Transição climática: Do El Niño para o La Niña, efeitos globais e expectativas no Brasil

Com a despedida do El Niño prevista para o segundo semestre, o fenômeno La Niña ganha espaço, trazendo mudanças climáticas significativas.

Por Plox

13/02/2024 10h29 - Atualizado há 2 meses

Após influenciar o clima global por um ano e meio e ser responsável por recordes de temperatura, o El Niño está previsto para dar lugar ao La Niña ainda neste ano. Segundo a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), espera-se que o La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico, comece a afetar o clima entre julho e setembro. Essa transição é monitorada através de modelos estatístico-climáticos, que ajudam a prever as alterações nos padrões climáticos.

Foto: Reprodução / Wikimedia Commons

O fenômeno El Niño, que ocorre a cada dois a sete anos, é conhecido pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, alterando as correntes marítimas e as massas de ar, o que acarreta em diversos impactos globais. "Dependendo de sua força, o El Niño pode causar uma série de impactos, como aumentar o risco de chuvas fortes e secas em determinados locais do mundo", explicou Michelle L'Heureux, cientista do Climate Prediction Center.

Recentemente, um relatório do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou que, apesar de atualmente o El Niño ser classificado como forte, ele deve enfraquecer nos próximos meses, abrindo caminho para a formação do La Niña no segundo semestre. Esse acompanhamento mensal do fenômeno é essencial para a tomada de decisões por parte de órgãos governamentais, uma vez que ele influencia aspectos importantes como a agricultura.

Enquanto o El Niño eleva as temperaturas globais, o La Niña traz o efeito oposto, resfriando as águas do Pacífico e, consequentemente, as temperaturas ao redor do mundo. No Brasil, o fenômeno tende a provocar chuvas intensas no Norte e Nordeste e seca no Sul. "O La Niña potencializa as ondas de frio nos períodos de outono-inverno e primavera, mas também pode causar estiagem e ondas de calor intensas em partes da América do Sul", afirmou Estael Sias, meteorologista da MetSul.

Ainda sob a influência do El Niño, o mundo testemunhou recordes de calor em 2023, com o ano sendo o mais quente desde o início dos registros, conforme anunciado pelo observatório europeu Copernicus. A temperatura média ultrapassou em 1,48 ºC os níveis pré-industriais, um marco preocupante para as metas climáticas globais.

A previsão da NOAA indica que os efeitos do El Niño devem persistir até maio, seguidos por um período de neutralidade climática antes da chegada do La Niña. Este ciclo de fenômenos climáticos evidencia a complexidade das interações entre o oceano e a atmosfera, ressaltando a importância de monitoramentos contínuos para prever e mitigar seus impactos.

 

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