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    Homem de 36 anos passa 200 dias internado por conta da Covid-19

    Após 101 dias, ele recebeu alta da UTI para um leito clínico

    Por Plox

    13/04/2021 12h02 - Atualizado há mais de 1 ano

    O advogado Guilherme Kovalski Lima comemorou o aniversário de 36 anos no mesmo dia em que completou 200 dias de internação no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR). Diabético e hipertenso, ele foi internado às pressas devido a uma trombose pulmonar, uma das complicações mais comuns provocadas pelo novo coronavírus. Isso foi no dia 27 de julho. No dia 4 de novembro, após 101 dias, recebeu alta da UTI para um leito clínico, com direito à homenagem surpresa de família e amigos na frente do hospital. Chegou a sair da internação por um breve período, mas retornou no dia 8 de dezembro. 

    A alta definitiva aconteceu apenas no dia 21 de fevereiro, pouco antes de a pandemia completar um ano no Brasil. Desses 12 meses, Guilherme conviveu, dentro do hospital, com a doença ou suas complicações por sete meses. “A Covid é uma doença muito traiçoeira. Ela afasta de quem a gente ama, deixa sequelas e marcas difíceis de serem superadas”, conta Guilherme. 

    Foto: divulgação

    O maior tempo de internação dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é uma das características da doença e que contribui para a escassez de leitos. A média de internação na UTI do Hospital Marcelino Champagnat em 2020 foi de quatro dias. Já nos leitos de unidade de terapia intensiva destinados a pacientes com Covid-19, a média é quatro vezes maior, chegando a 17 dias. “Menos de 20% dos pacientes críticos não-Covid ficam internados por longos períodos na UTI. Mas as pessoas infectadas pelo coronavírus e em estado crítico precisam de mais tempo de recuperação. Muitos precisam de traqueostomia, ficam muito mais tempo hospitalizados, necessitando de cuidado contínuo”, explica o médico intensivista e coordenador da UTI, Jarbas da Silva Motta Junior. 

    Pacientes mais jovens e mais críticos

    Em 2021, o perfil das vítimas do coronavírus é diferente do que se notava no início da pandemia. Antes, os quadros mais graves eram em pessoas com mais de 60 anos, agora o que se nota nos hospitais são pessoas mais jovens e em estado mais crítico. Embora ainda não existam dados consolidados, as novas variantes com maior potencial de transmissão têm contribuído para essa realidade. 

    “O que percebemos é que os pacientes que chegam agora são mais jovens e com quadro clínico mais grave, muitas vezes por demorarem mais para procurarem o serviço de saúde. Quando dão entrada no hospital, já precisamos realizar intervenções maiores ”, comenta o intensivista. No início da pandemia, em média 25% dos pacientes internados em leitos clínicos no hospital evoluíam para a UTI. Mas o número vem aumentando e, só no mês de março, 38% dos pacientes internados foram para a unidade de terapia intensiva. 

    Complicações

    Os infectados pela Covid precisam de cuidados de uma equipe multidisciplinar, que além dos médicos, enfermeiros e técnicos, inclui fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos. Os agravamentos mais recorrentes, além dos respiratórios, estão relacionados às inflamações sistêmicas, que prejudicam também os rins e até mesmo a circulação do sangue. 

    Um mês em casa, após a alta hospitalar, o advogado volta aos poucos ao trabalho e retoma a convivência com as filhas, de 1 e 8 anos, de quem ficou afastado por tanto tempo. Mas ainda não consegue andar, devido à fraqueza muscular causada pelo longo tempo acamado, além de uma lesão no ombro, resultante das pronagens (quando o paciente é colocado de bruços para aliviar a pressão no pulmão). Para recuperar os movimentos, força e coordenação muscular, Guilherme realiza de duas a três sessões diárias de fisioterapia, além do acompanhamento com fonoaudióloga. “O processo de reabilitação é longo, cansativo e doloroso. Mas ele está em casa e vivo. Temos muitos motivos para agradecer”, frisa Jaqueline Lima, esposa do advogado.

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