Dólar sobe a R$ 5,22 e Ibovespa cai 0,94% com aversão ao risco antes do Carnaval
Investidores reduziram exposição por causa do feriado prolongado e da menor liquidez; queda de minério e petróleo e dados fracos do varejo pressionaram o índice
13/02/2026 às 18:10por Redação Plox
13/02/2026 às 18:10
— por Redação Plox
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O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira (13/2) em alta de 0,57% frente ao real, cotado a R$ 5,22. Às 17h, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), operava em queda de 0,94%, aos 185.998,26 pontos.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Segundo analistas, o mercado financeiro entrou em modo de aversão ao risco nos dias que antecedem o Carnaval. Investidores evitam ficar expostos a ativos considerados menos seguros, ou posicionados em dólar, durante o período prolongado de feriado, quando a liquidez é menor e o noticiário externo segue em ritmo normal.
A B3 ficará fechada nos próximos dias e só retoma as negociações a partir das 13h da quarta-feira (18/2), o que reforça o movimento de proteção e ajuste de carteiras antes da parada.
Ajuste de posições derruba o Ibovespa
Para especialistas, o principal vetor de pressão sobre o índice brasileiro é o movimento defensivo de curto prazo. O ajuste de posições antes do Carnaval reduz o apetite por risco e leva investidores a encurtar a exposição em Bolsa, num contexto em que muitos preferem realizar lucros após a sequência recente de altas.
Entre os fatores domésticos, a divulgação de dados mais fracos do comércio varejista no início do ano adicionou cautela, por reforçar sinais de desaceleração da atividade econômica. Esse cenário afeta especialmente ações ligadas ao ciclo doméstico, que tendem a reagir de forma mais sensível às perspectivas de crescimento.
Minério, petróleo e o peso das commodities
O desempenho das commodities também pesou contra o Ibovespa. A queda da cotação global do minério de ferro e a fraqueza do petróleo pressionaram papéis de empresas de grande peso na composição do índice.
As ações da Vale e da Petrobras recuaram na sessão, refletindo esse ambiente externo menos favorável para matérias-primas e reduzindo ainda mais o fôlego do mercado acionário brasileiro.
Raízen dispara com notícia corporativa
Na ponta positiva, as maiores altas do pregão foram impulsionadas por eventos corporativos específicos, que melhoraram a percepção de risco no curto prazo para algumas empresas.
A Raízen, que chegou a operar em terreno negativo, inverteu o sinal e passou a liderar os ganhos, com salto superior a 7%. O movimento ocorreu após a notícia de que a Cosan apresentou à Shell uma proposta para enfrentar o elevado nível de endividamento da companhia, o que ajudou a aliviar temores recentes em torno do balanço e do risco de recuperação judicial.
Ouro avança com busca por proteção
Em um ambiente de maior cautela, o mercado reforçou posições em ativos considerados de proteção. O ouro se valorizou em linha com o clima global de aversão ao risco, com os contratos futuros para abril avançando 1,98%, a US$ 5.046,3 por onça-troy.
Inflação nos EUA e impacto nas expectativas
Os investidores também acompanharam a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos, referência para a leitura de inflação na maior economia do mundo.
O indicador subiu 0,2% em janeiro, na comparação com dezembro, ligeiramente abaixo do consenso do mercado, que projetava alta de 0,3%. Na base anual, o CPI avançou 2,4%.
O núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentos, veio em linha com as previsões, ao subir 0,3% na comparação mensal e 2,5% na anual. Esses dados entram no radar dos agentes financeiros por influenciarem as expectativas em relação à trajetória da política monetária norte-americana.