Professor é preso na Serra suspeito de assediar alunos e exigir fotos íntimas em troca de notas

Docente de 46 anos, foragido desde abril de 2025, foi localizado em 8 de janeiro; polícia já identificou ao menos 14 vítimas de 10 a 16 anos na Serra e em Vila Velha, e apura novos casos

13/01/2026 às 07:41 por Redação Plox

Um professor de 46 anos, preso suspeito de exigir fotos íntimas de alunos em troca de notas altas, abordava adolescentes durante os intervalos, nos corredores das escolas e no recreio. De acordo com as investigações, ele também chegou a oferecer dinheiro para que os menores enviassem imagens dos órgãos genitais.

Os casos ocorreram na Serra e em Vila Velha, na Grande Vitória. A Polícia Civil do Espírito Santo já identificou oito vítimas, com idades entre 10 e 16 anos, em sua maioria estudantes com baixo rendimento escolar. Segundo a corporação, o homem se aproveitava da condição de professor para aliciar, assediar e abusar dos alunos.

A identidade do suspeito não foi divulgada. Bairros e escolas em que os crimes teriam acontecido também não foram informados, para preservar os menores de idade, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Professor é preso por abuso sexual de alunos em troca de notas maiores em escolas públicas do Espírito Santo

Professor é preso por abuso sexual de alunos em troca de notas maiores em escolas públicas do Espírito Santo

Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Suspeitas começaram após conversa descoberta em celular

Os crimes vieram à tona em novembro de 2024, quando um estudante da Serra foi à casa de uma amiga para fazer um trabalho escolar. Durante a visita, ele comentou que mantinha conversas de cunho sexual com o professor. A mãe da menina ouviu a fala, pediu para ver o conteúdo no aplicativo de mensagens e percebeu que poderia se tratar de crime.

Ao constatar a gravidade da situação, a mulher procurou a escola e relatou o caso. A unidade de ensino, então, informou a responsável pelo adolescente, que registrou denúncia na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Convites insistentes, redes sociais e mudança de abordagem

Em depoimento na área psicossocial, um dos adolescentes relatou que o professor pediu para ser seguido no Instagram e ativou o modo de conversa temporária. A partir daí, passaram a ocorrer convites insistentes para sair, ir à praia, ao cinema e até à casa do professor.

Desconfiado das intenções do suspeito, o menor percebeu o comportamento inadequado e a abordagem mudou. O professor passou a mandar fotos de mulheres nuas. Como fazia parte de uma banda, usou o acesso às dançarinas do grupo para tentar atrair os meninos, inclusive aqueles que diziam ser heterossexuais.

Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou conversas nas quais o professor dizia ao aluno que ele só precisava escrever o próprio nome nas provas e que “deixasse o resto por conta dele”. O suspeito preenchia as respostas, o estudante recebia nota alta e, em troca, teria de enviar foto do órgão genital.

Arquivos organizados por escolas e vítimas

Busca e apreensão realizada no apartamento do professor resultou na coleta de diversos aparelhos eletrônicos. De acordo com a polícia, o material armazenado indicava um método organizado: pastas com as iniciais das escolas onde lecionava e, dentro delas, subpastas com as iniciais das vítimas, onde eram guardadas as imagens íntimas dos adolescentes.

Também foram encontrados acessos frequentes a sites de exploração sexual infantil, com registros de crianças sendo abusadas e de adolescentes em relações sexuais entre si. No conteúdo, havia ainda fotos de vítimas que já haviam procurado a DPCA para denunciar assédio, importunação e estupro.

Ameaças e intimidação a aluno de 12 anos

Em fevereiro de 2025, um novo caso chegou à polícia, envolvendo um adolescente de 12 anos, morador da Serra. O professor teria apreendido o celular do aluno na escola e o ameaçado para que não fosse denunciado, ordenando que o menor acessasse sites pornográficos sob a justificativa de que poderia verificar se ele havia cumprido a ordem.

O aluno relatou que o suspeito dizia conhecer a família e saber onde moravam, o que aumentava o medo. O professor também teria seguido o adolescente até o banheiro e o tocado na coxa e nas nádegas.

A mãe notou mudanças bruscas no comportamento do filho, que passou a ter medo do escuro e a querer dormir com ela. Ao checar o celular, encontrou o histórico de sites pornográficos, questionou o menino e ouviu o relato das ameaças, decidindo, então, denunciar o caso.

Abordagens com dinheiro e presentes em Vila Velha

Em Vila Velha, a Polícia Civil identificou, até o momento, seis vítimas, com idades entre 13 e 16 anos, em casos que teriam ocorrido em 2023. Já em 2024, quando o professor não trabalhava mais na rede municipal do município, as abordagens passaram a ocorrer principalmente pelas redes sociais.

Encontramos diversos Pix, feitos para essas vítimas com valores entre R$ 30 e R$ 50. Para outras vítimas, ele também chegou a oferecer objetos de desejo, dentre os quais uma prancha de surfe.

Glalber Queiroz, adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA)

Diante das provas reunidas, a polícia pediu a prisão preventiva do professor. Desde abril de 2025, ele estava foragido. Em 8 de janeiro, foi localizado e preso na Serra.

Investigação busca novas possíveis vítimas

Ainda não há informação sobre há quanto tempo o investigado atua como professor. No material apreendido, porém, foram encontradas imagens que sugerem a possibilidade de existência de mais vítimas em escolas onde ele lecionou anteriormente.

A Polícia Civil pede que qualquer possível vítima do professor procure a delegacia, para ampliar o alcance das investigações e fortalecer as provas.

A Prefeitura da Serra informou que o professor trabalhava por designação temporária e não integra mais o quadro de profissionais da rede pública municipal. Já a Prefeitura de Vila Velha afirmou que denúncias de assédio envolvendo alunos são apuradas por meio de processo administrativo e comunicadas imediatamente às autoridades competentes.

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