Zema reafirma pré-candidatura à Presidência em 2026 e descarta ser vice de Flávio Bolsonaro

Em entrevista ao Café com Política, governador de Minas diz que não abre mão de ser cabeça de chapa, se coloca como diferente de outros nomes da direita e aposta em estratégia digital com críticas a Lula e uso de inteligência artificial

13/01/2026 às 12:45 por Redação Plox

Pré-candidato à Presidência da República em 2026, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que não pretende abrir mão de encabeçar uma chapa ao Planalto. Em entrevista ao programa Café com Política, exibido nesta terça-feira (13/1) no canal de O TEMPO no YouTube, ele descartou ser vice do senador Flávio Bolsonaro (PL) e indicou que aguarda pesquisas e articulações, mas com a intenção de manter o perfil de quem gosta de “comandar a empresa”.

Zema descarta possibilidade de ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro e diz que manterá sua pré-candidatura ao Planalto. (

Zema descarta possibilidade de ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro e diz que manterá sua pré-candidatura ao Planalto. (

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Zema se coloca como diferente de Flávio Bolsonaro e outros nomes da direita

O governador mineiro disse ter um perfil distinto do de Flávio Bolsonaro e também dos demais pré-candidatos ao Palácio do Planalto que hoje despontam na direita, como os governadores Ronaldo Caiado (União), de Goiás; Ratinho Júnior (PSD), do Paraná; e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo. Segundo ele, apesar de todos estarem no mesmo espectro político, sua experiência à frente de Minas o coloca em posição diferenciada, ao afirmar que foi o único que conseguiu “tirar o Titanic do fundo do mar”, em referência à situação herdada da gestão de Fernando Pimentel (PT).

Ele ressaltou que outros estados estavam em condição fiscal e administrativa mais favorável do que Minas e que, por isso, considera ter demonstrado capacidade de “consertar a tragédia do PT” no Estado.

Zema também destacou a trajetória na iniciativa privada como um ponto central de sua narrativa política. Com mais de 30 anos de atuação empresarial, ele costuma apresentar essa experiência como diferencial para o comando da máquina pública, lembrando que criou uma empresa praticamente do zero, com milhares de empregos diretos e atuação em Minas e em estados vizinhos.

Boatos de vice de Flávio Bolsonaro e resistência em abrir mão da cabeça de chapa

Nos últimos dias, cresceram rumores de que Zema poderia compor como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, em negociação articulada pelo senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, defensor de uma unificação dos nomes da direita para tentar barrar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador mineiro, porém, rechaçou essa hipótese, reforçando que sua prioridade é liderar um projeto próprio ao Planalto.

Durante o Café com Política, ao ser questionado sobre possíveis composições com outros pré-candidatos, Zema foi taxativo ao afirmar que não pretende ceder espaço na disputa presidencial, ainda que admita que o cenário político possa sofrer mudanças conforme avancem as conversas e as pesquisas eleitorais.

Uma coisa que eu não abriria mão é de ser o cabeça de chapa. Eu sempre comandei a empresa, comandei o Estado, já mostrei que sei fazer isso. Agora, na política, nós sabemos que tudo é possível. Vamos ver como vão caminhar as pesquisas no futuro e como serão essas conversas

Romeu Zema, em entrevista ao Café com Política

De outsider a político, mantendo o mesmo discurso

A primeira eleição disputada por Zema foi em 2018, ao governo de Minas, quando se apresentou como um “outsider” da política tradicional. Hoje, após mais de sete anos de mandato, ele reconhece que já se considera um político, mas diz preservar as mesmas bandeiras que o levaram ao poder.

O governador afirma que sua visão de gestão continua baseada na ideia de que o governo precisa ser formado por gente competente, e não por “companheirada”, e que o Estado tem de gastar menos do que arrecada, em contraste com o que, segundo ele, muitos políticos defendem.

Redes sociais, críticas a Lula e imagem pública

No esforço para projetar o nome nacionalmente, Zema tem apostado nas redes sociais como principal vitrine. Ele alterna publicações com críticas ao governo do presidente Lula com conteúdos bem-humorados, como vídeos descontraídos e intervenções que buscam repercussão viral.

Entre os exemplos recentes, está um vídeo feito com uso de Inteligência Artificial em que aparece como vocalista, cantando sobre Minas. Outra publicação que ganhou grande repercussão foi a cena em que o governador surgiu comendo uma banana com casca, apresentada como uma “sugestão” para economizar em meio à alta no preço dos alimentos em fevereiro do ano passado.

Ao comentar esse tipo de estratégia, Zema costuma afirmar que gosta de criticar o que vê como equívocos do governo federal, alegando que Brasília segue gastando acima da arrecadação, o que, na avaliação dele, pressionaria os juros para cima. Ele também ressalta diferenças entre as contas da União e dos estados, argumentando que o governo federal pode imprimir dinheiro, enquanto as administrações estaduais não têm esse recurso, o que o teria levado a adotar uma postura de maior responsabilidade fiscal em Minas.

Questionado sobre a autenticidade da sua presença nas redes, Zema diz que não se trata de “encenação”, mas de uma extensão de sua postura na vida real. Ele afirma ser a mesma pessoa em qualquer ambiente, sem separar uma agenda pública de uma agenda oculta, reforçando a tentativa de construir uma imagem de coerência entre discurso e prática.

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