FGV Ibre: satisfação com emprego atinge 78,1% e renova recorde desde junho de 2025

Pesquisa da Sondagem de Mercado de Trabalho mostra menor nível de insatisfação da série; remuneração é o principal motivo entre os descontentes

13/02/2026 às 11:54 por Redação Plox

A maioria dos trabalhadores no país declara estar contente com o emprego atual. De acordo com a oitava edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho, da Sondagem de Mercado de Trabalho (SMT) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), 78,1% dos entrevistados se dizem “satisfeitos” ou “muito satisfeitos” com o trabalho que exercem hoje. É o maior índice já registrado desde que esse quesito passou a ser medido, em junho de 2025.

No outro extremo, o grupo que se declara “insatisfeito” ou “muito insatisfeito” permanece em 6,1%, o menor percentual da série histórica. Entre aqueles que manifestaram algum grau de insatisfação, a remuneração aparece como principal motivo.


Maioria das pessoas está 'satisfeita' ou 'muito satisfeita' com trabalho atual, aponta pesquisa

Maioria das pessoas está 'satisfeita' ou 'muito satisfeita' com trabalho atual, aponta pesquisa

Foto: Freepik

Remuneração baixa segue como principal foco de insatisfação

A baixa remuneração tem sido, de forma consistente, o fator mais citado pelos trabalhadores descontentes. Na média encerrada em janeiro, esse motivo está presente em 60,5% das respostas de quem se declarou insatisfeito. Nesse quesito, os respondentes podiam marcar mais de uma opção, o que explica a soma acima de 100%.

Outros dois pontos se destacam como razões relevantes para a insatisfação: saúde mental, mencionada por 24,8% dos insatisfeitos, e carga horária elevada, citada por 21,9%.

Mercado de trabalho aquecido e renda em alta influenciam percepção

Para o FGV Ibre, a melhora recente do mercado de trabalho ajuda a explicar o avanço dos indicadores de satisfação. O instituto destaca que a taxa de desocupação está em mínima, com ganhos concentrados no emprego formal, além da evolução da renda.

A evolução favorável do mercado de trabalho nos últimos anos parece refletir nos dados sobre satisfação do trabalho, que seguem avançando. A mínima da taxa de desocupação, com melhora concentrada no trabalho formal, e a evolução da renda são fatores que tendem a influenciar a percepção dos trabalhadores sobre sua ocupação”, afirmou Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre. Rodolpho Tobler

Segundo o economista, os primeiros dados de 2026 devem seguir apontando um quadro de mercado aquecido, mas com tendência de desaceleração ao longo do ano, em linha com um ritmo mais fraco da atividade econômica. Nesse cenário, a avaliação é de que a satisfação com o trabalho também deve perder fôlego em relação ao observado em 2025.

Indicadores mensais de qualidade do emprego

Desde julho de 2025, o FGV Ibre publica mensalmente indicadores específicos sobre a qualidade do emprego no Brasil. Os dados vêm da Sondagem de Mercado de Trabalho (SMT), pesquisa mensal realizada com a população em idade para trabalhar em todo o território nacional.

Os novos indicadores foram concebidos para complementar as estatísticas já existentes sobre mercado de trabalho, incorporando informações exclusivas baseadas principalmente na percepção do trabalhador brasileiro sobre as condições de trabalho no momento.

Os entrevistados respondem a perguntas distribuídas em seis temas:

  • satisfação com o trabalho;
  • chance de perder o emprego e/ou fonte de renda;
  • proteção social;
  • renda suficiente;
  • percepção geral sobre o mercado de trabalho;
  • expectativa para os próximos 6 meses do mercado de trabalho em geral.

Série ainda recente limita análises históricas

Como a coleta de informações começou apenas em 2025, o FGV Ibre ressalta que ainda não é possível realizar comparações históricas mais amplas ou avaliar plenamente o nível dos indicadores. Por isso, os primeiros relatórios priorizam a explicação dos temas selecionados e o detalhamento de cada quesito que compõe o conjunto de indicadores de qualidade do trabalho.

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