Argentina fecha 2025 com inflação de 31,5%, menor nível desde 2017
Desaceleração inflacionária sob governo Javier Milei ocorre em meio a reformas econômicas duras, queda da pobreza, crise política e apoio externo para conter turbulência cambial
14/01/2026 às 07:52por Redação Plox
14/01/2026 às 07:52
— por Redação Plox
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A Argentina encerrou 2025 com inflação de 31,5%, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado, divulgado nesta terça-feira (13), é o menor desde 2017 e representa uma queda expressiva em relação aos 117,8% registrados em 2024.
A imagem mostra Javier Milei, presidente da Argentina
Foto: Crédito: Agência Brasil.
Em dezembro, o IPC subiu 2,8% na comparação com novembro, quando havia avançado 2,5%. Embora ainda em terreno positivo, o movimento confirma a trajetória de desaceleração da alta de preços durante o governo do presidente Javier Milei, que conduz uma agenda de reformas econômicas consideradas agressivas para tentar tirar o país de uma crise prolongada.
Setores que mais pressionaram os preços em dezembro
Entre os grupos pesquisados, os maiores aumentos em dezembro de 2025 foram registrados em Transporte, com alta de 4%, seguido por habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, que avançaram 3,4%.
Mesmo com essas pressões pontuais, a inflação mensal permanece controlada em relação ao histórico recente argentino. De acordo com o Indec, dezembro marcou o sexto mês consecutivo em que a variação mensal de preços se manteve próxima de 2%.
Impacto das medidas econômicas no primeiro ano de Milei
Antes da posse de Javier Milei, em dezembro de 2023, a inflação mensal havia sido de 25,5%. A partir de então, o indicador passou a registrar quedas significativas nos primeiros meses de governo, em meio à implementação de uma pauta de reformas ampla.
Nesse período, a Casa Rosada paralisou obras federais e interrompeu o repasse de recursos para estados, como parte do esforço para ajustar as contas públicas. Ao mesmo tempo, o governo revisou a política de subsídios a tarifas de água, gás, energia elétrica e transportes.
A mudança nos subsídios teve forte repercussão social. A pobreza, que atingia 52,9% da população no primeiro semestre de 2024, recuou para 31% no mesmo período de 2025, segundo dados oficiais.
Crise política, câmbio e cenário eleitoral
O processo de ajuste econômico ocorreu em paralelo a uma crise política. A secretária-geral da Presidência, Karina Milei, irmã do presidente, passou a ser alvo de suspeitas de corrupção. A repercussão do caso contribuiu para uma derrota de Javier Milei nas eleições legislativas na Província de Buenos Aires e desencadeou uma crise cambial, com desvalorização do peso frente ao dólar.
Mesmo sob pressão política, o governo buscou reforçar a sustentação externa da economia. Com apoio dos Estados Unidos e a assinatura de um acordo de swap cambial de cerca de US$ 20 bilhões, a administração Milei conseguiu atravessar a turbulência e reverter parte das perdas no cenário interno.
Na esteira desse rearranjo político e econômico, o partido do presidente saiu vitorioso nas eleições legislativas de meio de mandato, ampliando a base de sustentação de Milei no Congresso e fortalecendo a capacidade de avançar com sua agenda de reformas.