Governo de MG doa 6.000 brinquedos criados por detentos no Dia das Crianças

Através do projeto "Fábrica da Alegria", a ressocialização de presos é aliada a ações comunitárias positivas

Por Plox

12/10/2023 10h33 - Atualizado há 9 meses

Nesta quinta-feira, 12 de outubro, o Dia das Crianças em Minas Gerais foi marcado pela distribuição de aproximadamente 6.000 brinquedos a crianças atendidas por instituições de acolhimento. O destaque fica por conta da origem desses brinquedos: foram produzidos por detentos, dentro do projeto “Fábrica da Alegria”. A iniciativa busca unir a ressocialização dos prisioneiros a atividades com impacto positivo na sociedade.

 

Foto: Divulgação/Sejusp-MG

Fábrica da Alegria em Números

De janeiro a setembro, o sistema penitenciário mineiro registrou a produção de 10.486 brinquedos. Esse número impressionante vem de oficinas de marcenaria instaladas em diversas unidades prisionais do estado. Em Salinas, a Escola Estadual Coronel Idalino Ribeiro receberá cerca de 300 desses brinquedos. Já em Nova Lima, o Coletivo Amor será contemplado com 400 unidades. Teófilo Otoni verá a distribuição de 2.300 brinquedos, divididos entre uma ação da Polícia Penal e Militar e uma igreja missionária local.

Paulo Duarte, diretor de Trabalho e Produção da Polícia Penal, enfatiza a relevância do projeto além das doações: “É uma questão de sustentabilidade, mudança de paradigma, consciência social e ambiental. Mostra que das unidades prisionais podem emergir ações positivas. Os detentos trabalham com dedicação, e vemos mudanças comportamentais significativas neles.”

 

Sustentabilidade e Solidariedade

O processo nas unidades prisionais é tocante. Utilizando materiais descartados, os detentos criam uma variedade de brinquedos, desde carrinhos até jogos pedagógicos. Todos os insumos, como madeira apreendida, tintas e verniz, são recicláveis e doados, reforçando o caráter sustentável do projeto.

Entre as unidades envolvidas no "Fábrica da Alegria" estão o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, a Penitenciária Agostinho de Oliveira Junior e o Presídio de São Joaquim de Bicas II, entre outros.

Os materiais usados vêm de doações e de apreensões, principalmente madeiras confiscadas pelo Judiciário e pelo Ibama, por serem oriundas de extrações ilegais. Além da fabricação, os presos também cuidam da pintura, acabamento e embalagem. Em reconhecimento, eles recebem remição de pena: a cada três dias de trabalho, um dia é reduzido de sua sentença.

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