Pesquisa aponta apoio ao fim da escala 6x1, mas sem corte salarial
Levantamento da Nexus mostra que 73% apoiam a mudança desde que a remuneração seja mantida; tema tramita no Congresso por meio da PEC 148/2015
13/02/2026 às 08:53por Redação Plox
13/02/2026 às 08:53
— por Redação Plox
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Cerca de 84% dos brasileiros defendem que os trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso por semana, aponta levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados realizado em todas as 27 unidades da Federação entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro. A pesquisa mostra ainda que 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução salarial. No total, foram ouvidos 2.021 brasileiros com 16 anos ou mais.
De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, 62% dos consultados sabem que está em discussão, no governo federal e no Congresso Nacional, uma proposta para acabar com a escala 6x1. Uma parcela de 35% dos entrevistados declarou nunca ter ouvido falar do tema. Entre os que já tinham algum contato com o assunto, 12% disseram conhecer bem a proposta e 50% afirmaram conhecer “mais ou menos”.
Apoiadores ressaltam que a medida deve ser sem redução de salário.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Apoio ao fim da escala 6x1 depende de manter salários
De forma geral, 63% dos ouvidos se declararam a favor do fim da escala 6x1. Quando são informados sobre a possibilidade de redução de salário, 30% mantêm o apoio, mas condicionam a concordância à preservação da remuneração dos trabalhadores.
O mesmo recorte foi aplicado ao grupo de 22% que se disse contrário ao fim da jornada 6x1. Desse universo, 11% afirmaram que permaneceriam contra a mudança em qualquer cenário, enquanto 10% admitiram que poderiam apoiar o fim da escala caso não houvesse impacto no salário.
Se a mudança implicar diminuição da remuneração, o apoio ao fim da escala cai para 28% do total de entrevistados, transformando-se em posição minoritária. Outros 40% só concordam com o fim da escala 6x1 se a alteração não resultar em corte salarial. Há ainda 5% que se dizem favoráveis à mudança, mas não têm opinião definida sobre a exigência de manter ou não o valor recebido.
Para Marcelo Tokarski, a principal disputa no Congresso deverá girar em torno da redução da jornada e de seus efeitos sobre o salário. Na avaliação dele, os dados indicam de forma clara que há um desejo disseminado por mais tempo de descanso, mas forte resistência a perder renda.
Renda baixa limita aceitação de mais folgas
Segundo Tokarski, o cenário brasileiro de renda média baixa e de trabalho mais precarizado ajuda a explicar por que poucos aceitam trabalhar um dia a menos se isso significar ganhar menos.
A pesquisa aponta que 84% dos entrevistados acreditam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias por semana. O dirigente da Nexus interpreta esse resultado como expressão de desejo por mais tempo livre, freado, porém, pela preocupação com o orçamento doméstico e o pagamento de contas.
Avaliação por eleitorado de Lula e Bolsonaro
O projeto de extinguir a jornada 6x1 encontra maior respaldo entre quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022. Entre esses eleitores, 71% apoiam o projeto de lei que propõe o fim da escala 6x1, 15% se dizem contrários e 15% não têm opinião formada.
Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 53% são favoráveis ao fim das 44 horas semanais de trabalho, 32% se posicionam contra e 15% não opinam. Os dados indicam que, embora o apoio seja mais elevado entre eleitores de Lula, a proposta encontra maioria favorável também entre os que votaram em Bolsonaro.
Tramitação da PEC e mudanças previstas
A PEC 148/2015 foi aprovada em 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa ser votada em dois turnos no plenário da Casa e, depois, em dois turnos na Câmara dos Deputados. Para ser promulgada, precisa do apoio de pelo menos 49 senadores e 308 deputados.
Se aprovada, a mudança será gradual. No primeiro ano, permanecem as regras atuais. No ano seguinte, o número de descansos semanais obrigatórios sobe de um para dois. Hoje, a jornada máxima é de 44 horas semanais, mas poderá cair para 40 horas a partir de 2027. A partir de 2031, o teto definitivo passa a ser de 36 horas por semana.
Antes, o texto previa que os empregadores ficariam impedidos de reduzir a remuneração dos trabalhadores para compensar o aumento do tempo de descanso. Esse ponto, porém, ainda será decidido pelo Congresso Nacional, o que torna a discussão sobre salários um dos eixos centrais da tramitação.
Conhecimento sobre a proposta no Congresso
Questionados se acreditam que a proposta será aprovada, 52% dos entrevistados responderam que sim, enquanto 35% acham que não e 13% preferiram não opinar. Apenas 12% afirmaram entender bem o conteúdo da PEC, o que indica que o debate legislativo avança em ritmo mais acelerado do que o conhecimento detalhado da medida pela população.