Viúvo de mulher morta por policial na Avenida Brasil relata tragédia durante perseguição
Polícia abre fogo contra carro em perseguição, e mulher morre após colisão na Avenida Brasil
Por Plox
12/08/2024 17h36 - Atualizado há cerca de 1 ano
Carlos André Alves de Almeida acreditou que a polícia traria segurança, mas o que ocorreu foi uma tragédia. O corpo de Elaine Esteves Pereira, de 39 anos, morta por um tiro disparado por um policial civil, foi velado na manhã desta segunda-feira (12) no Cemitério Parque da Paz, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A cozinheira estava no carro com o marido quando o veículo foi atingido por disparos após uma perseguição na Avenida Brasil.

Perseguição que terminou em tragédia
Na madrugada de 11 de agosto, Elaine e Carlos André retornavam de uma festa quando, na Estrada da Água Branca, foram abordados por um homem que alegava que o casal havia batido em seu carro. O homem exigiu que parassem, mas, com medo de um possível assalto às 3h da manhã, decidiram fugir. O carro do homem então os perseguiu e colidiu com o veículo do casal propositalmente. Em meio à fuga, Carlos André perdeu o controle do carro em uma curva na Avenida Brasil, colidindo com uma viatura da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
O encontro com a polícia e o disparo fatal
Carlos André, em meio ao desespero, ainda sentiu alívio ao avistar a viatura policial, acreditando que estavam a salvo. "Falei: ‘Amor, fica calma que é a polícia’. Achei que a polícia era a nossa salvadora, mas o que aconteceu foi uma tragédia maior", disse ele. No entanto, os policiais, ao verem a colisão, abriram fogo contra o carro do casal, alegando que o veículo estava em "fuga" e representava uma "investida repentina e violenta". Elaine foi atingida e, apesar de ter conseguido sair do carro e se soltar do cinto de segurança, começou a desfalecer no local, não resistindo aos ferimentos.
Família marcada pela violência
Essa não foi a primeira vez que a família de Elaine foi vítima de violência. Rosângela da Silva Esteves Paiva, mãe de Elaine, relembra a morte de seu sobrinho há cinco anos, em um tiroteio na Rodovia Presidente Dutra. "Essa é a segunda vez que a minha família passa por isso. Não vamos suportar. Tem cinco anos que tiraram o meu sobrinho de 26 anos e ninguém fez nada", desabafou Rosângela, que agora enfrenta mais uma perda trágica.
Elaine, que faria 40 anos no próximo mês, estava com planos de oficializar sua união com Carlos André em uma cerimônia para a qual já havia comprado o vestido de noiva e o buquê. "Eu respiro por ela e quero que Deus me leve para ficar com ela", disse Rosângela, sem conseguir conter as lágrimas.
Investigação em andamento
A Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) está investigando o caso. Os policiais envolvidos na ocorrência foram levados para prestar depoimento e a Corregedoria da Polícia Civil foi acionada para conduzir as investigações. Em nota, a Polícia Civil afirmou que os tiros foram disparados para interromper o que os agentes consideraram uma "investida repentina e violenta" do veículo contra o comboio policial. No entanto, a instituição não respondeu às perguntas sobre o afastamento dos policiais envolvidos ou sobre a apreensão das armas para perícia.
Elaine deixa duas filhas, e sua morte provocou dor e revolta na família. Durante o velório, a filha mais velha, Márcia Eduarda Pereira de Jesus, de 24 anos, lamentava inconsolável: "Mãe, por favor, acorda. Diz que é mentira. Meu Deus, meu Deus". A família agora busca justiça, exigindo punição para os responsáveis pela tragédia que tirou a vida de Elaine.