Pesquisa aponta apoio ao fim da escala 6x1 e a dois dias de descanso semanal
Levantamento da Nexus indica que 73% defendem o fim da jornada 6x1 sem redução salarial, enquanto 84% apoiam ao menos dois dias de folga por semana
13/02/2026 às 09:11por Redação Plox
13/02/2026 às 09:11
— por Redação Plox
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Cerca de 84% dos brasileiros defendem que os trabalhadores tenham, pelo menos, dois dias de descanso por semana, aponta levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, realizado nas 27 unidades da Federação entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro. Ao todo, foram ouvidos 2.021 entrevistados com 16 anos ou mais.
Pesquisa diz que 73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6x1
Foto: Agência Brasil
De acordo com a pesquisa, 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução de salário. De maneira geral, 63% disseram ser favoráveis ao fim desse tipo de jornada.
Conhecimento sobre o debate no Congresso
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou que 62% dos consultados sabem que está em discussão, no governo federal e no Congresso Nacional, uma proposta para acabar com a escala 6x1. Desse grupo, 12% dizem conhecer bem o tema e 50% afirmam conhecer “mais ou menos”. Outros 35% nunca tinham ouvido falar do assunto.
Questionados se continuariam apoiando o fim da escala caso houvesse redução salarial, apenas 30% mantiveram a posição favorável. Por outro lado, entre os 22% que se declararam contrários ao fim da jornada 6x1, 11% disseram que continuariam contra em qualquer cenário, enquanto 10% afirmaram que aceitariam a mudança se não houvesse impacto no bolso.
Quando a mudança implica corte de remuneração, o apoio ao fim da escala cai para 28%, tornando-se posição minoritária. Outros 40% só apoiam a mudança se a medida for adotada sem mexer nos salários. Há ainda 5% que se dizem favoráveis ao fim da jornada, mas não têm opinião formada sobre a condição de manter ou reduzir a remuneração.
Folga extra e renda dos trabalhadores
Para Marcelo Tokarski, a principal controvérsia no Congresso deve girar em torno da redução da jornada com ou sem diminuição dos salários. Segundo ele, os dados indicam que a maior parte da população considera necessário ampliar o descanso semanal.
Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só.
Marcelo Tokarski
Tokarski avalia que, em um país de renda média baixa e mercado de trabalho mais precarizado, poucos aceitam abrir mão de parte do salário em troca de uma folga a mais. A pesquisa mostra que 84% consideram que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias por semana, o que, segundo ele, expressa um desejo generalizado por mais tempo de descanso.
Apoio maior entre eleitores de Lula
O projeto de acabar com a jornada 6x1 tem apoio mais forte entre quem votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022. Entre esses eleitores, 71% são favoráveis ao projeto de lei que propõe o fim da escala, 15% são contra e 15% não opinaram.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 53% apoiam o fim das 44 horas de trabalho semanais, 32% são contrários e 15% não responderam. O tema divide menos do que outras pautas políticas, mas a forma de implementação, especialmente em relação aos salários, é o ponto sensível.
Tramitação da PEC no Congresso
A PEC 148/2015 foi aprovada em 10 de dezembro na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa ser votada duas vezes no plenário da Casa e duas vezes na Câmara dos Deputados, exigindo o apoio de pelo menos 49 senadores e 308 deputados.
Pelo texto, o fim da escala 6x1 será gradual. No primeiro ano, permanecem as regras atuais. No ano seguinte, o número de descansos semanais sobe de um para dois. Hoje, a jornada máxima é de 44 horas semanais, podendo cair para 40 horas a partir de 2027. A partir de 2031, o limite passará a ser de 36 horas semanais.
Inicialmente, estava previsto que os empregadores não poderiam reduzir a remuneração para compensar o aumento do tempo de descanso, mas esse ponto ainda será decidido pelo Congresso. A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados acreditam que a proposta será aprovada, enquanto 35% acham que não. Outros 13% não opinaram, e apenas 12% dizem entender bem o conteúdo da PEC.