Câncer infantil: médico alerta para sinais e reforça importância de doação de sangue no Vale do Aço
No Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil, Hospital Márcio Cunha destaca diagnóstico rápido e necessidade de transfusões durante o tratamento, especialmente em casos de leucemia.
13/02/2026 às 14:53por Redação Plox
13/02/2026 às 14:53
— por Redação Plox
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O Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil, lembrado em 15 de fevereiro, reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre uma doença que ainda é a principal causa de morte por enfermidade entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam o surgimento de cerca de 8 mil novos casos por ano no país, cenário que evidencia a importância do diagnóstico precoce, do tratamento especializado e, sobretudo, do apoio da sociedade por meio da doação de sangue, fundamental para a sobrevivência de muitos pacientes.
Foto: Divulgação
No Hospital Márcio Cunha, referência em atendimento oncológico na região do Vale do Aço, o hematologista pediátrico Dr. Vinícius Magalhães acompanha diariamente histórias em que o gesto solidário dos doadores se torna decisivo para o tratamento. Segundo o especialista, os tipos mais comuns de câncer infantil são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas, doenças que muitas vezes apresentam sinais iniciais silenciosos e podem ser confundidas com problemas comuns da infância.
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O médico destaca que alguns sintomas merecem atenção redobrada de pais e responsáveis, como manchas roxas pelo corpo sem causa aparente, perda de peso, febre persistente, dor óssea, dor de cabeça intensa que chega a acordar a criança durante a noite e não melhora com medicação, crises convulsivas, aumento do volume abdominal, crescimento progressivo de ínguas e alterações visuais, como estrabismo. A investigação rápida desses sinais, explica, aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.
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Após o diagnóstico, muitas crianças passam a depender de transfusões sanguíneas. Nos casos de leucemia, doença que se inicia na medula óssea, responsável pela produção do sangue, a necessidade de transfusões costuma ser ainda maior no início do tratamento, período em que o organismo não consegue produzir células sanguíneas em quantidade adequada. Além de a própria doença comprometer essa produção, a quimioterapia, essencial para a cura, também afeta temporariamente essa função, tornando a transfusão indispensável para evitar quadros graves de anemia e permitir a continuidade do tratamento.
O especialista reforça que a doação de sangue é vital não apenas para pacientes oncológicos, mas também para pessoas submetidas a cirurgias, vítimas de acidentes e pacientes com infecções graves. Ele lembra que o sangue possui prazo de validade, o que torna a doação regular indispensável para manter os estoques abastecidos e garantir atendimento a todos que necessitam.
A história de Marina e o impacto da solidariedade
A importância da doação de sangue faz parte da rotina de famílias que enfrentam o câncer infantil. Maissa Carvalho, mãe de Marina, de 4 anos, paciente da Oncologia Pediátrica do Hospital Márcio Cunha, relembra os momentos de incerteza desde o diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda tipo B, no fim de dezembro de 2025. Ela conta que, diante da suspeita de uma doença desconhecida e sem histórico familiar, a primeira atitude foi buscar informações, entender melhor o quadro e conhecer relatos de outras famílias. Ao encontrar histórias de quem venceu e segue vencendo a doença, sentiu-se motivada a compartilhar a própria vivência para ajudar e alertar outros pais.
Maissa decidiu tornar pública a trajetória da família como forma de inspiração e conscientização. O modo como vem lidando com o acompanhamento da filha chegou a um grande público: um vídeo sobre a rotina viralizou nas redes sociais, alcançando mais de 2 milhões de visualizações. Para ela, o diagnóstico não representa um ponto final, uma vez que a doença tem tratamento, chance de cura e índices elevados de sucesso, o que fortalece a expectativa de superação.
A mãe destaca ainda que a atenção aos sinais apresentados pelas crianças pode ser determinante para o diagnóstico precoce. Ela orienta que pais e responsáveis observem com sensibilidade qualquer mudança, como sintomas diferentes, alteração de comportamento ou prostração, e procurem atendimento médico, solicitando exames quando necessário. A busca por profissionais qualificados, afirma, fez toda a diferença para a família.
Durante o tratamento, Marina precisou de diversas transfusões de sangue, inclusive para a realização de exames importantes, como o mielograma, que avalia a medula óssea e auxilia na confirmação do diagnóstico. Esse procedimento só pôde ser feito quando as plaquetas e a hemoglobina atingiram níveis adequados, o que reforça a relevância das transfusões tanto para viabilizar etapas fundamentais do tratamento quanto para a recuperação da criança.
Maissa também chama atenção para a necessidade da doação contínua. Ela lembra que, embora muitas pessoas associem a doação de sangue apenas a situações de emergência, dentro dos hospitais o sangue é utilizado diariamente. Marina, afirma a mãe, está viva graças às doações de pessoas que a família não conhece, mas que foram decisivas para salvar a vida da menina e de tantos outros pacientes.
Para ela, trata-se de um gesto simples, capaz de transformar realidades. São poucos minutos do dia que podem salvar vidas, especialmente em tratamentos como o da leucemia, que atinge diretamente o sangue. Nesse contexto, a doação se torna fundamental e vai além de um apoio: é o que sustenta a vida da criança ao longo de todo o tratamento.
Doar sangue é ato contínuo de cuidado
Na avaliação de Dr. Vinícius Magalhães, a mobilização em torno do Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil é uma oportunidade para ampliar o conhecimento da população sobre a doença e fortalecer uma rede de solidariedade que sustenta o tratamento de milhares de crianças.
Quem já é doador deve manter a regularidade das doações e que aqueles que ainda não iniciaram podem procurar um hemocentro ou banco de sangue mais próximo. Doar sangue é um gesto simples, seguro e capaz de transformar diagnósticos difíceis em histórias de superação e vida – Dr. Vinícius Magalhães
Como doar no Hospital Márcio Cunha
No Hospital Márcio Cunha, o agendamento para doação de sangue pode ser feito de segunda a sexta-feira, das 7h20 às 11h e das 13h30 às 15h, presencialmente na Unidade I, por telefone, pelo número (31) 3829-9600, ou via WhatsApp, pelos contatos (31) 99686-1060 e (31) 98480-8199. A doação também pode ser realizada de segunda a sábado, sendo aos sábados das 7h às 10h e, durante a semana, das 7h30 às 16h.
Fundação São Francisco Xavier: assistência, saúde e educação
A Fundação São Francisco Xavier é uma entidade filantrópica em atuação desde 1969 e conta com cerca de 6.200 colaboradores. Atualmente, administra duas unidades hospitalares: o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, que realiza cerca de 70% dos atendimentos pelo SUS, e o Hospital Municipal Carlos Chagas, em Itabira (MG), com 100% dos atendimentos pelo SUS.
As unidades hospitalares são reconhecidas pela gestão responsável, pela oferta de atendimentos de excelência e pela adoção de boas práticas de segurança assistencial. Além dos hospitais, a Fundação administra a operadora de planos de saúde Usisaúde, que possui mais de 200 mil vidas em sua carteira, o Centro de Odontologia Integrada, que mantém alguns dos melhores indicadores de saúde bucal já divulgados no Brasil, e o Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita, que reúne mais de 160 mil vidas sob sua gestão.
Na área da educação, o Colégio São Francisco Xavier, unidade precursora localizada em Ipatinga, é referência na região, atendendo cerca de 2 mil alunos, da educação infantil à formação técnica.