Dólar sobe e mercado reage a IPCA acima do esperado e tensão no petróleo

Moeda americana avançava 0,50% a R$ 5,0363, enquanto investidores monitoravam o impacto da inflação no Brasil e a volatilidade do petróleo com negociações entre EUA e Irã no radar.

13/04/2026 às 09:07 por Redação Plox

O dólar começou a sessão desta segunda-feira (13) em alta de 0,50%, cotado a R$ 5,0363. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.

Os investidores acompanharam, no exterior, os preparativos de Estados Unidos e Irã para negociações de paz previstas para começar amanhã, em meio a um cessar-fogo anunciado na terça-feira (7). A trégua prevê duas semanas de pausa nos ataques de EUA e Israel, em troca do compromisso do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Cessar-fogo sob pressão mantém Ormuz no radar

Apesar do anúncio de cessar-fogo, o acordo tem mostrado fragilidades, com registros de violações e a manutenção de um fechamento “de fato” de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Nesse cenário, os preços do petróleo oscilaram ao longo do dia.

Por volta das 16h (horário de Brasília), o Brent recuava 1,46%, negociado a US$ 94,48 por barril, enquanto o WTI caía 1,67%, para US$ 96,23.

IPCA vem acima do esperado e entra no foco do mercado

No Brasil, o destaque foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. A inflação subiu 0,88% em março e acumulou alta de 4,14% em 12 meses. A expectativa do mercado era de avanço de 0,7% no mês e de inflação de 4% no acumulado anual.

Em março de 2025, o índice havia avançado 0,56%.

Apesar da surpresa, o IPCA segue dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter a inflação em 3%, com limite máximo de 4,5%.

Entre os grupos pesquisados, Transportes foi o que mais pressionou o índice em março, com alta de 1,64%, puxado pela elevação dos combustíveis, que subiram 4,59% no período.

Nos EUA, inflação e confiança do consumidor também influenciam os ativos

Nos Estados Unidos, investidores acompanharam novos dados sobre preços e confiança do consumidor em março. O índice de preços ao consumidor subiu 0,9% no mês, após alta de 0,3% em fevereiro, e avançou 3,3% em 12 meses, em linha com a expectativa dos economistas.

Já a confiança do consumidor caiu no início de abril e atingiu o menor nível já registrado, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira. De acordo com a Universidade de Michigan, o índice recuou para 47,6 neste mês, após marcar 53,3 em março, abaixo da previsão de 52.

A queda foi observada entre diferentes perfis de consumidores, e a pesquisa destacou que a maior parte das respostas foi coletada antes do anúncio de cessar-fogo nesta semana na guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.

O conflito contribuiu para a alta dos preços do petróleo, que já acumulam aumento superior a 30%. Nos EUA, o preço médio da gasolina passou de US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos.

Segundo Joanne Hsu, diretora da pesquisa, muitos consumidores associam a piora na percepção econômica ao conflito com o Irã, o que ajuda a explicar o avanço das expectativas de inflação.

A pesquisa mostra que a expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu de 3,8% em março para 4,8% em abril. Já a projeção para cinco anos passou de 3,2% para 3,4%.

Negociações reúnem representantes dos dois países em Islamabad

Mesmo com o cessar-fogo sob questionamentos, integrantes do alto escalão dos governos dos EUA e do Irã devem iniciar negociações por um acordo definitivo. As conversas estão previstas para começar oficialmente no sábado (11).

Pelo lado dos EUA, participarão o vice-presidente JD Vance, o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff e o conselheiro e genro de Trump Jared Kushner. Do lado iraniano, estarão o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf.

As conversas ocorrerão em um hotel de luxo em Islamabad, capital do Paquistão, país que media o diálogo entre EUA e Irã, em um ambiente marcado por versões divergentes sobre o cessar-fogo.

Nesta sexta-feira, Trump afirmou que o exército americano está “carregando os navios com as melhores munições” diante da possibilidade de fracasso nas negociações de paz com o Irã.

Na véspera, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, disse que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação, mas com restrições de passagem. Segundo ele, há risco de minas navais na região, e o tráfego marítimo está sendo coordenado pela Guarda Revolucionária iraniana.

Resumo dos mercados: dólar, Bolsa e bolsas globais

Dólar

  • Acumulado da semana: -2,87%
  • Acumulado do mês: -3,23%
  • Acumulado do ano: -8,70%

Ibovespa

  • Acumulado da semana: +4,93%
  • Acumulado do mês: +5,26%
  • Acumulado do ano: +22,47%

Em Wall Street, as bolsas fecharam sem direção única após os dados de inflação de março virem em linha com o esperado, enquanto os investidores seguiram monitorando sinais de estabilidade no cessar-fogo. O Dow Jones caiu 0,56%, aos 47.916,33 pontos, e o S&P 500 recuou 0,12%, aos 6.816,79 pontos. O Nasdaq avançou 0,35%, aos 22.902,89 pontos.

Na Europa, os principais índices também encerraram o dia sem direção única. O STOXX 600 subiu 0,37%, aos 614,84 pontos; o CAC 40 avançou 0,17%, aos 8.259,60 pontos; o DAX caiu 0,01%, aos 23.803,95 pontos; e o FTSE 100 recuou 0,03%, aos 10.600,53 pontos.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta: o Hang Seng subiu 0,55%, aos 25.893 pontos; o SSEC avançou 0,51%, aos 3.986 pontos; o CSI300 ganhou 1,54%, aos 4.636 pontos; o Nikkei subiu 1,84%, aos 56.924 pontos; e o Kospi avançou 1,40%, aos 5.858 pontos.

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