Dólar avança, Ibovespa recua e mercado monitora CPI e emprego nos EUA

Com agenda doméstica esvaziada, investidores acompanham dados de inflação e trabalho nos EUA, lançamento da plataforma da Reforma Tributária, sanção do PLP 108/2024 e apoio internacional a Jerome Powell em meio a tensão política com Trump

13/01/2026 às 11:42 por Redação Plox

O dólar opera em leve alta nesta terça-feira (13), subindo 0,04% por volta das 11h, negociado a R$ 5,3740. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,39%, aos 162.509 pontos.

Com a agenda doméstica esvaziada, os mercados brasileiros acompanham de perto os desdobramentos nos Estados Unidos, onde novos dados de inflação e emprego podem redesenhar expectativas para os juros. Ao mesmo tempo, movimentos políticos e institucionais adicionam mais ruído ao cenário internacional.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: FreePik

Dados de inflação e emprego nos EUA no foco dos investidores

Nos Estados Unidos, será divulgado o CPI (índice de preços ao consumidor) de dezembro, com projeções de alta de 0,2% no mês e 2,6% em 12 meses para o índice cheio. Para o núcleo de inflação, que exclui itens voláteis, também se espera avanço de 0,2% no mês e 2,6% no acumulado em um ano.

Ainda pela manhã, a ADP divulga sua pesquisa semanal da média móvel de criação de vagas no setor privado. A leitura anterior apontou 11,5 mil postos de trabalho, e não há estimativas divulgadas para o novo número.

Esses indicadores são monitorados de perto porque ajudam a calibrar as apostas do mercado sobre os próximos passos da política monetária americana.

Reforma tributária e atos em Brasília

No Brasil, o destaque da agenda é o lançamento da plataforma digital da Reforma Tributária e a sanção do PLP 108/2024, que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e conclui a regulamentação da medida.

O evento em Brasília contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em mais uma etapa da implementação das mudanças no sistema tributário.

BCs apoiam Powell em meio a tensão institucional

No campo institucional, dirigentes de alguns dos principais bancos centrais do mundo divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após ameaças de acusação criminal por parte do governo dos EUA.

O documento foi assinado por líderes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo o Banco Central do Brasil. O presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo, figura entre os signatários.

Desempenho do dólar e do Ibovespa

No acumulado da semana, o dólar registra alta de 0,12%. No mês e no ano, a moeda americana ainda apresenta queda de 2,13%.

Já o Ibovespa acumula recuo de 0,13% na semana, mas sobe 1,26% tanto no mês quanto no acumulado de 2024.

Trump amplia pressão sobre Powell e o Fed

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão sobre o Federal Reserve ao mencionar a possibilidade de abrir um processo criminal contra Jerome Powell, presidente do banco central americano.

A ameaça está ligada a declarações prestadas por Powell ao Congresso sobre os custos da reforma de um prédio do Fed. Segundo o dirigente, o episódio vem sendo usado como pretexto para ampliar a influência do governo sobre a política monetária, com o objetivo de forçar cortes mais agressivos nos juros.

As movimentações reforçaram as preocupações do mercado com a independência do banco central. Nesta segunda-feira, o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, avaliou que a ameaça de uma acusação criminal contra Powell intensifica esses receios, embora ainda espere que o Fed mantenha decisões orientadas por dados econômicos.

“Obviamente, há mais preocupações de que a independência do Fed esteja em xeque, com as últimas notícias sobre a investigação criminal contra o presidente Powell realmente reforçando essas preocupações”, afirmou Hatzius.

Jan Hatzius

As declarações foram feitas durante a conferência anual de estratégia global do banco, em Londres. Ainda assim, Hatzius avaliou que Powell deve continuar conduzindo a política monetária com base nas condições econômicas, sem ceder às pressões políticas.

Ele, que integra o comitê de administração do Goldman Sachs, foi o primeiro executivo sênior de Wall Street a se manifestar publicamente desde que surgiram informações sobre uma possível investigação contra o chefe do Fed.

Para o economista, Powell seguirá, em seu mandato remanescente, tomando decisões orientadas pelos dados, seja para cortar juros, seja para mantê-los, conforme apontarem os indicadores.

