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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indeferiu pedidos de registro de novos medicamentos à base de semaglutida e liraglutida para canetas emagrecedoras. Foram negadas duas versões de liraglutida, da farmacêutica Cipla (Plaobes e Lirahyp), e uma de semaglutida, da Dr. Reddy’s (Embeltah).
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (13/4) e envolve três produtos que buscavam autorização para comercialização no país.
Agência barrou novos registros de versões que tentavam entrar no mercado brasileiro como alternativas às “canetas” já disponíveis
Foto: Freepik
Conforme a resolução da Anvisa, os medicamentos que tiveram o registro negado estavam em análise por uma via chamada “desenvolvimento abreviado”. Nesse tipo de pedido, a empresa tenta aproveitar dados já existentes sobre a substância — como estudos feitos com o medicamento original — para acelerar a aprovação.
Esse procedimento, porém, não elimina etapas. A farmacêutica ainda precisa demonstrar, com dados próprios, que o produto tem qualidade, funciona como esperado e é seguro para os pacientes. Quando essas comprovações não são consideradas suficientes, o pedido pode ser rejeitado.
De acordo com a decisão da agência, os produtos indeferidos não poderão ser vendidos no Brasil neste momento. A publicação, no entanto, não detalha os motivos técnicos específicos para cada indeferimento, o que é comum nesse tipo de ato administrativo.
A medida afeta diretamente a chegada de possíveis novos concorrentes de medicamentos já consolidados no mercado, como as “canetas” usadas para controle do diabetes e perda de peso.
Com a entrada de alternativas adiada, a tendência, no curto prazo, é de manutenção da concentração do mercado nas marcas já disponíveis, da oferta ainda restrita diante da alta demanda e dos preços elevados desses tratamentos.
A decisão da Anvisa ocorre em um momento de movimentação no setor farmacêutico. A patente da semaglutida — substância de medicamentos como Ozempic e Wegovy — caiu recentemente, encerrando um período de cerca de 20 anos de exclusividade e abrindo espaço para novas empresas entrarem no mercado.
No Brasil, ao menos 17 pedidos de registro já foram apresentados à Anvisa, mas nenhum foi aprovado até agora. A expectativa do setor é que as primeiras versões alternativas possam ser aprovadas ainda em 2026, dependendo da qualidade das informações apresentadas pelas farmacêuticas.
A entrada desses novos produtos é apontada como fator-chave para ampliar a oferta e, ao longo do tempo, pressionar os preços para baixo — algo que ainda não ocorreu no país.