Prefeitura de SP autoriza casa de shows ao lado de hospital de cuidados paliativos na Zona Sul
Moradores temem barulho e festas pela madrugada perto do Hospital Premier Brooklin; MP cobra monitoramento e vereadores pedem reavaliação do alvará
12/02/2026 às 09:46por Redação Plox
12/02/2026 às 09:46
— por Redação Plox
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Uma autorização para a realização de eventos com público de quase 5 mil pessoas em uma nova casa de shows no Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, provocou reação negativa entre moradores da região. O motivo é a proximidade do espaço com um hospital de reabilitação e de cuidados paliativos, que teme mudanças na rotina e prejuízos aos pacientes.
Terreno onde está sendo montada a estrutura do espaço de eventos Varanda Estaiada, na Zona Sul de São Paulo
Foto: Reprodução
O local, batizado de Varanda Estaiada, tem inauguração prevista para este sábado (14), com uma festa de música eletrônica. A operação foi liberada pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento no fim de janeiro, com um alvará de seis meses de validade, prorrogáveis por mais seis.
Preocupação com ruído e impacto nos pacientes
Moradores ouvidos pelo g1 demonstraram preocupação principalmente com a ausência de isolamento acústico no espaço. Um deles descreve o local como uma estrutura semelhante a uma tenda ao ar livre e relata que já conseguia ouvir festas quando o empreendimento funcionava do outro lado do Rio Pinheiros, no Real Parque, a cerca de 1 quilômetro de distância.
Com entrada pela Avenida Chucri Zaidan, a nova casa de shows faz divisa de fundos com o hospital Premier Brooklin, que atualmente atende 95 pacientes em recuperação pós-cirúrgica ou em cuidados paliativos em estágio final de vida. A gerente da unidade, Oneide Rodrigues, afirma que soube da instalação do empreendimento há menos de um mês. A movimentação de caminhões e operários inicialmente a levou a acreditar que um shopping seria construído no terreno vizinho.
Segundo ela, não houve tempo sequer para instalar janelas antirruído nos quartos do hospital. Oneide relata que os responsáveis pela Varanda Estaiada se comprometeram a realizar medições sonoras e a instalar barreiras acústicas, mas diz não acreditar que essas providências serão suficientes diante de um evento a céu aberto.
A gerente do hospital manifesta preocupação com a possibilidade de que as festas avancem pela madrugada, ressaltando que se trata de uma questão diretamente relacionada à saúde dos pacientes internados.
Mobilização de moradores e atuação de vereadores
A vizinhança organizou um abaixo-assinado virtual contra o projeto e já reuniu 1.341 assinaturas. Moradores também obtiveram apoio de vereadores de diferentes partidos, que passaram a pressionar a gestão municipal pela revisão da autorização concedida.
Parlamentares participaram de uma reunião com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento na terça-feira (10) e enviaram ofícios à administração pedindo reavaliação do alvará. No pedido, é citada uma norma que estabelece limites para emissão de ruídos em áreas próximas a hospitais e é questionado o enquadramento da Varanda Estaiada como “evento temporário”, classificação que simplifica o licenciamento e dispensa algumas exigências legais de empreendimentos permanentes, como estudo de impacto de vizinhança.
Para entidades da região, a estrutura da Varanda Estaiada não corresponde a um uso temporário, já que há movimentação de terra, pavimentação da área e execução de instalações hidráulicas e elétricas, o que, na visão dos críticos, caracteriza uma obra de maior porte.
Provocado pelos moradores, o Ministério Público de São Paulo passou a cobrar que a prefeitura e a Polícia Militar monitorem os eventos no local, com foco na preservação do direito à tranquilidade e à circulação na vizinhança.
Posicionamento da empresa e estrutura montada
Em nota enviada ao portal de notícias g1, os responsáveis pela Varanda Estaiada afirmaram que todas as atividades do espaço são planejadas de forma responsável, com atenção aos impactos urbanos e em conformidade com as diretrizes das autoridades, buscando uma convivência equilibrada com a região.
Segundo o empreendimento, há diálogo com a administração do hospital desde o ano passado e foram adotadas medidas para minimizar a emissão de ruídos. Entre elas, está a instalação de uma parede acústica formada por contêineres posicionados atrás dos amplificadores para tentar conter a propagação do som na direção do hospital. A empresa também informa que serão feitas medições sonoras antes da inauguração para garantir o cumprimento dos limites previstos em lei.
A Varanda Estaiada se apresenta como um espaço de eventos itinerante, e não como casa de shows permanente, e afirma já ter operado em três endereços diferentes da capital paulista nos últimos seis anos. Apesar disso, o local já divulgou pelo menos três apresentações musicais programadas para os próximos meses.
Terreno da Varanda Estaiada visto da janela do Hospital Premier, de cuidados paliativos
Foto: Reprodução
Prefeitura defende alvará e aponta cumprimento de regras
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento informou que o alvará foi concedido após análise técnica e atendimento integral às exigências do artigo 24 do Decreto nº 49.969/2008, que regulamenta a realização de eventos públicos e temporários na cidade.
A pasta afirmou ainda que o empreendimento apresentou documentação técnica e de segurança, além de declaração de conformidade com os limites de emissão de ruído previstos na Lei de Zoneamento. Em relação à reunião com vereadores, movimentos da sociedade civil e representantes do Hospital Premier, a prefeitura declarou ter solicitado o envio de ofícios à subprefeitura local para subsidiar eventual pedido de reavaliação do documento.
Íntegra da nota do Varanda Estaiada
Diante de recentes questionamentos veiculados em redes sociais, o Varanda Estaiada considera fundamental prestar esclarecimentos objetivos e transparentes à comunidade e aos veículos de comunicação.
O Varanda Estaiada informa que possui alvará expedido pela Prefeitura e todas as autorizações necessárias para o exercício de suas atividades, atuando integralmente dentro das normas municipais, técnicas e legais aplicáveis. A operação segue os parâmetros definidos pelos órgãos competentes, incluindo exigências relacionadas à segurança, capacidade, mobilidade e uso do espaço urbano.
O Varanda Estaiada compreende que a realização de eventos pode gerar percepções distintas no entorno e respeita as manifestações da vizinhança. Todas as atividades são planejadas de forma responsável, com atenção aos impactos urbanos e em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelas autoridades, buscando sempre uma convivência equilibrada com a região.
Esclarecemos ainda que algumas informações divulgadas nas redes sociais não refletem a realidade da operação nem os parâmetros legais sob os quais o espaço atua. Por isso, reforçamos a importância de que o debate público seja conduzido com base em informações corretas, diálogo e responsabilidade.
Reiteramos nossa total disposição para esclarecer dúvidas adicionais, atender questionamentos específicos e contribuir com pautas que permitam o aprofundamento das informações de forma transparente.
Seguimos comprometidos com a legalidade, o respeito à comunidade e a construção de uma convivência urbana harmônica.