“Dois anjos que apareceram”: vídeo mostra reencontro de jovem resgatado no Pico Paraná
Após enfrentar fome, sede, ferimentos e terreno de alto risco na Serra do Mar, Roberto Farias, de 19 anos, consegue sair sozinho da mata, é socorrido por funcionários de fazenda, agradece equipes do GOST e relata mudança de vida após o episódio
13/01/2026 às 06:29por Redação Plox
13/01/2026 às 06:29
— por Redação Plox
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Após passar cinco dias perdido no Pico Paraná, o jovem Roberto Farias, de 19 anos, voltou à fazenda onde foi socorrido para reencontrar os dois funcionários que o ajudaram no momento decisivo do resgate. Emocionado, ele agradeceu aos homens que encontrou ao sair da mata fechada e os chamou de “dois anjos que apareceram” quando já estava exausto e debilitado.
O reencontro, mostrado pelo Fantástico, aconteceu dias depois de Roberto conseguir deixar a área de mata fechada na Serra do Mar, no Paraná. No quinto dia de desaparecimento, ele chegou cambaleando a uma estrada de pedras dentro da fazenda, onde foi visto por dois funcionários que prestaram os primeiros socorros e acionaram ajuda.
Roberto Farias, jovem que ficou perdido em uma trilha no Pico Paraná, se encontrou com funcionários de uma fazenda, que o receberam.
Foto: Reprodução/TV Globo/Fantástico
Retorno para agradecer e reviver o resgate
Ao rever o jovem, um dos funcionários avaliou o estado em que ele havia chegado após os dias na floresta. Roberto fez questão de retornar ao local para agradecer pessoalmente a quem o acolheu no primeiro momento após a travessia solitária.
Ele havia desaparecido durante a descida do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil, com 1.877 metros de altitude. O jovem fazia a trilha acompanhado de uma amiga, ficou para trás em determinado trecho e acabou errando o caminho em uma área com pouca sinalização.
Em meio à desorientação, Roberto escorregou por um penhasco e iniciou uma caminhada solitária de mais de 20 quilômetros por terreno acidentado, entre pedras e cachoeiras, até alcançar a fazenda onde foi visto pelos funcionários.
Cinco dias de sede, fome e ferimentos na mata
Durante os cinco dias em que permaneceu na mata, Roberto perdeu a bota e o óculos — ele tem problema de visão — e enfrentou sede, fome e diversos ferimentos pelo corpo. Mesmo assim, conseguiu manter a calma e seguir em frente, movido pela vontade de reencontrar a família.
As buscas começaram ainda no primeiro dia de desaparecimento e mobilizaram bombeiros e voluntários. Apesar do esforço das equipes, Roberto só foi localizado após conseguir sair da mata por conta própria.
De acordo com os bombeiros, ele passou por áreas consideradas de alto risco, em trechos onde, até então, ninguém havia feito a travessia sem equipamento adequado, reforçando a gravidade da situação enfrentada pelo jovem.
Orientações de resgate e mudança de vida
Depois do reencontro com os funcionários da fazenda, Roberto também agradeceu às equipes de resgate do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST). O comandante do grupo destacou que, em situações semelhantes, a orientação é permanecer parado em um local seguro, o que facilita o trabalho de busca e resgate.
De volta à rotina, cercado pela família que se reaproximou durante o período de buscas, Roberto afirma que a experiência mudou sua forma de enxergar a vida. Para ele, sobreviver à travessia representa uma nova chance e reforça a importância de valorizar o que considera essencial.
Cadastro obrigatório e reconciliação familiar
Em nota, o IAT reforçou que o cadastro para acesso à região é obrigatório e que a entrada na área deve ocorrer apenas por vias legais e dentro do horário estabelecido, como forma de aumentar a segurança de quem frequenta o local.
Após o resgate, a mobilização em torno do desaparecimento acabou aproximando novamente os familiares de Roberto, que estavam distantes. A busca pelo jovem serviu como ponto de reconciliação e restabeleceu laços que estavam fragilizados.
Para ele, a travessia e o desfecho bem-sucedido deixaram uma lição duradoura: a vida é única e deve ser aproveitada no que ela tem de melhor, reforçando a decisão de seguir em frente com mais cuidado, responsabilidade e gratidão.
Reencontro com a parceira de trilha
Dias depois, Roberto se reencontrou em uma praça de Curitiba com Taiane, a amiga que o acompanhava na trilha antes de ele se perder na descida do Pico Paraná. Houve pedido de desculpas, mas os dois decidiram seguir caminhos diferentes após o episódio.
O encontro marcou o encerramento do vínculo entre eles naquele contexto, ao mesmo tempo em que consolidou, para Roberto, o simbolismo de uma etapa concluída depois de sobreviver a cinco dias de incerteza na mata.