Avião que caiu em Vinhedo já enfrentava histórico de problemas? Entenda
A VOEPASS declarou que o avião cumpria todos os requisitos exigidos pelas autoridades competentes
Por Plox
12/08/2024 10h12 - Atualizado há cerca de 1 ano
A aeronave da VoePass que caiu em Vinhedo, São Paulo, na última sexta-feira (9), já havia sofrido um grave incidente meses antes. Em março deste ano, o ATR72 bateu a cauda na pista durante um pouso no aeroporto de Salvador, um evento conhecido como "tailstrike", que causou danos estruturais significativos. A aeronave enfrentava também outras falhas técnicas, incluindo problemas no sistema de ar condicionado e consertos pendentes, conforme relatado.

Histórico de incidentes e manutenção
No dia 11 de março, durante um voo que partiu de Recife com destino a Salvador, o avião sofreu o "tailstrike". Como resultado, foi imediatamente enviado para manutenção e ficou fora de operação por quatro meses, retornando aos voos comerciais apenas em 9 de julho. No entanto, logo após ser liberado, o avião enfrentou um problema de despressurização em um voo entre Ribeirão Preto e Guarulhos, exigindo nova manutenção. A aeronave só voltou a operar regularmente em 13 de julho, menos de um mês antes do trágico acidente em Vinhedo.
Investigações em andamento
Ainda não se sabe se o "tailstrike" ocorrido em Salvador está diretamente relacionado com a queda em Vinhedo, mas essa hipótese está sendo investigada. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, o comandante Ruy Guardiola, um dos pioneiros no uso do ATR no Brasil, destacou a importância de averiguar se as correções feitas pela VoePass após o incidente foram suficientes. Guardiola também relembrou um episódio preocupante onde a manutenção improvisou o conserto de um botão do sistema antigelo com um palito de fósforo: “A solução encontrada pela manutenção foi a colocação de um palito de fósforo, ou sei lá, um palito de dente. Eu vi com esses olhos que a terra há de comer”, afirmou. A falha no sistema antigelo é uma das possíveis causas da queda, que resultou na morte de 62 pessoas.
Hipóteses sobre a causa do acidente
Além dos problemas mecânicos, outra hipótese que está sendo considerada pelos investigadores é a formação de gelo nas asas, sustentada tanto pelos boletins meteorológicos do dia quanto pelo histórico de acidentes semelhantes. Há 30 anos, um acidente nos Estados Unidos com um modelo similar também teve como causa a formação de gelo.
Detalhes do acidente em Vinhedo
A aeronave de prefixo PS-VPB decolou de Cascavel, Paraná, às 11h46, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com previsão de chegada às 13h50. O avião, um turboélice ATR-72 com capacidade para 73 passageiros, estava realizando sua quarta viagem do dia, transportando 58 passageiros e 4 tripulantes. Infelizmente, todos a bordo morreram. O avião caiu no quintal de uma casa em Vinhedo, mas, por sorte, ninguém em solo foi atingido.
Posicionamento da VoePass
Em resposta às preocupações levantadas, a VoePass declarou que o avião estava "aeronavegável" e que cumpria todos os requisitos exigidos pelas autoridades competentes. Entretanto, a empresa reconheceu que o modelo ATR-72 é "sensível ao gelo", o que está sendo considerado um "ponto de partida" nas investigações sobre a tragédia.