Polícia Civil de MG demite delegada Monah Zein após processo disciplinar

Decisão foi publicada no Diário Oficial em 13 de março de 2026 e ocorre após apuração da Corregedoria sobre transgressões a normas internas; caso ganhou repercussão após disparos durante live em BH, em 2023

13/03/2026 às 14:28 por Redação Plox

A Polícia Civil de Minas Gerais demitiu a delegada Monah Zein após a conclusão de um processo administrativo disciplinar (PAD) que apurou transgressões a normas internas da corporação. A resolução com a penalidade foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira, 13 de março de 2026.

A decisão administrativa ocorre em meio à repercussão do episódio registrado em novembro de 2023, quando a delegada se trancou por mais de 30 horas em um apartamento no bairro Ouro Preto, região da Pampulha, em Belo Horizonte, e efetuou disparos de arma de fogo durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. As imagens da live, somadas à longa negociação com as equipes de segurança, projetaram o caso nacionalmente.


Monah Zein fez uma série de denúncias de abusos que estaria sofrendo dentro da Polícia Civil

Monah Zein fez uma série de denúncias de abusos que estaria sofrendo dentro da Polícia Civil

Foto: (Reprodução/Redes sociais)


Atendimento de crise e tiros durante live

O caso teve início em 21 de novembro de 2023, quando equipes da Polícia Civil foram ao prédio onde Monah Zein estava, após publicações e mensagens que indicariam risco à própria integridade. A delegada permaneceu no imóvel por cerca de 30 horas, enquanto eram feitas tentativas de negociação para que ela deixasse o local.

Durante a ocorrência, houve disparos de arma de fogo, que passaram a ser acompanhados ao vivo por parte do público pelas redes sociais. A situação, registrada em tempo real e compartilhada em grande escala, alimentou o debate sobre protocolos de atendimento em crises envolvendo integrantes armados das forças de segurança.

Do episódio ao PAD e à demissão

Paralelamente à repercussão do caso, foi instaurado o processo administrativo disciplinar para apurar se houve violação às normas internas da Polícia Civil. A Corregedoria-Geral da instituição conduziu a análise com base na Lei Estadual nº 5.406/1969, que disciplina o regime disciplinar dos servidores da segurança pública mineira.

Ao final da apuração, a corregedoria concluiu pela aplicação da penalidade de demissão, fundada em transgressões tipificadas na legislação estadual. Com isso, a corporação impõe a sanção administrativa mais grave prevista no estatuto disciplinar, com reflexos diretos sobre o vínculo funcional da delegada com o Estado.

No plano criminal, Monah Zein foi investigada e denunciada por supostas tentativas de homicídio contra policiais civis que participaram da ocorrência, além de outros delitos relacionados à resistência à atuação das equipes. Posteriormente, decisões da Justiça de Minas Gerais afastaram, em parte das acusações, a tese de que ela teria agido com intenção de matar, resultando em reclassificações jurídicas e no envio de pontos do caso para análise pelo juízo comum.

O que se sabe sobre o ato publicado

A demissão foi formalizada por ato expedido no âmbito da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, com base na Lei Estadual nº 5.406/1969. Publicações e atos administrativos anteriores já indicavam que a apuração interna tratava de transgressão disciplinar passível de demissão, o que se confirmou com a conclusão do PAD.

Informações detalhadas sobre o número da resolução, a íntegra da fundamentação jurídica e a data exata da assinatura dependem do acesso ao documento oficial completo na edição do Diário Oficial do Estado de 13 de março de 2026. Até o momento, esses dados constam apenas de forma resumida em registros de caráter público.

Efeitos da decisão para a delegada e para o caso

Na prática, a demissão encerra a via administrativa disciplinar com a aplicação da penalidade máxima prevista para servidores da Polícia Civil, o que pode impactar diretamente remuneração, vínculo com o Estado e eventuais reflexos previdenciários, a depender das regras específicas aplicáveis ao caso concreto.

No campo judicial, a medida administrativa não substitui nem anula o curso das ações penais relacionadas ao episódio. Os processos criminais seguem tramitando de acordo com as decisões já proferidas e com as etapas ainda pendentes de julgamento, inclusive quanto a eventuais crimes remanescentes vinculados à resistência à execução de ato legal.

Para a população e para especialistas em segurança pública, o caso se tornou um marco no debate sobre como instituições policiais lidam com crises emocionais e comportamentais envolvendo servidores armados, além de expor os mecanismos de controle interno e de responsabilização administrativa dentro da Polícia Civil.

Desdobramentos e pontos em aberto

Entre os próximos passos, estão o acompanhamento da tramitação dos processos judiciais relacionados ao episódio, a análise da íntegra do ato de demissão publicado no Diário Oficial e a eventual manifestação oficial da Polícia Civil e da defesa de Monah Zein, inclusive sobre hipótese de recursos administrativos ou judiciais.

Também permanece em foco a forma como o caso será considerado em debates futuros sobre protocolos de crise, saúde mental de agentes de segurança e limites de atuação disciplinar em situações que envolvem transmissão ao vivo de ocorrências sensíveis pelas redes sociais.

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