BC diz que expansão do Pix ampliou inclusão financeira de baixa renda e rebate críticas dos EUA

Relatório aponta avanço do acesso e do uso entre inscritos no CadÚnico; sistema é defendido em meio a investigação e questionamentos citados pelo USTR

13/04/2026 às 11:16 por Redação Plox

O lançamento e a rápida disseminação do PIX contribuíram de forma expressiva para a inclusão financeira da população de baixa renda no Brasil, segundo o Relatório de Cidadania Financeira divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira.

A defesa do mecanismo ocorre em um momento em que o PIX está na mira dos Estados Unidos, que chegaram a abrir uma investigação sobre a ferramenta.

Os dados de dezembro de 2023 evidenciam o sucesso da plataforma em ampliar tanto o acesso quanto o uso de serviços de pagamento entre os adultos inscritos no CadÚnico. À medida que o PIX se consolida, ele não apenas amplia a participação econômica desse público, mas também transforma seus hábitos financeiros, viabilizando transações mais frequentes e de menor valor, adequadas às necessidades cotidianas

Banco Central
Investigado pela gestão Trump desde 2025 por configurar possível 'prática desleal', o PIX voltou a ser criticado em relatório recente do Representante de Comércio dos EUA.

Investigado pela gestão Trump desde 2025 por configurar possível 'prática desleal', o PIX voltou a ser criticado em relatório recente do Representante de Comércio dos EUA.

Foto: Freepik


Como funciona o PIX

Criado pelo Banco Central, o PIX é um meio de pagamento instantâneo que permite transferências e pagamentos entre contas em poucos segundos.

Disponível 24 horas por dia, o sistema opera por meio de chaves — como CPF, celular ou e-mail — e também por QR codes. Com isso, elimina a necessidade de digitar todos os dados bancários e se consolidou como alternativa gratuita e ágil aos antigos modelos de DOC e TED.

Uso entre inscritos no CadÚnico

De acordo com dados do BC, em dezembro de 2023 — três anos após o lançamento do PIX74% dos adultos inscritos no CadÚnico haviam registrado ao menos uma chave Pix, indicando a ampla penetração do sistema entre a população de baixa renda.

O relatório também aponta que 72% dessas pessoas fizeram pelo menos um pagamento via Pix no ano, reforçando o uso da ferramenta nas transações do dia a dia. No período, a diferença entre acesso (registro da chave) e uso efetivo caiu de 7 pontos percentuais em 2022 para 2 pontos em 2023, sinalizando maior engajamento e confiança no sistema, segundo o BC.

PIX na mira dos Estados Unidos

Investigado pelos Estados Unidos desde o ano passado por configurar possível “prática desleal”, o PIX voltou a ser citado em um relatório recente do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). O documento lembra que o Banco Central criou, detém, opera e regula a plataforma de pagamentos instantâneos.

Partes interessadas americanas expressaram preocupação com o fato de o Banco Central do Brasil conceder tratamento preferencial ao PIX, o que prejudica os fornecedores americanos de serviços de pagamento eletrônico. O Banco Central exige o uso da PIX por instituições financeiras com mais de 500.000 contas

USTR

Orientado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu e afirmou que “ninguém” vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX.

Novidades em estudo para o PIX

Após bater recorde de transferências em 2025, com R$ 35,36 trilhões movimentados, o Banco Central segue trabalhando em novidades para o PIX neste ano e em 2027.

Agenda para 2026

Cobrança Híbrida: inserção no regulamento do PIX da possibilidade de pagamento, por meio do QR code, de uma cobrança que também apresenta a opção de quitação via arranjo de boleto. A oferta já ocorre de forma facultativa, mas a previsão é de que se torne obrigatória a partir de novembro deste ano.

Duplicata: funcionalidade para permitir o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis com informações atualizadas em tempo real e redução de custos operacionais. O objetivo é que sirva como alternativa aos boletos bancários.

Split tributário: adequação da ferramenta, até o fim do ano, ao sistema de pagamento de impostos em tempo real desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. A partir de 2027, a CBS (tributo federal sobre o consumo) deverá ser paga no ato da compra, desde que a transação seja eletrônica.

Previsões para 2027, dependendo de recursos no Banco Central

PIX internacional: modalidade já aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o uso atual no exterior é parcial, concentrado em estabelecimentos específicos. A proposta é avançar para pagamentos transfronteiriços de forma definitiva entre países, com a interligação de sistemas de pagamento instantâneos.

PIX em garantia: formato ligado a crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta prevê que esses trabalhadores ofereçam como garantia de empréstimos bancários os recebíveis futuros — transferências que ainda irão receber via PIX —, com potencial de facilitar a liberação de recursos e permitir juros mais acessíveis.

PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir pagamentos por aproximação mesmo quando o usuário estiver sem conexão, com o dispositivo fora da rede Wi‑Fi ou 5G.

PIX Parcelado segue em debate

Ao mesmo tempo, o Banco Central discute o lançamento, no futuro, das regras do chamado PIX Parcelado, pensado como alternativa para 60 milhões de pessoas que hoje não têm acesso ao cartão de crédito.

Embora o parcelamento via PIX já seja oferecido por várias instituições financeiras como uma linha de crédito formal, o BC pretende padronizar as regras, o que pode favorecer a competição entre bancos e a queda dos juros. Essa padronização, no entanto, ainda não tem prazo definido.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a