Surto de vírus Nipah na Índia acende alerta, mas risco de chegada ao Brasil no Carnaval é considerado baixo

OMS classifica o Nipah como patógeno com potencial epidêmico, com mortalidade que pode chegar a 70%, porém sem transmissão eficiente entre humanos; Ministério da Saúde diz que não há casos confirmados no país

13/02/2026 às 17:31 por Redação Plox

O recente surto do vírus Nipah na Índia reacendeu o alerta nas redes sociais e levantou dúvidas sobre o risco de a doença chegar ao Brasil durante o Carnaval, período marcado por grandes aglomerações. Até o momento, porém, especialistas e autoridades sanitárias afirmam que o risco de transmissão no país é considerado baixo.

Especialistas explicam sintomas, formas de transmissão e por que o Brasil não é considerado área de risco para o vírus Nipah.

Especialistas explicam sintomas, formas de transmissão e por que o Brasil não é considerado área de risco para o vírus Nipah.

Foto: .Divulgação


Classificado pela Organização Mundial da Saúde como um patógeno com potencial epidêmico, o vírus Nipah pode causar infecções respiratórias graves e encefalite, uma inflamação no cérebro. A taxa de mortalidade é alta, podendo chegar a 70%, mas o vírus ainda não apresenta transmissão eficiente entre humanos, o que limita sua capacidade de se espalhar em larga escala.

Pesquisadores apontam que um dos principais fatores que reduzem o risco no Brasil é a ausência de seu principal hospedeiro: os morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como “raposas-voadoras”, comuns em regiões da Ásia e da África. Especialistas da Universidade de São Paulo destacam que a dificuldade de transmissão direta entre pessoas impede que o vírus atinja proporções pandêmicas até agora, avaliação compartilhada pelo Ministério da Saúde, que informa não haver casos confirmados da doença no país.

Como o vírus Nipah é transmitido

O vírus Nipah é um agente zoonótico, ou seja, que pode ser transmitido de animais para humanos. A infecção pode ocorrer pelo contato direto com secreções de morcegos e porcos infectados, pelo consumo de alimentos contaminados ou, em menor escala, pelo contato próximo com pessoas infectadas — situação mais observada em ambientes de assistência à saúde.

Depois que entra no organismo, o vírus pode atingir o sistema respiratório e o sistema nervoso central, causando quadros que vão de leves a extremamente graves.

Sintomas e evolução da doença

Nem todos os pacientes apresentam sinais claros da infecção, mas os sintomas mais frequentes incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, tontura e fadiga. Em muitos casos, surgem ainda dificuldades respiratórias, confusão mental e desorientação.

Em quadros graves, podem ocorrer convulsões e encefalite, com evolução rápida para coma e morte. Sobreviventes podem desenvolver sequelas neurológicas permanentes, o que torna o vírus um motivo de atenção constante para a comunidade médica.

Diagnóstico e formas de tratamento

O diagnóstico do vírus Nipah é feito por meio de exames laboratoriais, como testes de RT-PCR e detecção de anticorpos. Até o momento, não há vacina nem tratamento específico disponível.

O atendimento médico é voltado ao controle dos sintomas e à estabilização do paciente, com suporte intensivo nos casos mais graves.

Histórico de surtos do Nipah

O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, em um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde então, casos têm sido registrados principalmente em Bangladesh e na Índia, com episódios marcados por índices elevados de mortalidade.

Especialistas alertam que a destruição de habitats naturais aproxima cada vez mais animais silvestres dos seres humanos, ampliando o risco de transmissão de doenças zoonóticas como o Nipah.

Apesar das preocupações que circulam nas redes sociais, autoridades de saúde reforçam que, até agora, não há evidências de disseminação internacional significativa do vírus nem indicação de risco imediato para a população brasileira.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a