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Pelo menos 67 dos 77 deputados estaduais de Minas Gerais — o equivalente a 87% da composição da Assembleia Legislativa — devem tentar se reeleger no pleito deste ano, em outubro, segundo levantamento de O TEMPO. Além das cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), estarão em disputa os cargos de deputado federal, senador, governador e presidente da República. Os eleitores irão às urnas no dia 4 de outubro.
Outros cinco parlamentares vão redirecionar seus planos para a Câmara dos Deputados. Com isso, dos 77 deputados estaduais, 72 vão disputar as eleições. Entre os cinco restantes, três não responderam à reportagem, um afirmou que ainda não definiu e apenas o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), não vai disputar uma vaga em outubro. Ele foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) em março e deve tomar posse após encerrar o mandato, no início de 2027.
Foto: Foto: Guilherme Bergamini / Divulgação ALMG
Com quase a totalidade dos parlamentares em campanha pelo estado no segundo semestre, a ALMG deve registrar o maior índice de deputados estaduais na disputa pela reeleição em pelo menos doze anos, conforme levantamento da reportagem com base em dados da ALMG das eleições de 2022, 2018 e 2014.
Para o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em ciência política pela Universidade de Campinas (Unicamp), o movimento tende a prejudicar o andamento dos trabalhos legislativos e de fiscalização, embora faça parte da dinâmica eleitoral brasileira.
A saída dos parlamentares para suas bases ainda é uma regra prevista no Código Eleitoral e não encontramos algo melhor do que esse modelo para compensar, de alguma forma, a paralisação dos debates e atividades legislativas
Luiz Renato Ribeiro Ferreira
A corrida pela recondução também pode influenciar o perfil da próxima legislatura, reforçando uma tendência dos últimos anos: a baixa renovação. Em 2022, o índice foi de 32,46%, o menor em duas décadas, com a eleição de 25 novos parlamentares. Naquele pleito, 66 dos 77 deputados disputaram a permanência na ALMG e 52 foram reconduzidos.
Se um resultado semelhante se repetir, a projeção indica que apenas 15 dos 67 deputados que tentarão a reeleição neste ano deixariam a Casa, abrindo espaço para que 25 cadeiras fossem ocupadas por novatos.
Em 2018, dos 63 deputados que buscaram a reeleição, 46 venceram nas urnas e 31 novos parlamentares chegaram à Assembleia, o que representou renovação de 40,25%. Já em 2014, a renovação foi de 33,77%: dos 64 que disputaram a reeleição, 51 conquistaram mais um mandato.
Na avaliação de Ferreira, a baixa renovação contraria uma expectativa expressa no desenho institucional do país após 1988, voltado à pluralidade e à alternância de poder, com espaço para diferentes representações e renovação periódica de ideias.
Mesmo suplentes que estiveram na Assembleia até o último mês pretendem voltar à Casa na próxima legislatura. É o caso de Lincoln Drummond (PL), que deixou o mandato com o retorno de Alê Portela (PL) ao Legislativo, após passagem pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). Ambos são pré-candidatos à ALMG.
Situação semelhante envolve Hely Tarqüínio (PSDB), que saiu com a volta de Macaé Evaristo (PT), que deixou o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania para também se recandidatar. Tarqüínio pretende tentar a reeleição e migrou do PV ao PSDB mirando a disputa de outubro.
O menor índice de renovação em duas décadas, registrado em 2022, ocorreu após a implementação das emendas parlamentares impositivas, em 2018. As emendas permitem que deputados destinem recursos do Orçamento para obras, serviços e projetos em suas bases eleitorais. Com o modelo impositivo, o governo do estado passou a ser obrigado a executar as indicações, ampliando o capital político dos parlamentares em seus redutos.
Em 2026, cada deputado mineiro terá direito a cerca de R$ 26 milhões em emendas, com a exigência de que metade desse valor seja destinada à área da saúde.
Para Ferreira, o mecanismo aparece como um possível fator associado ao aumento da busca pela reeleição. Ele pondera, contudo, que parlamentares com bom desempenho podem e devem ser reconduzidos, ao mesmo tempo em que destaca a importância da alternância de vozes, ideias e projetos para a vitalidade do sistema democrático.
A reeleição também se tornou suficientemente atrativa para que poucos parlamentares estaduais se arrisquem em outras disputas. Apenas cinco dos 77 deputados mineiros devem tentar uma vaga na Câmara Federal, e nenhum apresentou o nome para concorrer ao Senado ou ao governo.
Segundo Ferreira, a decisão passa por cálculos que consideram vagas disponíveis, histórico e perfil de cada candidato, recursos para campanha e acordos partidários. Nesse cenário, ele aponta que o fator risco pesa: muitos parlamentares avaliam ter condições de buscar a reeleição com menor probabilidade de derrota e, por isso, optam pelo caminho considerado mais seguro.
Uma última vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), destinada a deputados, pode alterar o quadro. Ulysses Gomes (PT), Ione Pinheiro (União Brasil) e Sargento Rodrigues (PL) podem entrar na disputa e, enquanto isso, se colocam como pré-candidatos à reeleição. Thiago Cota (PDT) também é citado entre os candidatos a conselheiro, mas não respondeu sobre suas intenções eleitorais.
Mesmo que um deputado deixe a disputa eleitoral para ocupar a vaga no TCE, o suplente que assumir a cadeira pode tentar a reeleição.