Mãe de Miguel e Benício desabafa um mês após mortes em Itumbiara: 'Até hoje não consigo acreditar'

Em entrevista, Sarah Araújo relatou a dificuldade de seguir em frente após os filhos serem mortos pelo pai, Thales Machado, então secretário municipal; a Polícia Civil apontou premeditação e descartou participação de terceiros.

13/03/2026 às 09:34 por Redação Plox

A mãe de Miguel Araújo Machado, 12 anos, e Benício Araújo Machado, 8 anos, mortos em Itumbiara (GO), desabafou sobre a dor e a dificuldade de seguir em frente cerca de um mês após a tragédia que abalou a cidade e ganhou repercussão nacional. Segundo a investigação, o pai das crianças, Thales Machado, que era secretário municipal, atirou contra os filhos e tirou a própria vida em seguida.


Sarah recebeu um buquê de rosas brancas de um grupo de mulheres como gesto de apoio

Sarah recebeu um buquê de rosas brancas de um grupo de mulheres como gesto de apoio

Foto: Secom/Itumbiara e Instagram de Thales Machado


Mãe relata dor e resistência para seguir sem os filhos

A mãe contou que ainda não consegue acreditar no que aconteceu e que é muito difícil conviver com a ausência dos filhos no dia a dia. A lembrança de fotos, vídeos e momentos com Miguel e Benício se transformou em um luto profundo, que ela descreve como quase impossível de suportar. A morte dos meninos, dentro da própria casa da família em Itumbiara, continua sendo o eixo de sua vida e de sua rotina, agora marcada pela falta.

Ela também falou sobre a dificuldade de retomar qualquer sensação de normalidade depois do crime e de como o impacto da tragédia reorganizou todas as relações familiares. Nesse período, gestos de apoio e solidariedade se tornaram uma parte importante da tentativa de reconstrução emocional.

Um dos símbolos dessa rede de acolhimento foi o buquê de rosas brancas entregue por um grupo que reúne mais de 300 mulheres de diversas partes do país. As flores foram levadas até a casa do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, pai da mãe das crianças, pela coordenadora da Casa da Mulher do município, como forma de apoio público e pessoal em meio ao luto.

Quero agradecer a todas elas. Eu sinto muito o carinho de todas por mim, a solidariedade, sinto as orações, sinto que está me sustentando o apoio de todas elas

mãe de Miguel e Benício, em entrevista

Cronologia do crime e conclusão da investigação

De acordo com relatos publicados por veículos goianos e com a apuração policial divulgada na imprensa, os disparos aconteceram na residência da família em Itumbiara, na noite de 11 de fevereiro de 2026. As crianças chegaram a ser socorridas: Miguel morreu no mesmo dia, enquanto Benício faleceu em 13 de fevereiro de 2026, após permanecer internado.

A Polícia Civil concluiu que o crime foi cometido sem participação de terceiros e apontou indícios de premeditação. Reportagem do jornal O Hoje, em edição em PDF, relata que o delegado responsável, Felipe Sala, apresentou em coletiva a reconstrução da linha do tempo e os principais elementos periciais reunidos no inquérito.


Secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara Thales Machado e os dois filhos

Secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara Thales Machado e os dois filhos

Foto: Reprodução/Instagram de Thales Machado


Repercussão em Itumbiara e manifestações de autoridades

A tragédia causou comoção em Itumbiara e foi acompanhada em todo o país. Autoridades estaduais e municipais se manifestaram publicamente após o caso, destacando o impacto de um episódio de violência dentro do ambiente familiar envolvendo crianças.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, divulgou nota de pesar e comentou a comoção gerada pelo crime. No âmbito municipal, o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, avô dos meninos, falou à imprensa cerca de um mês depois e descreveu a perda como irreparável, em registro publicado pelo Portal 6.

Em uma das homenagens marcantes, foi realizada a Missa de 7º Dia na cidade, com forte presença de familiares, amigos e colegas de escola dos irmãos. Crianças foram à cerimônia usando camisetas com as fotos de Miguel e Benício, e ao final um grupo de mães caminhou pelas ruas em apoio à mãe dos meninos, reforçando o gesto coletivo de solidariedade.

Rede de apoio, ataques e ação da Defensoria

O caso evidenciou efeitos imediatos para a comunidade e para famílias em situação de vulnerabilidade. De um lado, houve mobilização social para oferecer apoio à mãe e aos familiares; de outro, a repercussão também alimentou julgamentos e ataques online, mencionados em reportagens sobre desinformação e boatos que circularam após o crime.

Nesse contexto, a Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação civil pública pedindo indenização e medidas contra emissoras, sob a alegação de revitimização e exposição indevida da mãe das crianças durante a cobertura e a repercussão do caso. A iniciativa reforça o debate sobre limites na divulgação de imagens e detalhes da vida privada em situações de violência intrafamiliar, especialmente quando há crianças envolvidas.

Para famílias que enfrentam ameaças, perseguição ou exposição indevida, a recomendação geral apontada em materiais sobre o tema é registrar ocorrência, preservar provas digitais como prints e links, e buscar apoio jurídico e psicossocial por canais oficiais, como Defensoria Pública, Ministério Público e redes municipais ou estaduais de proteção.


Cerimônia tinha a presença do avô, o prefeito de Itumbiara Dione Araújo e da mãe dos meninos, Sarah Araújo

Cerimônia tinha a presença do avô, o prefeito de Itumbiara Dione Araújo e da mãe dos meninos, Sarah Araújo

Foto: Reprodução/TV Anhanguera


Apesar de a investigação policial já ter apontado a dinâmica do crime e indícios de premeditação, alguns pontos seguem em acompanhamento

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