Temporada de gripe começa mais cedo e casos graves por influenza quase dobram no Brasil em 2026
Levantamento aponta alta entre janeiro e meados de março; mais de 800 mortes por vírus respiratórios já foram registradas, e Contagem decretou emergência
O aumento da circulação do vírus da gripe em diferentes regiões do Brasil tem colocado especialistas e autoridades de saúde em alerta. Com a chegada do outono — período historicamente marcado por mais registros de síndromes gripais —, médicos voltam a reforçar a importância da vacinação e de cuidados básicos para conter a disseminação da doença e reduzir o risco de complicações.

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Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado no boletim InfoGripe, indica aumento da circulação do vírus Influenza A em várias regiões do país, contribuindo para o crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em 2026, diferentes vírus respiratórios têm influenciado os registros de SRAG: o rinovírus aparece como o mais frequente, com 41,9% das infecções confirmadas, seguido por influenza A (21,8%), SARS-CoV-2 (14,7%) e vírus sincicial respiratório (13,4%).
Nos óbitos relacionados a essas doenças respiratórias, a covid-19 responde por 37,3%, seguida pela influenza A, com 28,6%.
Para o infectologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Márcio de Castro, é importante entender que a gripe integra um conjunto de doenças respiratórias conhecidas como síndromes gripais, que podem ser provocadas por diversos vírus e circular ao longo do ano.
O que chamamos popularmente de gripe faz parte de um grupo de infecções respiratórias provocadas por vários vírus. Alguns predominam no verão, outros no inverno. A influenza tem um comportamento mais sazonal, aumentando principalmente no outono e no inverno, mas outros vírus respiratórios continuam circulando ao longo de todo o ano
Dr. Márcio de Castro
Segundo ele, fatores demográficos e epidemiológicos também influenciam o cenário atual, com maior presença de idosos e de pacientes com doenças crônicas, como problemas cardíacos, respiratórios ou condições que afetam a imunidade — grupos mais suscetíveis a complicações.
Entre os desdobramentos possíveis, o médico cita quadros de pneumonia, agravamento de doenças pré-existentes e até eventos cardiovasculares. Episódios de gripe podem levar à descompensação de pacientes com doenças cardíacas ou respiratórias e elevar o risco de hospitalização.
Com a circulação elevada de vírus respiratórios, especialistas destacam que a vacinação permanece como a principal forma de prevenção. A campanha nacional contra a gripe começou no país no fim de março e busca ampliar a cobertura antes do período de maior circulação viral.
Além da imunização, o infectologista chama atenção para a responsabilidade coletiva na prevenção, com medidas como uso de máscara em caso de sintomas, ventilação adequada e cuidados com a saúde geral. Também orienta a manutenção de hábitos saudáveis, como boa alimentação, hidratação adequada, prática de atividade física e preferência por ambientes ventilados.
O médico ainda ressalta a importância de uma alimentação rica em frutas e vegetais e faz um alerta sobre o uso de vitaminas, lembrando que o consumo excessivo pode trazer riscos e que a recomendação é priorizar uma dieta equilibrada.
Em um contexto de maior circulação de vírus respiratórios, a combinação entre vacinação, medidas preventivas e consciência coletiva é apontada como essencial para reduzir a transmissão e proteger, sobretudo, os grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.
Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha conta com 558 leitos e três unidades, incluindo uma exclusiva para tratamento oncológico. A instituição atende mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e reúne cerca de 500 médicos em 58 especialidades.
O HMC presta serviços em áreas como ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil, entre outras. No último ano, foram cerca de 5.580 partos, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram registradas mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O hospital foi o primeiro do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III) pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, aparece por sete anos consecutivos em classificação da revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.