Direita reage e acusa Moraes de 'ditadura' após anular decisão que preservou mandato de Zambelli
Ministro do STF derrubou deliberação da Câmara que manteve o mandato de Carla Zambelli, gerando críticas de deputados de oposição, que falam em abuso de poder e afronta à vontade popular
12/12/2025 às 07:54por Redação Plox
12/12/2025 às 07:54
— por Redação Plox
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Parlamentares de oposição reagiram com críticas duras à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a deliberação da Câmara dos Deputados responsável por manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A medida foi anunciada nesta quinta-feira (11) e reacendeu o embate entre parte do Legislativo e o Judiciário.
Deputados de direita reagiram com ataques ao ministro e classificaram a medida do Supremo como um ato de “ditadura”
Foto: Agência Câmara dos Deputados
Nas redes sociais, deputados de direita passaram a atacar o ministro e a classificar a decisão do Supremo como um ato de “ditadura”. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sugeriu o fechamento do Congresso ao comentar a intervenção do STF sobre a votação na Câmara.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, também utilizou as redes sociais para atacar Moraes, a quem chamou de “ditador psicopata”. Na avaliação dele, a anulação da decisão da Câmara representa um abuso de poder e uma afronta à vontade popular, ao permitir que um ministro do Supremo reverta um resultado construído no plenário da Casa.
O deputado Mauricio Marcon (Podemos-RS), vice-líder da oposição, classificou o decreto de Moraes como “piada” e criticou o fato de o ministro se apresentar como defensor da democracia ao, segundo ele, cassar mandatos “no canetaço”.
Câmara havia rejeitado cassação do mandato
Horas antes da decisão de Moraes, a Câmara dos Deputados havia rejeitado, na madrugada desta quinta-feira, a cassação do mandato de Carla Zambelli. O resultado da votação foi de 227 votos favoráveis à perda do mandato, 170 contrários e 10 abstenções, número insuficiente para alcançar a maioria absoluta de 257 votos exigida para cassações.
Com esse placar, a Câmara acabou descumprindo uma determinação anterior do STF, que já havia decidido pela perda do mandato da parlamentar após seu julgamento na Corte. Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em um caso que ganhou repercussão nacional.
Desde julho, a deputada está presa na Itália, para onde viajou após a condenação. A situação dela se tornou um dos principais focos de tensão entre oposicionistas e o Supremo, que agora volta ao centro do debate com a anulação da decisão da Câmara.