Toffoli deixa relatoria de inquérito sobre Banco Master no STF e caso vai para André Mendonça

Decisão foi anunciada após reunião entre ministros; Corte rejeitou suspeição contra Toffoli, validou seus atos e determinou redistribuição por sorteio

13/02/2026 às 10:08 por Redação Plox

O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso que investiga o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi anunciada nesta quinta-feira, após reunião entre os dez ministros da Corte.


Ministro do STF Dias Toffoli.

Ministro do STF Dias Toffoli.

Foto: Reprodução / STF.



STF afasta suspeição e valida decisões de Toffoli

Em nota conjunta, os ministros informaram que não há cabimento para arguição de suspeição contra Toffoli e reconheceram a validade de todos os atos praticados por ele à frente do processo. O documento também registra apoio pessoal ao ministro e ressalta que ele atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.



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Redistribuição da relatoria e novo responsável

A pedido do próprio Toffoli, o caso foi encaminhado à Presidência do STF para livre redistribuição. O presidente da Corte, Edson Fachin, realizou sorteio, e a relatoria passou para o ministro André Mendonça.


Ministro do STF André mendonça.

Ministro do STF André mendonça.

Foto: Reprodução / STF.


Investigações sobre Banco Master e menções a pagamentos

A saída de Toffoli da relatoria ocorre em meio à repercussão das investigações envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal entregou ao presidente do STF relatório com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Segundo a investigação, as mensagens periciadas trazem menções a supostos pagamentos que teriam como destino o ministro.


A apuração inclui a suspeita de que recursos possam ter sido transferidos para empresa da qual Toffoli é sócio. A Polícia Federal investiga se os valores teriam partido de empresa que foi sócia de fundo ligado ao Banco Master em um resort que pertenceu à família do ministro. Atualmente, os familiares não fazem mais parte do quadro societário do empreendimento.

Questionamentos sobre a condução do inquérito

A condução do caso por Toffoli vinha sendo alvo de questionamentos desde o início. Após assumir a relatoria, o ministro viajou para a final da Libertadores, no Peru, no mesmo avião em que estava um dos advogados relacionados à defesa no caso.


Mais recentemente, ele determinou que o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e enviado diretamente ao STF, decisão que gerou reação na corporação. Posteriormente, autorizou o acesso da PF à documentação.


Efeitos da suspeição e manutenção dos atos

Especialistas explicam que, se houvesse declaração formal de suspeição, todos os atos praticados pelo relator poderiam ser anulados, conforme prevê o regimento interno do Supremo. Como Toffoli deixou a relatoria antes de qualquer decisão nesse sentido, todas as medidas por ele adotadas foram mantidas.

Diferenças entre suspeição e impedimento

A suspeição é um instrumento jurídico utilizado para questionar a imparcialidade de um magistrado quando há indícios de vínculo ou interesse que possam comprometer a isenção no julgamento. Ela difere do impedimento, aplicado em situações objetivas, como relações de parentesco entre o juiz e as partes envolvidas.

Pressão política e novos desdobramentos

Antes da saída de Toffoli, a pressão por uma declaração de suspeição havia aumentado, inclusive com manifestações no meio político e pedidos encaminhados à Procuradoria-Geral da República.

O caso segue agora sob a relatoria do ministro André Mendonça, que passa a ser o responsável pela condução das investigações no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

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