Correios vendem só 3 de 12 imóveis em primeiro leilão para reduzir crise financeira

Processo virtual arrecadou cerca de R$ 9,1 milhões no lote, abaixo do potencial de mais de R$ 14,5 milhões pelos valores mínimos; estatal prevê novos certames em fevereiro, março e abril.

13/02/2026 às 19:31 por Redação Plox

No primeiro leilão de imóveis realizado para levantar recursos e tentar reduzir a crise financeira, os Correios conseguiram vender apenas 3 das 12 unidades ofertadas.

A alienação de imóveis faz parte do plano de reestruturação da estatal, apresentado no fim do ano passado. Com a venda de ativos, a empresa projeta arrecadar R$ 1,5 bilhão.

O leilão realizado na quinta-feira (12) foi o primeiro de uma série de lotes que serão ofertados de forma virtual, permitindo a participação de pessoas físicas e empresas interessadas em apresentar lances.

Economistas chegaram a apontar que os valores estipulados estariam acima do razoável, considerando as condições físicas de parte dos imóveis ofertados, alguns deles com sinais de vandalismo e depredação.


Medida faz parte do plano de reestruturação da estatal anunciado no fim do ano passado. Expectativa da própria empresa é fechar 2025 no vermelho em R$ 5,8 bilhões.

Medida faz parte do plano de reestruturação da estatal anunciado no fim do ano passado. Expectativa da própria empresa é fechar 2025 no vermelho em R$ 5,8 bilhões.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Pouca adesão e arrecadação abaixo do potencial

Os lances podiam ser feitos para 12 imóveis distribuídos em sete estados. Caso todos fossem vendidos pelos valores mínimos, a arrecadação superaria R$ 14,5 milhões.

No entanto, os Correios conseguiram vender apenas três unidades, localizadas em Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Caturaí (GO), o que deve gerar um caixa de R$ 9,1 milhões.

O imóvel mais caro era o de Belo Horizonte: um prédio comercial de 3 mil metros quadrados, com lance mínimo de R$ 8,3 milhões.

Em nota, a estatal informou que os imóveis que não receberam propostas nesta etapa serão recolocados à venda em próximos leilões, como parte da estratégia de racionalização e otimização de seu patrimônio.

Calendário de novos leilões

Já estão previstos novos leilões nas próximas semanas, com mais lotes de imóveis sendo ofertados ao mercado.

No dia 26 de fevereiro, estão programados lances para 9 imóveis, cujo valor mínimo somado é de R$ 28,2 milhões.

Outros seis leilões devem ocorrer em março e abril, com prazos finais para lances em 5 de março, 12 de março, 19 de março, 26 de março, 2 de abril e 9 de abril. Após o encerramento de cada período de ofertas, será feita a análise das propostas e a definição dos vencedores.

Escalada do prejuízo na estatal

A venda de imóveis ocorre em meio a uma crise financeira que se aprofunda na estatal. Em 2022, os Correios encerraram o ano com mais de R$ 700 milhões de prejuízo.

O resultado negativo cresceu em 2024 e chegou a R$ 2,5 bilhões. Entre janeiro e setembro do ano passado, o prejuízo acumulado atingiu R$ 6 bilhões.

Reportagem mostrou que a empresa projeta resultado negativo de R$ 5,8 bilhões no consolidado de 2025.

Para 2026, um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI) da estatal estima um rombo ainda maior, que pode alcançar R$ 9,1 bilhões, reforçando a pressão por medidas de ajuste e geração de receita.

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