André Mendonça assume relatoria no STF do inquérito do Banco Master após saída de Toffoli
Ministro foi escolhido por sorteio eletrônico depois da renúncia de Dias Toffoli; investigação apura suposta fraude de R$ 12,2 bilhões com títulos de crédito falsos
13/02/2026 às 08:01por Redação Plox
13/02/2026 às 08:01
— por Redação Plox
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O ministro André Mendonça foi escolhido por sorteio eletrônico para assumir a relatoria do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele passa a conduzir a investigação no lugar de Dias Toffoli, que renunciou ao caso nesta quinta-feira (12/2), após reunião com os demais ministros da Corte.
Com a saída de Toffoli, o processo sobre a suposta fraude de R$ 12,2 bilhões em emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master foi redistribuído. Além do antigo relator, o presidente do STF, Edson Fachin, também ficou de fora do sorteio por exercer funções administrativas no tribunal.
Mendonça herdou a relatoria de Toffoli após ser sorteado em processo de redistribuição
Foto: Rosinei Coutinho/STF
Pressão sobre Toffoli e impasse no Supremo
Toffoli era relator do caso desde dezembro de 2025, quando levou a investigação ao STF a pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. A renúncia foi articulada entre os ministros como resposta à crescente pressão em torno da atuação dele no inquérito.
O cenário se agravou na última segunda-feira (9), quando a Polícia Federal entregou um relatório que vinculava o nome de Toffoli à investigação. Apesar disso, a nota que comunicou a saída do ministro da relatoria não reconheceu suspeição. Segundo a avaliação interna, todos os atos praticados até então são considerados válidos, sem impedimento ou nulidade.
A presidência do STF informou que recebeu de Toffoli um pedido formal de redistribuição do caso. Em manifestação conjunta, os ministros afirmaram que o pleito foi atendido após consulta a todos os integrantes da Corte.
A pedido do ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à presidência do tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob sua relatoria para que a presidência promova a livre redistribuição.
Ministros do Supremo Tribunal Federal, em nota conjunta
Viagem, decisões e recuos no caso Master
A condução de Toffoli no inquérito vinha sendo questionada desde revelação do colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, de que o ministro viajou no mesmo voo privado que o advogado do ex-diretor do Master Luiz Antônio Bull. Eles seguiram juntos para Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores, o que alimentou suspeitas na opinião pública.
Quinze dias após assumir a relatoria, Toffoli autorizou novos depoimentos da Polícia Federal, mas restringiu as oitivas às salas de audiência do STF, sob a condição de que fossem gravadas e acompanhadas por juízes auxiliares de seu gabinete. Em outra frente, determinou que documentos e informações enviados pela 10ª Vara Federal da Justiça do Distrito Federal ficassem sob custódia do STF, alegando a necessidade de afastar nulidades e garantir resultados efetivos, com observância estrita ao devido processo legal.
As críticas levaram o ministro a rever parte dessas decisões. Ele chegou a determinar uma acareação entre o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e Vorcaro, mas recuou e retirou Aquino, que não é investigado.
Toffoli também voltou atrás após insistir que todo o material apreendido pela PF na segunda fase da operação, em janeiro, permanecesse sob custódia do STF. A guarda foi transferida à Procuradoria-Geral da República (PGR) e, posteriormente, quatro peritos criminais da PF foram autorizados a analisar o acervo probatório.
Sociedade em resort e vínculos contestados
Nesta quinta-feira, já sob forte pressão, Toffoli admitiu ser sócio dos irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR). Os irmãos foram sócios da Arleen Investimentos entre setembro de 2021 e fevereiro de 2025. Segundo revelou o jornal “O Estado de S. Paulo”, o sócio oculto da empresa é Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
O ministro, porém, negou conhecer Zettel e rejeitou qualquer relação de amizade — e muito menos amizade íntima com Vorcaro. Em manifestação nesta quinta-feira, afirmou ainda que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado.
Toffoli sustentou que a sociedade com os irmãos está regularmente registrada na Junta Comercial e que as informações são declaradas anualmente à Receita Federal. Segundo ele, todos os atos e dados da empresa Maridt e de seus sócios constam sem restrições nos registros fiscais.