Saiba quem era Delfim Netto, ex-ministro que morreu aos 96 anos

Entre 1975 e 1977, Delfim Netto representou o Brasil como embaixador na França, reforçando sua influência e importância nas relações internacionais do país

Por Plox

12/08/2024 08h55 - Atualizado há cerca de 1 ano

Antônio Delfim Netto, renomado economista e ex-ministro da Fazenda, faleceu aos 96 anos na madrugada desta segunda-feira (12) em São Paulo. Internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde a última segunda-feira (5), Delfim Netto deixa um legado significativo na história econômica e política do Brasil, tendo ocupado diversos cargos ministeriais ao longo de sua carreira.

Foto: Repordução/Redes Sociais 

Trajetória ministerial e legado econômico

Delfim Netto foi uma figura central na economia brasileira, tendo servido como ministro da Fazenda entre 1967 e 1974, durante os governos de Costa e Silva e Médici. Nesse período, ele foi o principal arquiteto do chamado "Milagre Econômico", uma fase de expressivo crescimento econômico no país. Além disso, Delfim também atuou como ministro do Planejamento de 1979 a 1985 e brevemente como ministro da Agricultura em 1979.

Entre 1975 e 1977, Delfim Netto representou o Brasil como embaixador na França, reforçando sua influência e importância nas relações internacionais do país. Sua contribuição para o desenvolvimento econômico e diplomático do Brasil é amplamente reconhecida.

Polêmico apoio ao AI-5

Delfim Netto também ficou conhecido por seu apoio ao Ato Institucional número 5 (AI-5), um dos momentos mais sombrios da ditadura militar no Brasil. Em sua defesa do AI-5, Delfim declarou que era necessário conceder ao presidente "a possibilidade de realizar certas mudanças constitucionais, absolutamente necessárias para que este País possa realizar o seu desenvolvimento com maior rapidez", o que intensificou o regime autoritário no país.

Contribuições acadêmicas e vida pessoal

Além de sua atuação política, Delfim Netto foi um professor emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Sua dedicação à educação e ao conhecimento econômico foi evidente quando, em 2014, ele doou sua biblioteca pessoal de 250 mil livros à universidade, contribuindo de maneira duradoura para a formação de futuras gerações de economistas.

Delfim Netto nasceu no bairro do Cambuci, em São Paulo, e era neto de imigrantes italianos. Filho de José Delfim, funcionário da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), e Maria Delfim, dona de casa e costureira, ele começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório na companhia Gessy, após a morte de seu pai. Sua trajetória profissional teve início modesto, mas logo ele se destacou e iniciou sua ascensão no cenário econômico e político.

Carreira na mídia e últimas homenagens

Delfim Netto também contribuiu com artigos sobre economia para diversos jornais, incluindo a Folha da Tarde (atualmente Agora São Paulo) e O Tempo, mantendo-se ativo no debate econômico até seus últimos anos.

O ex-ministro deixa uma filha e um neto. Sua morte marca o fim de uma era na política e na economia brasileira, e ele será lembrado por suas contribuições e controvérsias ao longo de sua extensa carreira pública.

 

 

 

 

Destaques