Investigação sobre reforma da sede do Fed

A disputa entre Trump e Powell ganhou um novo capítulo nesta semana, quando o governo passou a mencionar formalmente a possibilidade de uma investigação criminal.

A alegação é de que o presidente do Fed teria prestado informações incorretas ao Congresso sobre o custo da reforma da sede da instituição, cujo valor final teria ultrapassado o orçamento inicialmente previsto.

Powell nega as acusações e argumenta que o caso está sendo instrumentalizado politicamente.

Em comunicado divulgado no domingo (11) pelo banco central americano, ele informou que o Fed recebeu uma intimação do Departamento de Justiça relacionada a seu depoimento ao Congresso em junho do ano passado.

A investigação, conduzida pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Colúmbia, busca apurar se houve inconsistências nas informações sobre o alcance das obras. A apuração foi autorizada pela procuradora Jeanine Pirro, indicada ao cargo pelo próprio Trump.

No mesmo comunicado, Powell afirmou que a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de pressão sobre o Fed para promover cortes mais intensos na taxa de juros, mesmo com a inflação ainda acima da meta oficial de 2%.

Segundo ele, a medida é sem precedentes e deve ser entendida como parte de um contexto de pressão contínua do governo sobre a autoridade monetária.

Powell sustentou que a ameaça de processo não está ligada a detalhes específicos de seu depoimento nem às obras em si, mas ao fato de o Fed definir a taxa de juros com base no que considera melhor para o interesse público, e não de acordo com preferências políticas do governo.

Focus indica ajustes marginais nas projeções

Na agenda doméstica, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostrou apenas ajustes marginais nas projeções dos economistas consultados pelo Banco Central.

Para 2026, a estimativa para a variação do IPCA — índice oficial de inflação — recuou 0,01 ponto percentual, para 4,05%. Para 2027, a projeção foi mantida em 3,80% ao fim do ano.

A meta oficial de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que permite variações entre 1,5% e 4,5% sem descumprimento formal do objetivo.

No campo da política monetária, o mercado segue esperando que o Banco Central dê início ao ciclo de cortes na taxa Selic em março, com redução inicial de 0,5 ponto percentual a partir do nível atual de 15%.

Também permanecem inalteradas as apostas para a taxa básica ao fim dos próximos anos: 12,25% em 2026 e 10,50% em 2027.

Para a atividade econômica, as previsões continuam estáveis, com projeção de crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) tanto para este ano quanto para o próximo.

Bolsas globais reagem a juros e cenário político

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta na segunda-feira, apoiados principalmente pelas ações de tecnologia. Em sentido oposto, papéis de instituições financeiras e de empresas de cartão de crédito foram pressionados após Trump sugerir um limite de um ano para as taxas de juros de cartões, fixado em 10% a partir de 20 de janeiro.

O Dow Jones Industrial Average avançou 0,16%, para 49.584,57 pontos. O S&P 500 subiu 0,15%, para 6.977,29 pontos, enquanto o Nasdaq Composite ganhou 0,26%, aos 23.733,90 pontos.

Na Europa, as bolsas encerraram o pregão em alta recorde, embora os ganhos tenham sido moderados, em meio à cautela com as tensões entre o Fed e a Casa Branca.

O índice STOXX 600 subiu 0,20%, impulsionado por empresas de metais preciosos. Entre os principais índices da região, o destaque foi o DAX, da Alemanha, que avançou 0,60% e renovou recorde, engatando a 10ª alta consecutiva da bolsa alemã.

Mercados asiáticos em alta, com impulso da China

Na Ásia, as bolsas também fecharam em alta, com destaque para os mercados chineses, que atingiram os maiores níveis da última década.

O movimento foi amparado por ações ligadas à inteligência artificial e ao setor aeroespacial, além de volume recorde de negociações e perspectivas mais favoráveis para 2026.

Em Hong Kong, as ações acompanharam o otimismo regional e encerraram em terreno positivo.

Ao fim do pregão, os índices estavam assim: Hang Seng +1,44% (26.608 pontos), Xangai SSEC +1,09% (4.165 pontos), CSI300 +0,65% (4.789 pontos), Kospi +0,84% (4.624 pontos), Taiex +0,92% (30.567 pontos) e Straits Times +0,47% (4.766 pontos). O Nikkei permaneceu fechado.

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