Ex-padre é condenado a 24 anos por estupro de vulnerável em sítio em Minas Gerais
Justiça também determinou pagamento de R$ 30 mil por danos morais, em decisão de primeira
O ex-padre Bernardino Batista dos Santos, de 78 anos, foi condenado a 24 anos e 9 meses de prisão por estupro de vulnerável. Ele é alvo de dezenas de denúncias de abuso sexual contra crianças e foi afastado de suas funções pela Arquidiocese de Belo Horizonte em 2021. O crime que resultou na condenação ocorreu em 2016, em um sítio em Tiros, no Alto Paranaíba, quando a vítima tinha 3 anos.
Além da pena em regime fechado, a Justiça determinou o pagamento de R$ 30 mil por danos morais. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.
Mais de 60 vítimas identificadas
De acordo com a advogada Ana Carolina Oliveira, mais de 60 vítimas de Bernardino já foram identificadas. Este, porém, é o único processo em que o crime ainda não havia prescrito. Os abusos teriam começado em 1975.
A decisão judicial reconhece a gravidade das condutas praticadas, a especial vulnerabilidade da vítima menor e o impacto profundo das violações cometidas, reafirmando que nenhuma posição social, institucional ou religiosa pode servir de escudo para a impunidade em crimes dessa natureza
Ana Carolina Oliveira
O ex-padre chegou a ser preso em outubro de 2024, mas foi solto pouco mais de um mês depois, por decisão da Justiça, com a determinação do uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), ele segue sob monitoração.
A defesa de Bernardino informou que irá recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais e afirmou ter recebido a sentença “de forma estarrecida”.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Histórico de denúncias desde a década de 1970
Bernardino Batista dos Santos é denunciado por diversos estupros que teriam ocorrido desde 1975. Além do caso que levou à atual condenação, há relatos de abusos no mesmo sítio em Tiros, no início dos anos 2000.
Também há denúncias do período em que ele atuou como diretor de uma escola infantil e pároco na Paróquia Nossa Senhora Medianeira e Santa Luzia, no bairro Paraíso, Região Leste de Belo Horizonte.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Afastamento definitivo do sacerdócio
Em 2021, a Arquidiocese de Belo Horizonte afastou o então sacerdote após receber denúncias. Na época, ele celebrava missas na Paróquia Cristo Rei, em Contagem, na Grande BH.
Segundo a instituição, o processo penal instaurado pelo Tribunal Eclesiástico foi concluído e analisado pelo Vaticano, que confirmou a decisão da Arquidiocese e determinou o afastamento definitivo de Bernardino do ofício sacerdotal.
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