Diagnóstico de neoplasia no pescoço de Luis Roberto chama atenção para câncer de cabeça e pescoço

Ministério da Saúde aponta a doença como a terceira mais incidente no Brasil; INCA indica que 80% dos tumores são descobertos em fase avançada

13/04/2026 às 09:54 por Redação Plox

O diagnóstico de neoplasia na região cervical anunciado pelo narrador esportivo Luis Roberto, de 64 anos, colocou em evidência um tema que ainda gera dúvidas: o câncer de cabeça e pescoço. Segundo o Ministério da Saúde, somados todos os tipos, esse grupo de tumores é o terceiro mais incidente no Brasil, com maior ocorrência entre homens.

Neoplasia é o termo médico usado para descrever o crescimento anormal de células, que deixam de morrer no momento adequado. Quando a condição está localizada na região cervical, envolve a formação de tecidos na laringe, faringe ou tireoide, podendo desencadear tumores benignos ou malignos.

Diagnóstico tardio preocupa especialistas

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que 80% dos tumores de cabeça e pescoço são identificados em estágios avançados, o que reduz as chances de um prognóstico mais favorável. A maior parte dos casos envolve tumores na hipofaringe, orofaringe, cavidade oral e laringe.

SBCO/Divulgação

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Vice-líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço do A.C. Camargo Cancer Center, Thiago Bueno explica que nem todo crescimento anormal é, necessariamente, um câncer. Ele cita o exemplo de uma verruga, que pode ser um crescimento celular sem metástase, portanto benigno.

O crescimento anormal de células que invade os tecidos locais e outros pontos, é maligno. A maioria dos cânceres no pescoço não se originam diretamente nessa região. Geralmente, nascem em algum outro lugar que chamamos grosseiramente de cabeça e pescoço e as células vão para os linfonodos do pescoço, popularmente chamadas de ínguas

Thiago Bueno

Fatores de risco e sinais de alerta

De acordo com o médico, os principais fatores de risco incluem consumo excessivo de bebidas alcoólicas, exposição ao tabagismo, infecção por HPV e histórico familiar.

Entre os sintomas citados estão sensação de corpo estranho na região, dor, sangramento e dificuldade para engolir, além de cansaço persistente, perda de peso sem explicação, febre prolongada, suor noturno e desconforto persistentes.

Bueno também chama atenção para o fato de que não é comum realizar exames preventivos anuais para esse tipo de tumor, como ocorre em outras doenças, a exemplo de câncer de mama e próstata. A orientação, segundo ele, é reforçar a conscientização sobre sinais e sintomas que indiquem a necessidade de procurar atendimento médico para viabilizar o diagnóstico.

O alerta inclui qualquer nódulo na região do pescoço e lesões na boca ou garganta — como aftas ou feridas — que não desapareçam ou cicatrizem espontaneamente em até 15 dias, além de sangramentos por via oral, rouquidão persistente e dor para engolir.

Como é feita a investigação e quais são os tratamentos

A investigação costuma envolver exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, seguidos por biópsia. Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento tende a ser multidisciplinar e pode incluir cirurgia, radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia, conforme a gravidade do caso.

Segundo Bueno, na maioria das situações as chances de cura são favoráveis e a definição da estratégia busca combinar melhores resultados com o menor impacto possível. Ele afirma que os tratamentos atuais são modernos e que sequelas são pouco frequentes, embora possam ocorrer, geralmente com baixa intensidade e sem interferir na qualidade de vida.

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