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    Por que as Forças Armadas do Brasil compraram 35 mil comprimidos de Viagra?

    Medicamento tradicionalmente utilizado no tratamento da disfunção erétil também tem indicação para tratar hipertensão arterial pulmonar

    Por Plox

    13/04/2022 22h48 - Atualizado há 3 meses

    Continua a polêmica por causa da aquisição de 35 mil unidades do medicamento comercialmente conhecido como Viagra pelas Forças Armadas. Nesta quarta-feira (13), o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) comentou o caso em um café da manhã na residência oficial, o Palácio do Alvorada em Brasília-DF.

    Imediatamente alguns veículos de comunicação postaram reportagens críticas à atitude das forças armadas. Também não faltaram associações desses fatos com a imagem do presidente e seu governo. O gancho, que alavancou as polêmicas sobre a compra dessa qualidade de Viagra, é que o remédio é amplamente usado por homens para combater a impotência sexual. Mas, segundo o governo, a aquisição visa atender outros tipos de doentes.

    “As Forças Armadas compram Viagra para combater a hipertensão arterial e, também, as doenças reumatológicas. Foram 30 e poucos mil comprimidos para o Exército, 10 mil para a Marinha e eu não peguei da Aeronáutica, mas deve perfazer o valor de 50 mil comprimidos. Com todo o respeito, isso é nada... A quantidade para o efetivo das três Forças, obviamente, muito mais usado pelos inativos e pensionistas”, disse Bolsonaro.

     

    As Forças Armadas tiveram, segundo o Portal da Transparência, desde 2020 oito pregões para comprar 35.320 comprimidos Sildenafila, nome genérico do Viagra, nas dosagens de 25 mg e 50 mg, utilizado normalmente para tratamento de disfunção erétil. Os medicamentos são distribuídos da seguinte forma: 28.320 unidades destinadas à Marinha; 5 mil unidades destinadas ao Exército e 2 mil unidades destinadas à Aeronáutica.

    O caso também  ganhou grande repercussão nesta semana, após o deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) pedir explicações ao Ministério da Defesa sobre a compra dos medicamentos.

    "Precisamos entender por que o governo Bolsonaro está gastando dinheiro público para comprar Viagra, e nessa quantidade tão alta. As unidades de saúde de todo o país enfrentam com frequência falta de medicamentos para atender pacientes com doenças crônicas, como insulina, e as Forças Armadas recebem milhares de comprimidos de Viagra. A sociedade merece uma explicação", afirmou o deputado Elias Vaz (PSB-GO).

    Foto: Reprodução

     

    As Forças Armadas (FAB) justificaram que o medicamento é para o tratamento de pacientes com Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), "uma síndrome clínica e hemodinâmica que acomete os vasos pulmonares, obstruindo-os e levando à insuficiência cardíaca”. A FAB ainda disse que a HAP é uma “doença grave e progressiva que pode levar à morte”.
    Além da compra dos medicamentos, o deputado Elias Vaz (PSB-GO) e o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) irão solicitar ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal uma investigação para verificar sobre a compra de 60 próteses penianas infláveis pelo valor de R$ 3,5 milhões pelo Exército Brasileiro.
    Segundo o Portal da Transparência, em 2021, foram realizados três pregões eletrônicos para a aquisição de próteses penianas infláveis de silicone, com tamanho entre 10 e 25 centímetros.
    Sobre a compra de próteses penianas infláveis ainda não houve declarações do chefe do executivo. O Centro de Comunicação Social do Exército emitiu uma nota oficial onde diz que foram adquiridas apenas três próteses  "para cirurgias de usuários do Fundo de Saúde do Exército (FUSEx)" e que "a quantidade de 60 (sessenta) representa a estimativa constante na ata de registro de preços e não efetivamente o que foi empenhado, liquidado e pago pelas Organizações Militares de Saúde". Confira abaixo a nota na íntegra:
    "O Centro de Comunicação Social do Exército esclarece que foram adquiridas apenas 3 (três) próteses penianas pelo Exército Brasileiro, em 2021, para cirurgias de usuários do Fundo de Saúde do Exército (FUSEx) e não 60 (sessenta), conforme foi divulgado por alguns veículos de imprensa. A quantidade de 60 (sessenta) representa a estimativa constante na ata de registro de preços e não efetivamente o que foi empenhado, liquidado e pago pelas Organizações Militares de Saúde. Cabe destacar que os processos de licitação atenderam a todas as exigências legais vigentes, bem como às recomendações médicas.

    Informamos que o Sistema de Saúde do Exército, que atende cerca de 700 mil pessoas, tem como receita recursos do Fundo de Saúde do Exército, composto por contribuição mensal de todos os beneficiários do Sistema e da coparticipação para o pagamento dos procedimentos realizados.

    Por fim, é atribuição do Sistema de Saúde do Exército atender a pacientes do sexo masculino vítimas de diversos tipos de enfermidades que possam requerer a cirurgia para implantação da prótese citada."

     

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