Levantamento indica que 87% dos deputados estaduais de MG devem tentar reeleição

Ao menos 67 dos 77 parlamentares devem buscar novo mandato, e campanha pelo estado pode afetar debates e fiscalização na ALMG, aponta avaliação

13/04/2026 às 07:12 por Redação Plox

Pelo menos 67 dos 77 deputados estaduais de Minas Gerais — o equivalente a 87% da composição da Assembleia Legislativa — devem tentar se reeleger no pleito deste ano, em outubro, segundo levantamento de O TEMPO. Além das cadeiras da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), estarão em disputa os cargos de deputado federal, senador, governador e presidente da República. Os eleitores irão às urnas no dia 4 de outubro.


Outros cinco parlamentares vão redirecionar seus planos para a Câmara dos Deputados. Com isso, dos 77 deputados estaduais, 72 vão disputar as eleições. Entre os cinco restantes, três não responderam à reportagem, um afirmou que ainda não definiu e apenas o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), não vai disputar uma vaga em outubro. Ele foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) em março e deve tomar posse após encerrar o mandato, no início de 2027.

Foto: Foto: Guilherme Bergamini / Divulgação ALMG


Campanha generalizada pode reduzir debates e fiscalização

Com quase a totalidade dos parlamentares em campanha pelo estado no segundo semestre, a ALMG deve registrar o maior índice de deputados estaduais na disputa pela reeleição em pelo menos doze anos, conforme levantamento da reportagem com base em dados da ALMG das eleições de 2022, 2018 e 2014.

Para o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em ciência política pela Universidade de Campinas (Unicamp), o movimento tende a prejudicar o andamento dos trabalhos legislativos e de fiscalização, embora faça parte da dinâmica eleitoral brasileira.

A saída dos parlamentares para suas bases ainda é uma regra prevista no Código Eleitoral e não encontramos algo melhor do que esse modelo para compensar, de alguma forma, a paralisação dos debates e atividades legislativas

Luiz Renato Ribeiro Ferreira

Reeleição em massa pode ampliar baixa renovação no Parlamento

A corrida pela recondução também pode influenciar o perfil da próxima legislatura, reforçando uma tendência dos últimos anos: a baixa renovação. Em 2022, o índice foi de 32,46%, o menor em duas décadas, com a eleição de 25 novos parlamentares. Naquele pleito, 66 dos 77 deputados disputaram a permanência na ALMG e 52 foram reconduzidos.

Se um resultado semelhante se repetir, a projeção indica que apenas 15 dos 67 deputados que tentarão a reeleição neste ano deixariam a Casa, abrindo espaço para que 25 cadeiras fossem ocupadas por novatos.

Em 2018, dos 63 deputados que buscaram a reeleição, 46 venceram nas urnas e 31 novos parlamentares chegaram à Assembleia, o que representou renovação de 40,25%. Já em 2014, a renovação foi de 33,77%: dos 64 que disputaram a reeleição, 51 conquistaram mais um mandato.

Na avaliação de Ferreira, a baixa renovação contraria uma expectativa expressa no desenho institucional do país após 1988, voltado à pluralidade e à alternância de poder, com espaço para diferentes representações e renovação periódica de ideias.

Suplentes também se organizam para retornar à ALMG

Mesmo suplentes que estiveram na Assembleia até o último mês pretendem voltar à Casa na próxima legislatura. É o caso de Lincoln Drummond (PL), que deixou o mandato com o retorno de Alê Portela (PL) ao Legislativo, após passagem pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). Ambos são pré-candidatos à ALMG.

Situação semelhante envolve Hely Tarqüínio (PSDB), que saiu com a volta de Macaé Evaristo (PT), que deixou o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania para também se recandidatar. Tarqüínio pretende tentar a reeleição e migrou do PV ao PSDB mirando a disputa de outubro.

Emendas impositivas entram no radar como fator de vantagem

O menor índice de renovação em duas décadas, registrado em 2022, ocorreu após a implementação das emendas parlamentares impositivas, em 2018. As emendas permitem que deputados destinem recursos do Orçamento para obras, serviços e projetos em suas bases eleitorais. Com o modelo impositivo, o governo do estado passou a ser obrigado a executar as indicações, ampliando o capital político dos parlamentares em seus redutos.

Em 2026, cada deputado mineiro terá direito a cerca de R$ 26 milhões em emendas, com a exigência de que metade desse valor seja destinada à área da saúde.

Para Ferreira, o mecanismo aparece como um possível fator associado ao aumento da busca pela reeleição. Ele pondera, contudo, que parlamentares com bom desempenho podem e devem ser reconduzidos, ao mesmo tempo em que destaca a importância da alternância de vozes, ideias e projetos para a vitalidade do sistema democrático.

Disputa por cargo federal é exceção entre deputados estaduais

A reeleição também se tornou suficientemente atrativa para que poucos parlamentares estaduais se arrisquem em outras disputas. Apenas cinco dos 77 deputados mineiros devem tentar uma vaga na Câmara Federal, e nenhum apresentou o nome para concorrer ao Senado ou ao governo.

Segundo Ferreira, a decisão passa por cálculos que consideram vagas disponíveis, histórico e perfil de cada candidato, recursos para campanha e acordos partidários. Nesse cenário, ele aponta que o fator risco pesa: muitos parlamentares avaliam ter condições de buscar a reeleição com menor probabilidade de derrota e, por isso, optam pelo caminho considerado mais seguro.

Vaga no TCE pode retirar um nome da corrida eleitoral

Uma última vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), destinada a deputados, pode alterar o quadro. Ulysses Gomes (PT), Ione Pinheiro (União Brasil) e Sargento Rodrigues (PL) podem entrar na disputa e, enquanto isso, se colocam como pré-candidatos à reeleição. Thiago Cota (PDT) também é citado entre os candidatos a conselheiro, mas não respondeu sobre suas intenções eleitorais.

Mesmo que um deputado deixe a disputa eleitoral para ocupar a vaga no TCE, o suplente que assumir a cadeira pode tentar a reeleição.

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