Anvisa nega registro de novas canetas emagrecedoras com semaglutida e liraglutida

Indeferimento atinge três pedidos das farmacêuticas Cipla e Dr. Reddy’s e adia a entrada de novos concorrentes no mercado brasileiro.

13/04/2026 às 08:45 por Redação Plox

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indeferiu pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida para canetas emagrecedoras. Foram negadas duas versões de liraglutida, da farmacêutica Cipla (Plaobes e Lirahyp), e uma de semaglutida, da Dr. Reddy’s (Embeltah).

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (13/4) e envolve três produtos que buscavam autorização para comercialização no país.


Agência barrou novos registros de versões que tentavam entrar no mercado brasileiro como alternativas às “canetas” já disponíveis

Agência barrou novos registros de versões que tentavam entrar no mercado brasileiro como alternativas às “canetas” já disponíveis

Foto: Freepik


Análise ocorreu por “desenvolvimento abreviado”

Conforme a resolução da Anvisa, os medicamentos que tiveram o registro negado estavam em análise por uma via chamada “desenvolvimento abreviado”. Nesse tipo de pedido, a empresa tenta aproveitar dados já existentes sobre a substância — como estudos feitos com o medicamento original — para acelerar a aprovação.

Esse procedimento, porém, não elimina etapas. A farmacêutica ainda precisa demonstrar, com dados próprios, que o produto tem qualidade, funciona como esperado e é seguro para os pacientes. Quando essas comprovações não são consideradas suficientes, o pedido pode ser rejeitado.

Produtos não poderão ser vendidos no Brasil, por enquanto

De acordo com a decisão da agência, os produtos indeferidos não poderão ser vendidos no Brasil neste momento. A publicação, no entanto, não detalha os motivos técnicos específicos para cada indeferimento, o que é comum nesse tipo de ato administrativo.

Impacto na concorrência e na oferta

A medida afeta diretamente a chegada de possíveis novos concorrentes de medicamentos já consolidados no mercado, como as “canetas” usadas para controle do diabetes e perda de peso.

Com a entrada de alternativas adiada, a tendência, no curto prazo, é de manutenção da concentração do mercado nas marcas já disponíveis, da oferta ainda restrita diante da alta demanda e dos preços elevados desses tratamentos.

Queda da patente e fila de pedidos

A decisão da Anvisa ocorre em um momento de movimentação no setor farmacêutico. A patente da semaglutida — substância de medicamentos como Ozempic e Wegovy — caiu recentemente, encerrando um período de cerca de 20 anos de exclusividade e abrindo espaço para novas empresas entrarem no mercado.

No Brasil, ao menos 17 pedidos de registro já foram apresentados à Anvisa, mas nenhum foi aprovado até agora. A expectativa do setor é que as primeiras versões alternativas possam ser aprovadas ainda em 2026, dependendo da qualidade das informações apresentadas pelas farmacêuticas.

A entrada desses novos produtos é apontada como fator-chave para ampliar a oferta e, ao longo do tempo, pressionar os preços para baixo — algo que ainda não ocorreu no país.

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