Alckmin afirma que Brasil seguirá negociando sobretaxa dos EUA antes do início da cobrança
Vice-presidente classificou a medida de 25% como injusta e descabida e afirmou que o governo buscará proteger empregos, empresas e exportadores afetados.
Um protesto em plena ditadura militar, motivado por uma decisão judicial que tentou proibir beijos em locais públicos, acabou marcando a vida de um casal de Sorocaba (SP). Marcia Mah, hoje com 59 anos, e Alvaro Mestre Ramos, 68, celebram 45 anos de união após se aproximarem na chamada “Noite do Beijo”, manifestação que reuniu milhares de jovens na Praça Coronel Fernando Prestes, em 7 de fevereiro de 1981.
Página de fanzine celebra os 45 anos da 'Noite do Beijo'
Foto: Reprodução/beijofanzine
A história do casal foi relembrada em reportagem publicada nesta sexta-feira (12), Dia dos Namorados, pelo g1 Sorocaba e Jundiaí. Os dois já se conheciam de eventos culturais da cidade, mas foi naquele ato — que misturou mobilização política, música e clima de celebração — que ficaram pela primeira vez e, depois, começaram o relacionamento.
O protesto, que entrou para a memória local, ocorreu após uma portaria atribuída ao então juiz de direito Manuel Moralles (Manoel Morales, em registros históricos) classificar o beijo como “ato obsceno” e vedar a prática em espaços públicos. A reação da juventude foi imediata: uma passeata que começou menor e terminou com milhares no centro de Sorocaba, com cartazes e palavras de ordem em defesa de liberdades individuais.
Marcia Mah, hoje com 59 anos, e Alvaro Mestre Ramos, 68, celebram 45 anos de união.
Foto: Reprodução/FRAME VIDEO TV
Registros históricos apontam que a manifestação chegou à casa de 5 mil participantes, em um dos atos mais lembrados da cidade. Também há relatos de monitoramento e intimidação por agentes à paisana, prática comum em eventos públicos no período final do regime militar.
Marcia, cantora e ativista ambiental, e Alvaro, historiador e violeiro, não têm casamento oficial formalizado, mas mantêm vida em comum há décadas. Eles relatam que a música é um eixo do relacionamento e já produziram trabalhos juntos, incluindo composições e apresentações ligadas ao álbum “Lalaia”, que chegou a ter turnê fora do Brasil.
Os doOs já se conheciam de eventos culturais da cidade, mas foi naquele ato — que misturou mobilização política, música e clima de celebração — que ficaram pela primeira vez e, depois, começaram o relacionamento.
Foto: Arquivo Pessoal
Ao relembrar a origem do romance, o casal relaciona a experiência à atmosfera de abertura política que começava a se desenhar no país. Do ponto de vista institucional, a redemocratização ganharia marco jurídico com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, que ampliou garantias e liberdades civis no Brasil.
Quatro décadas depois, a “Noite do Beijo” segue como um símbolo local de contestação e memória afetiva. Para Marcia e Alvaro, a data virou também um retrato pessoal de como um gesto simples — e um ato coletivo — podem atravessar gerações. A reportagem não informa se haverá evento oficial na cidade neste ano para marcar a história da manifestação.