PT busca diálogo com PSDB para compor chapa de Haddad em São Paulo

Aproximação envolve o ex-prefeito Paulo Serra, enquanto tucanos apontam dificuldade de aliança e aliados de Tarcísio estranham movimentação

13/04/2026 às 13:41 por Redação Plox

Depois de ter levado o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para a vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PT agora tenta atrair o PSDB para compor a chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Integrantes da direção nacional tucana confirmaram ao Estadão que petistas buscam abrir diálogo com o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, pré-candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes.

Segundo os relatos, lideranças do PT na Câmara dos Deputados e no Senado também sondaram o partido sobre uma eventual filiação da ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet. As conversas não avançaram, e Tebet trocou o MDB pelo PSB para disputar o Senado por São Paulo.

Fernando Haddad

Fernando Haddad

Foto: Diogo Zacarias/MF


Resistência tucana e argumento petista

Para dirigentes tucanos, uma aliança com o PT é descrita como de difícil costura. Já petistas sustentam que o PSDB teria sido escanteado na administração paulista e estaria sem espaço no projeto de reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que poderia abrir caminho para uma composição inédita entre adversários históricos.

Coordenador do grupo Prerrogativas e aliado próximo de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho confirmou a movimentação de aproximação em São Paulo e disse ver a iniciativa com bons olhos. O Prerrogativas, conforme o texto, esteve à frente da articulação que levou Tebet a disputar o Senado pelo estado.

– É induvidoso que Haddad quer construir uma frente ampla em São Paulo. O PSDB colaborou muito para a democracia do país. É um luxo para nós ter relação com suas lideranças. Haddad é um político amplo e vai saber conduzir esse processo.

Marco Aurélio de Carvalho

Procurado, Paulo Serra não respondeu aos contatos da reportagem.

Estratégia de candidatura própria e “poder de barganha”

Um tucano ouvido reservadamente disse não ver sentido em um apoio do PSDB ao PT, mas considerou plausível que petistas estimulem o partido a lançar candidato próprio. A leitura seria a de que uma multiplicação de candidaturas poderia favorecer a realização de um segundo turno.

O mesmo interlocutor avaliou que, para o PSDB, seria mais interessante ter candidatura própria do que caminhar com Tarcísio, já que, numa eventual segunda etapa da disputa, o partido se tornaria um apoio importante e teria maior poder de barganha. Além disso, a estratégia ajudaria a reforçar o uso do número de urna do PSDB e, por consequência, impulsionar a eleição de deputados.

Chapas em montagem: Tarcísio e Haddad

Mesmo em caso de apoio ao governador, o PSDB ficaria fora da chapa de Tarcísio. A composição terá como vice Felício Ramuth (MDB), atual ocupante do cargo, além de Guilherme Derrite (PP) e um nome indicado pelo PL para o Senado.

Na chapa de Haddad, ainda há duas vagas indefinidas: a de vice e uma de senador. Essa vaga ao Senado é disputada pelos ex-ministros Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet será a outra candidata ao Senado.

O texto também afirma que Haddad busca ampliar o arco de alianças, hoje restrito a partidos de esquerda. Além do PSDB, ele tenta se aproximar do PSD de Gilberto Kassab, que descartou uma aliança e disse estar fechado com Tarcísio.

Reunião com Tarcísio e incômodo no entorno do governador

Aliados de Tarcísio estranharam o que interpretaram como uma abertura de diálogo de tucanos com petistas. No mês anterior, os presidentes do PSDB — o nacional, Aécio Neves, e o estadual, Paulo Serra — se reuniram com o governador e pediram ajuda na montagem da chapa de deputados em São Paulo.

No Palácio dos Bandeirantes, o movimento foi lido como uma confirmação de que o PSDB estaria na coligação do governador. Além da conversa com o PT, outro ponto que desagradou o entorno de Tarcísio foi a declaração de Aécio de que Paulo Serra poderia ser candidato a governador. Ainda assim, a avaliação no Bandeirantes, segundo a matéria, é que Serra não conseguiria viabilizar uma candidatura competitiva.

Federação com o Cidadania e disputa por comando em SP

Atualmente, o PSDB forma uma federação com o Cidadania, o que obriga as siglas a atuarem em conjunto. O deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), presidente nacional do partido, disse ao Estadão que pedirá a Aécio para que o Cidadania comande a federação em São Paulo, cargo que está vago.

– Por uma razão simples e objetiva que está no estatuto: nós temos dois deputados federais de São Paulo no Cidadania e nenhum do PSDB – disse Manente.

Alex Manente

Segundo ele, a posição do Cidadania é apoiar a reeleição de Tarcísio.

Enfraquecimento tucano no estado

Após perder o governo paulista depois de quase 30 anos de hegemonia, o PSDB acumulou derrotas em São Paulo, de acordo com a reportagem. O partido enfrentou debandada de prefeitos, desapareceu na Câmara Municipal da capital — onde já teve uma das bancadas mais expressivas ao lado do PT — e encolheu na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) durante a janela partidária, passando de oito deputados para um.

Boa parte de seus quadros, conforme o texto, migrou para o PSD de Kassab.

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