Adolescente britânica morre após desafio de ‘chroming’ com desodorante em spray

Morte de Tiegan Jarman, 13, após inalar vapores de desodorante leva família a cobrar alertas em embalagens, controle de conteúdos perigosos nas redes e debate do tema em escolas; Brasil registra ao menos três casos semelhantes neste ano

12/12/2025 às 07:35 por Redação Plox

Um pai britânico vem usando a própria dor para alertar outras famílias após a morte da filha, a adolescente de 13 anos Tiegan Jarman, que inalou vapores de desodorante em um desafio conhecido como “chroming”, popular em redes sociais entre jovens de vários países.

Tiegan foi encontrada inconsciente em seu quarto em 6 de março. Apesar das tentativas de reanimação, morreu no local. Segundo divulgado pelo Daily Mail, o pai, Paul Jarman, descreveu a menina como amorosa, ousada e de risada contagiante.

Diante da tragédia, a irmã de Tiegan, Alisha, criou uma petição online pedindo que embalagens de desodorantes e solventes passem a trazer avisos claros sobre os riscos da inalação. Ela também chama atenção para os perigos dos conteúdos que circulam nas redes sociais e defende que o tema seja tratado de forma mais profunda nas escolas.

A família afirma que quer conscientizar pais e jovens sobre o risco das chamadas “trends” e lamenta que, embora plataformas digitais mantenham algum controle sobre conteúdos sensíveis, os desafios perigosos continuem circulando com facilidade.


Tiegan Jarman, de 13 anos, ao lado do pai, Paul Jarman. Menina morreu após inalar vapores tóxicos de desodorantes spray.

Tiegan Jarman, de 13 anos, ao lado do pai, Paul Jarman. Menina morreu após inalar vapores tóxicos de desodorantes spray.

Foto: Reprodução/Change.org

Casos no Brasil acendem alerta para o mesmo desafio

No Brasil, episódios parecidos já foram registrados neste ano. Em abril, uma menina de 8 anos morreu após inalar spray de desodorante. Outros dois casos haviam sido notificados meses antes.

De acordo com autoridades, as mortes estão ligadas ao mesmo tipo de desafio: inalar o spray e mantê-lo na boca pelo maior tempo possível. Médicos alertam que essa prática é potencialmente letal, pois pode provocar paradas cardíacas.

Em fevereiro, uma menina de 7 anos do ABC Paulista inalou spray de desodorante depois de assistir a um vídeo nas redes sociais e sofreu uma parada cardíaca. Em março, vieram à tona outros dois casos: o de Brenda Sophia Melo de Santana, de 11 anos, em Pernambuco, e o de Sarah Raissa Pereira de Castro, de 8 anos, no Distrito Federal.

A médica pneumologista e membro da Academia Nacional de Medicina, Margareth Dalcolmo, chama atenção para o caráter extremo do risco, sobretudo em crianças, destacando que mesmas quantidades pequenas podem ter efeito devastador.

O que acontece no corpo ao inalar spray de desodorante

Segundo a pneumologista, sprays em geral — não apenas desodorantes — formam uma névoa fina que permanece no ar e pode alcançar as partes mais profundas do sistema respiratório.

O processo descrito pelos especialistas ocorre em cadeia:

Após a inalação, as partículas muito pequenas do spray conseguem chegar até os alvéolos pulmonares, estruturas responsáveis pela hematose, isto é, pela troca de gases: o oxigênio inalado passa para o sangue, enquanto o gás carbônico é eliminado para o interior dos alvéolos.

Quando os alvéolos ficam intoxicados pela substância, essa troca gasosa é interrompida, causando uma queda significativa dos níveis de oxigênio no sangue. A resposta do organismo a esse colapso costuma ser uma parada cardíaca, como observado nos casos recentes.

A médica ressalta que, no início da intoxicação, a criança ou o adolescente pode sentir uma sensação de euforia, o que contribui para que o desafio seja compartilhado entre pares. Porém, essa sensação pode rapidamente evoluir para perda de consciência e parada cardíaca. Como muitos desses desafios ocorrem longe da supervisão de adultos, nem sempre é possível prestar socorro imediato.

Em crianças, a menor superfície pulmonar torna o quadro ainda mais crítico, já que quantidades que poderiam ser consideradas pequenas em adultos são suficientes para colapsar o sistema respiratório infantil.

Internet, desafios virais e vulnerabilidade infantil

O desafio do desodorante faz parte de um conjunto de conteúdos virais que circulam nas redes e são acessados cada vez mais cedo por crianças. No consultório, a pneumologista relata aumento de atendimentos de crianças e adolescentes com problemas de saúde associados a influências online, como o uso de cigarros eletrônicos.

Especialistas reforçam que pais e responsáveis precisam acompanhar de perto o que os filhos consomem na internet e em quais plataformas estão presentes. Em redes como TikTok e Instagram, por exemplo, a idade mínima para abrir uma conta é de 13 anos.

Para Margareth Dalcolmo, é fundamental discutir em casa e nas escolas o impacto do uso precoce e sem supervisão de celulares e redes sociais, e estabelecer limites claros para o acesso.

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