STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
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O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana deve prestar depoimento na tarde desta sexta-feira (13), no 8º Distrito Policial (Brás), em São Paulo. Segundo a defesa da família, ele irá afirmar que a soldado “nunca teve a intenção de se matar” no período em que os dois foram casados. Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o atual marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita, com apuração também da possibilidade de feminicídio.
Peritos e investigadores se reúnem nesta quarta (11) para tratar do caso da PM morta com um tiro na cabeça
Foto: Reprodução
De acordo com a defesa, o depoimento do ex-marido será usado para reforçar a versão de que Gisele não apresentava sinais de ideação suicida enquanto conviveu com ele. A fala deverá ser incorporada ao inquérito pela Polícia Civil, que conduz a apuração no 8º DP.
A linha de investigação, contudo, depende da análise do conjunto de provas. O que o ex-companheiro relatar em delegacia poderá orientar pedidos de novas diligências, mas não tem, isoladamente, caráter conclusivo sobre a causa da morte.
Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro de 2026, no bairro do Brás, região central de São Paulo. O boletim de ocorrência foi inicialmente classificado como “suicídio consumado”. Em seguida, a Polícia Civil acrescentou a natureza “morte suspeita” para ampliar a investigação sobre as circunstâncias do caso.
Com o avanço da apuração, laudos periciais e relatos passaram a contrariar pontos da versão inicial. Ganharam destaque as lesões identificadas no rosto e no pescoço da policial, a análise da trajetória do disparo e dúvidas sobre a preservação da cena do crime e a cronologia dos fatos dentro do apartamento.
Em informação já divulgada pela imprensa, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou que o registro começou como suicídio no 8º DP e, depois, passou a incluir a classificação de morte suspeita, justamente para permitir a apuração detalhada do contexto em que a policial foi morta.
A Justiça autorizou a exumação do corpo de Gisele para a realização de novos exames periciais, medida considerada relevante para tentar esclarecer se a morte decorreu de suicídio ou de homicídio. Esses laudos complementares integram o esforço para reconstruir a dinâmica do disparo e possíveis agressões anteriores.
Segundo reportagens sobre o caso, exames periciais apontaram lesões na região cervical e facial e indicaram que a trajetória do tiro teria sido de baixo para cima. Esses elementos ampliam a suspeita de violência anterior ao disparo e pressionam por uma definição mais rápida da linha de investigação.
Também foram levantadas dúvidas sobre a preservação do local da morte e o passo a passo da noite em que Gisele foi encontrada. A discussão gira em torno da posição do corpo, da arma usada e do modo como o apartamento foi acessado e registrado pelas equipes que atenderam a ocorrência.
Por envolver dois integrantes da Polícia Militar — a vítima e o atual marido —, o caso tem repercussão não apenas criminal, mas também administrativa. A depender do que for consolidado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, podem ser instaurados ou aprofundados procedimentos internos na corporação para avaliar eventual responsabilidade disciplinar.
Paralelamente ao inquérito da Polícia Civil, a PM acompanha o caso e pode adotar medidas próprias, a critério do comando, conforme o resultado das investigações e o teor dos laudos periciais.
Entre as etapas consideradas centrais para o andamento do caso estão:
No centro de todas essas frentes está a tentativa de responder se a morte de Gisele foi um suicídio, como registrado no início, ou se houve crime de feminicídio — hipótese que, hoje, orienta parte das dúvidas da família e das linhas investigativas.