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    Pandemia e puberdade precoce: médica do Vale do Aço faz alerta aos pais

    As crianças e adolescentes também foram muito afetados, principalmente em decorrência do isolamento social e da mudança de rotina

    Por Plox

    13/08/2021 13h02 - Atualizado há cerca de 1 mês

    A pandemia da covid-19, além do saldo de óbitos e casos da doença, trouxe inúmeras consequências ruins para a saúde física e mental. As crianças e adolescentes também foram muito afetados, principalmente em decorrência do isolamento social e da mudança de rotina. E não foi só isso: várias publicações científicas têm alertado para um aumento dos registros de casos de puberdade precoce. É o que destacou a médica cooperada da Unimed Vale do Aço e endocrinologista pediátrica, Dra. Lara Vieira Marçal.


    A puberdade é o processo de maturação sexual do indivíduo.  “Nas meninas identificamos o início desse processo por meio do aparecimento das mamas. Já em meninos o primeiro sinal é o aumento dos testículos. Associado a isso, em ambos os casos podem aparecer pelos em axila e virilha, espinhas e odor na axila”, detalhou. 


     

    A puberdade é precoce se começa antes dos 8 anos na menina e dos 9 anos no menino.
    É um problema mais frequente em meninas e que pode atingir até crianças muito pequenas, necessitando acompanhamento especializado e informação para a família. Há casos em que crianças tão jovens quanto dois ou quatro anos são diagnosticadas com puberdade precoce. Quando a puberdade começa muito distante da idade de 8/9 anos, a chance de necessitar de bloqueio da puberdade é maior.


    A médica cooperada explicou que há indícios de que são cada vez mais numerosos os casos em que o início do amadurecimento esteja ocorrendo antes da idade considerada adequada.


    Segundo dados de um estudo recente publicado pela revista "Italian Journal of Pediatrics", houve um aumento de 188% dos casos de puberdade precoce em 2020. “Nesse estudo ficou evidenciado que a pandemia e o isolamento social têm algum efeito no aumento dos casos. Os fatores psicológicos e emocionais, o estresse que as famílias tiveram nesse período e o ganho de peso excessivo são fatores que também contribuem. As crianças estão mais em casa, não estão fazendo atividade física, estão passando mais parte do tempo em frente às telas (TV, celular, computador, vídeo game, etc.) e nem para escola elas foram por um longo período. Tudo isso pode ser usado para explicar esse crescimento do número de casos de puberdade precoce”, afirmou.

     
    Alerta
    Para a Dra. Lara Marçal é fundamental que os pais fiquem atentos e procurem o endocrinologista pediátrico em caso de aparecimento de sinais de puberdade. “Nossa maior preocupação é o prejuízo em relação à altura final (altura de adulto). Crianças em puberdade precoce são mais altas que os colegas da mesma idade, porque começam mais cedo o estirão de crescimento. Mas eles também param de crescer mais cedo, porque há o fechamento da cartilagem de crescimento. Por isso, ao final da adolescência, acabam se tornando adultos pequenos, abaixo da expectativa da família.

     
    Além disso, há outros prejuízos decorrentes do início da puberdade mais cedo: quem tem puberdade precoce tem maior chance de desenvolver síndrome do ovário policístico, em meninas, e até mesmo obesidade, diabetes e hipertensão”, alertou.

     
    Tratamento
    Diagnosticar e tratar a puberdade precoce no momento adequado é fundamental para obter bons resultados. Com o uso de medicamentos corretos, é feito o bloqueio da evolução puberal e, com isso, a regressão dos caracteres sexuais secundários.


     

    “É dada uma medicação que bloqueia a produção dos hormônios que fazem crescer mama, pelos e testículos, reduzindo também as chances de problemas futuros nessas crianças. Pais devem ficar atentos e em caso de suspeita, é necessário procurar o endocrinologista pediátrico”, concluiu a médica cooperada.


     

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