais usados pelos tubarões durante a reprodução.

Entre os episódios mais graves está o ataque sofrido por uma adolescente em Jaboatão dos Guararapes, que perdeu parte do braço após ser mordida por um tubarão‑tigre. A área é considerada de alto risco e recebeu placas de advertência ao longo da orla.

Segundo especialistas, o monitoramento no litoral do Rio de Janeiro pode ajudar a entender por que a espécie se comporta de maneira distinta em diferentes regiões do país. Quanto mais animais forem marcados, mais será possível mapear deslocamentos, comportamentos e eventuais riscos para a população.

Prevenção, ciência e convivência segura

Nos próximos meses, novos tubarões‑tigre devem receber transmissores. A expectativa dos pesquisadores é que os dados coletados auxiliem na prevenção de ataques, orientem políticas públicas e aprofundem o conhecimento sobre o impacto das mudanças climáticas sobre grandes predadores marinhos.

Enquanto isso, a orientação é manter a distância e respeitar o habitat desses animais. A recomendação inclui evitar áreas sinalizadas e não tentar se aproximar ou alimentar tubarões. A convivência segura depende diretamente de informação e monitoramento científico contínuo.

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