BC alerta que superendividamento cresce no Brasil e já atinge milhões

Relatório aponta quase 130 milhões de pessoas com dívidas em instituições financeiras no fim de 2024; governo avalia medidas como unificação de débitos e uso do FGTS com limites

13/04/2026 às 11:31 por Redação Plox

O Banco Central (BC) avaliou nesta segunda-feira (13), no Relatório de Cidadania Financeira, que o superendividamento se tornou um problema crescente no Brasil e já afeta milhões de pessoas.

No fim de 2024, segundo o documento, quase 130 milhões de pessoas tinham alguma dívida com instituições financeiras — cerca de 74% da população com relacionamento bancário.

Em quatro anos, 32 milhões a mais de pessoas passaram a ter acesso a estes produtos, um crescimento de 34%.

Banco Central
Maquininhas de cartão de crédito e débito são essenciais para o comércio.

Maquininhas de cartão de crédito e débito são essenciais para o comércio.

Foto: Divulgação


Governo estuda medidas para reduzir o endividamento

A avaliação do BC é divulgada enquanto o governo analisa novas medidas para reduzir o endividamento da população, em um ano eleitoral.

A estratégia em estudo envolve unificar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em um único contrato. A proposta prevê refinanciamento com descontos nos juros que iriam de 30% a 80%, com possibilidade de os bancos chegarem a um abatimento de até 90%.

Dentro do mesmo programa de refinanciamento, o governo também avalia autorizar o uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, mas com limites para evitar uma sangria dos recursos. As duas medidas foram admitidas pelo próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan.

BC aponta avanço do crédito sem garantia, com juros maiores

No relatório, o BC observou que, nos últimos anos, houve uma expansão expressiva das modalidades de crédito sem garantia — operações que, em geral, têm juros mais altos.

De acordo com a autoridade monetária, o número de brasileiros com empréstimo pessoal mais que triplicou desde 2020, com crescimento de 214% no período, chegando a 41,7 milhões de clientes. Outro destaque foi o aumento do número de pessoas com dívidas no cartão — uso do rotativo ou parcelado —, com alta de 55% entre 2020 e 2024, totalizando cerca de 53 milhões em 2024.

Considerado um dos vilões do endividamento, o uso do cartão de crédito cresceu de forma expressiva após a pandemia da Covid-19. No ano passado, os empréstimos somaram quase R$ 400 bilhões, o maior valor da série histórica do BC.

O BC também destacou que, entre outras modalidades, tanto o cheque especial quanto o crédito consignado são usados por cerca de 24 milhões de clientes e cresceram na faixa de 20% no período.

Já os financiamentos com garantia de alienação fiduciária — imobiliário e automotivo — alcançaram pouco menos de 10 milhões de clientes cada. No recorte do período analisado, o financiamento automotivo teve crescimento de apenas 3%, enquanto o imobiliário avançou 23%, segundo a instituição.

BC alerta para impacto psicológico do endividamento

Para o Banco Central, o aumento do endividamento tem provocado um impacto psicológico profundo e abrangente na vida dos brasileiros, com reflexos na saúde mental e nas relações pessoais.

O BC avaliou ainda que a facilidade de acesso ao crédito — sem oferta responsável e adequada ao perfil do cliente, além de falhas em proteção ao consumidor e educação financeira — tem levado muitos brasileiros a assumirem dívidas que não conseguem pagar.

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