STF faz audiências do caso Marielle

processo já teve diversos desdobramentos, incluindo a transformação de várias pessoas em réus, e a semana será marcada por cinco dias de oitivas

Por Plox

12/08/2024 14h51 - Atualizado há cerca de 1 ano

As audiências de instrução e julgamento do caso envolvendo a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em 2018, começam nesta segunda-feira (12) no Supremo Tribunal Federal (STF). O processo já teve diversos desdobramentos, incluindo a transformação de várias pessoas em réus, e a semana será marcada por cinco dias de oitivas, sempre às 13h, com depoimentos cruciais que podem trazer novas luzes sobre o caso.

Foto: Reprodução/Alerj

Réus e suas acusações

Os réus deste caso incluem figuras de destaque, como Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e seu irmão, Chiquinho Brazão, deputado federal. Além deles, também são réus o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira, e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, suspeito de fornecer a arma do crime. Todos estão presos e têm o direito de participar das audiências, acompanhados de seus advogados, que poderão interrogar as testemunhas e apresentar documentos pertinentes.

Depoimentos chave

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, intimou oito testemunhas de acusação, que serão ouvidas por videoconferência pelo desembargador Airton Vieira, juiz auxiliar do gabinete, a partir da sede do STF em Brasília. Entre as testemunhas mais esperadas está Fernanda Gonçalves Chaves, assessora de Marielle que sobreviveu ao atentado. Ela deverá fornecer detalhes importantes, tendo sido uma das poucas pessoas a presenciar o ataque.

Além disso, os ex-policiais Ronnie Lessa, que admitiu ser o autor dos disparos e firmou um acordo de colaboração premiada, e Élcio de Queiroz, apontado como o motorista do carro usado no crime, também serão ouvidos novamente. Os depoimentos desses dois envolvidos podem ser determinantes para a elucidação completa do crime.

Suspeitas de interferência nas investigações

As audiências também se concentrarão em depoimentos que buscam esclarecer a possível interferência nas investigações originais do caso. O delegado da Polícia Civil Brenno Carnevale, atual secretário de Ordem Pública da prefeitura do Rio de Janeiro, deverá explicar a alegada influência de Rivaldo Barbosa para dificultar as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios do Rio. Outro depoimento importante é o do miliciano Orlando Oliveira Araújo, conhecido como Orlando Curicica, que foi inicialmente apontado como suspeito e depois acusou Barbosa de receber propina para incriminá-lo injustamente.

Relatório complementar da Polícia Federal

Um relatório complementar apresentado pela Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (9) reforça as suspeitas contra Rivaldo Barbosa e outros envolvidos. Segundo o documento, Barbosa teria atuado para obstruir as investigações, sendo auxiliado pelo delegado Giniton Lages, que liderou as primeiras investigações. O relatório aponta que imagens de câmeras de segurança que poderiam ajudar a identificar os responsáveis pelo crime foram deliberadamente ignoradas.

O documento destaca ainda que Ronnie Lessa já era considerado suspeito logo no início das investigações por ser um dos poucos que poderia realizar disparos a partir de um carro em movimento. No entanto, imagens cruciais do trajeto entre a casa de Lessa, no Quebra-Mar, e o local do crime, foram ignoradas, o que teria sido uma tentativa de ocultar informações relevantes. As imagens só foram anexadas aos autos sete meses depois, e ainda há uma lacuna em relação à coleta de imagens da rota de fuga.

O relatório, assinado pelo delegado Guilhermo de Paula Machado Catramby, culmina na ratificação do indiciamento de Rivaldo Barbosa, Giniton Lages e do comissário Marco Antonio de Barros Pinto por obstrução de Justiça.

As audiências que se iniciam prometem ser decisivas para o desenrolar do caso, com depoimentos que podem trazer novas revelações e influenciar diretamente o julgamento dos acusados.

 

 

 

 

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