Governo projeta déficit de R$ 1,074 bilhão nas estatais em 2026 com exclusões previstas na LDO

Cumprimento da meta depende de retirar do cálculo até R$ 10 bilhões em gastos de estatais com plano de reequilíbrio; sem a medida, rombo chegaria a R$ 11,074 bilhões

13/02/2026 às 14:06 por Redação Plox

O governo federal projeta que as empresas estatais federais encerrem 2026 com déficit primário de R$ 1,074 bilhão. A estimativa, divulgada no primeiro decreto de programação orçamentária e financeira do ano, indica o cumprimento da meta estabelecida para o setor, que admite um resultado negativo de até R$ 6,752 bilhões.

Agência dos Correios

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Foto: Agência Brasil/Elza Fiuza


Exclusão de despesas e impacto dos Correios

O cumprimento da meta só será possível porque foram retiradas do cálculo despesas de até R$ 10 bilhões de empresas estatais que tenham plano de reequilíbrio econômico-financeiro. Essa cláusula foi incorporada à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) por iniciativa do próprio governo, em meio à crise que atinge os Correios.

No ano anterior, a estatal postal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia da União, junto a um consórcio de bancos. Até o fim de 2025, foram quitados R$ 10 bilhões. De acordo com as estimativas do decreto, os Correios devem registrar em 2026 um déficit primário de R$ 8,261 bilhões. No ano passado, até setembro, a empresa já acumulava prejuízo superior a R$ 6 bilhões.

Sem a exclusão dos R$ 10 bilhões em despesas vinculadas ao plano de recuperação dos Correios, o déficit primário total das estatais federais chegaria a R$ 11,074 bilhões, segundo projeções oficiais. Nessa situação, tudo o mais constante, o Executivo teria de compensar o rombo via Orçamento fiscal, reduzindo o espaço para outras despesas públicas.

Gastos fora da meta das estatais

Além dos gastos ligados à recuperação dos Correios, também ficam fora da meta das estatais federais as despesas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é de que esses desembolsos somem R$ 4,234 bilhões ao longo de 2026.

Considerando todas as despesas desconsideradas no cálculo da meta, a expectativa do governo é que o resultado primário consolidado das estatais seja positivo em R$ 5,973 bilhões entre janeiro e abril. Para o período de janeiro a agosto, a projeção é de superávit de R$ 8,139 bilhões.

Estatais com maiores déficits previstos

O decreto aponta que a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) deve registrar o resultado mais negativo entre as estatais em 2026, com déficit primário estimado em R$ 17,797 bilhões. Em seguida aparece a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras), com déficit projetado de R$ 8,591 bilhões, além dos próprios Correios.

Também integram a lista de resultados negativos a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), com déficit primário previsto de R$ 4,360 bilhões; o Serpro, com rombo estimado em R$ 3,564 bilhões; a Autoridade Portuária de Santos, com déficit projetado de R$ 2,421 bilhões; e a Companhia de Docas do Pará, que deve registrar resultado negativo de R$ 2,106 bilhões.

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