Ex-marido de PM morta com tiro na cabeça presta depoimento; defesa diz que ela nunca demonstrou intenção de se matar

Depoimento ocorre nesta sexta (13) no 8º DP, no Brás, enquanto morte da soldado, encontrada com tiro na cabeça em fevereiro, é apurada como morte suspeita após ter sido registrada como suicídio

13/03/2026 às 13:22 por Redação Plox

O ex-marido da policial militar Gisele Alves Santana deve prestar depoimento na tarde desta sexta-feira (13), no 8º Distrito Policial (Brás), em São Paulo. Segundo a defesa da família, ele irá afirmar que a soldado “nunca teve a intenção de se matar” no período em que os dois foram casados. Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o atual marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita, com apuração também da possibilidade de feminicídio.

Peritos e investigadores se reúnem nesta quarta (11) para tratar do caso da PM morta com um tiro na cabeça

Peritos e investigadores se reúnem nesta quarta (11) para tratar do caso da PM morta com um tiro na cabeça

Foto: Reprodução


Depoimento é aposta da família para afastar hipótese de suicídio

De acordo com a defesa, o depoimento do ex-marido será usado para reforçar a versão de que Gisele não apresentava sinais de ideação suicida enquanto conviveu com ele. A fala deverá ser incorporada ao inquérito pela Polícia Civil, que conduz a apuração no 8º DP.

A linha de investigação, contudo, depende da análise do conjunto de provas. O que o ex-companheiro relatar em delegacia poderá orientar pedidos de novas diligências, mas não tem, isoladamente, caráter conclusivo sobre a causa da morte.

Do registro de suicídio à investigação por morte suspeita

Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro de 2026, no bairro do Brás, região central de São Paulo. O boletim de ocorrência foi inicialmente classificado como “suicídio consumado”. Em seguida, a Polícia Civil acrescentou a natureza “morte suspeita” para ampliar a investigação sobre as circunstâncias do caso.

Com o avanço da apuração, laudos periciais e relatos passaram a contrariar pontos da versão inicial. Ganharam destaque as lesões identificadas no rosto e no pescoço da policial, a análise da trajetória do disparo e dúvidas sobre a preservação da cena do crime e a cronologia dos fatos dentro do apartamento.

O que dizem os órgãos oficiais e a Justiça

Em informação já divulgada pela imprensa, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou que o registro começou como suicídio no 8º DP e, depois, passou a incluir a classificação de morte suspeita, justamente para permitir a apuração detalhada do contexto em que a policial foi morta.

A Justiça autorizou a exumação do corpo de Gisele para a realização de novos exames periciais, medida considerada relevante para tentar esclarecer se a morte decorreu de suicídio ou de homicídio. Esses laudos complementares integram o esforço para reconstruir a dinâmica do disparo e possíveis agressões anteriores.

Laudos e contradições sob análise

Segundo reportagens sobre o caso, exames periciais apontaram lesões na região cervical e facial e indicaram que a trajetória do tiro teria sido de baixo para cima. Esses elementos ampliam a suspeita de violência anterior ao disparo e pressionam por uma definição mais rápida da linha de investigação.

Também foram levantadas dúvidas sobre a preservação do local da morte e o passo a passo da noite em que Gisele foi encontrada. A discussão gira em torno da posição do corpo, da arma usada e do modo como o apartamento foi acessado e registrado pelas equipes que atenderam a ocorrência.

Desdobramentos na esfera policial e militar

Por envolver dois integrantes da Polícia Militar — a vítima e o atual marido —, o caso tem repercussão não apenas criminal, mas também administrativa. A depender do que for consolidado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, podem ser instaurados ou aprofundados procedimentos internos na corporação para avaliar eventual responsabilidade disciplinar.

Paralelamente ao inquérito da Polícia Civil, a PM acompanha o caso e pode adotar medidas próprias, a critério do comando, conforme o resultado das investigações e o teor dos laudos periciais.

Próximos passos da investigação

Entre as etapas consideradas centrais para o andamento do caso estão:

  • 1) Registro e análise do depoimento do ex-marido no 8º DP (Brás), com eventual inclusão de novos elementos, como histórico de relacionamento, mensagens trocadas e declarações de pessoas próximas a Gisele.
  • 2) Conclusão e juntada de laudos complementares ao inquérito, incluindo os exames derivados da exumação. A consolidação do bloco pericial tende a ser decisiva para confirmar ou afastar hipóteses sobre a dinâmica da morte.
  • 3) Definição do rumo do caso pela autoridade policial, que poderá solicitar novas oitivas, diligências e eventuais medidas cautelares, dependendo da robustez dos indícios reunidos sob a classificação de morte suspeita.

No centro de todas essas frentes está a tentativa de responder se a morte de Gisele foi um suicídio, como registrado no início, ou se houve crime de feminicídio — hipótese que, hoje, orienta parte das dúvidas da família e das linhas investigativas.

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