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A Polícia Civil de Minas Gerais demitiu a delegada Monah Zein após a conclusão de um processo administrativo disciplinar (PAD) que apurou transgressões a normas internas da corporação. A resolução com a penalidade foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira, 13 de março de 2026.
A decisão administrativa ocorre em meio à repercussão do episódio registrado em novembro de 2023, quando a delegada se trancou por mais de 30 horas em um apartamento no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, em Belo Horizonte, e efetuou disparos de arma de fogo durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. As imagens da live, somadas à longa negociação com as equipes de segurança, projetaram o caso nacionalmente.
Monah Zein fez uma série de denúncias de abusos que estaria sofrendo dentro da Polícia Civil
Foto: (Reprodução/Redes sociais)
O caso teve início em 21 de novembro de 2023, quando equipes da Polícia Civil foram ao prédio onde Monah Zein estava, após publicações e mensagens que indicariam risco à própria integridade. A delegada permaneceu no imóvel por cerca de 30 horas, enquanto eram feitas tentativas de negociação para que ela deixasse o local.
Durante a ocorrência, houve disparos de arma de fogo, que passaram a ser acompanhados ao vivo por parte do público pelas redes sociais. A situação, registrada em tempo real e compartilhada em grande escala, alimentou o debate sobre protocolos de atendimento em crises envolvendo integrantes armados das forças de segurança.
Paralelamente à repercussão do caso, foi instaurado o processo administrativo disciplinar para apurar se houve violação às normas internas da Polícia Civil. A Corregedoria-Geral da instituição conduziu a análise com base na Lei Estadual nº 5.406/1969, que disciplina o regime disciplinar dos servidores da segurança pública mineira.
Ao final da apuração, a corregedoria concluiu pela aplicação da penalidade de demissão, fundada em transgressões tipificadas na legislação estadual. Com isso, a corporação impõe a sanção administrativa mais grave prevista no estatuto disciplinar, com reflexos diretos sobre o vínculo funcional da delegada com o Estado.
No plano criminal, Monah Zein foi investigada e denunciada por supostas tentativas de homicídio contra policiais civis que participaram da ocorrência, além de outros delitos relacionados à resistência à atuação das equipes. Posteriormente, decisões da Justiça de Minas Gerais afastaram, em parte das acusações, a tese de que ela teria agido com intenção de matar, resultando em reclassificações jurídicas e no envio de pontos do caso para análise pelo juízo comum.
A demissão foi formalizada por ato expedido no âmbito da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, com base na Lei Estadual nº 5.406/1969. Publicações e atos administrativos anteriores já indicavam que a apuração interna tratava de transgressão disciplinar passível de demissão, o que se confirmou com a conclusão do PAD.
Informações detalhadas sobre o número da resolução, a íntegra da fundamentação jurídica e a data exata da assinatura dependem do acesso ao documento oficial completo na edição do Diário Oficial do Estado de 13 de março de 2026. Até o momento, esses dados constam apenas de forma resumida em registros de caráter público.
Na prática, a demissão encerra a via administrativa disciplinar com a aplicação da penalidade máxima prevista para servidores da Polícia Civil, o que pode impactar diretamente remuneração, vínculo com o Estado e eventuais reflexos previdenciários, a depender das regras específicas aplicáveis ao caso concreto.
No campo judicial, a medida administrativa não substitui nem anula o curso das ações penais relacionadas ao episódio. Os processos criminais seguem tramitando de acordo com as decisões já proferidas e com as etapas ainda pendentes de julgamento, inclusive quanto a eventuais crimes remanescentes vinculados à resistência à execução de ato legal.
Para a população e para especialistas em segurança pública, o caso se tornou um marco no debate sobre como instituições policiais lidam com crises emocionais e comportamentais envolvendo servidores armados, além de expor os mecanismos de controle interno e de responsabilização administrativa dentro da Polícia Civil.
Entre os próximos passos, estão o acompanhamento da tramitação dos processos judiciais relacionados ao episódio, a análise da íntegra do ato de demissão publicado no Diário Oficial e a eventual manifestação oficial da Polícia Civil e da defesa de Monah Zein, inclusive sobre hipótese de recursos administrativos ou judiciais.
Também permanece em foco a forma como o caso será considerado em debates futuros sobre protocolos de crise, saúde mental de agentes de segurança e limites de atuação disciplinar em situações que envolvem transmissão ao vivo de ocorrências sensíveis pelas redes sociais.