Dólar e Ibovespa operam sob pressão de operação da PF, tensão EUA-Fed e tarifa de Trump
Mercados reagem a investigação sobre supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, incertezas sobre a independência do Federal Reserve e anúncio de tarifa de 25% dos EUA a países com relações comerciais com o Irã, com possível impacto às exportações brasileiras
14/01/2026 às 09:17por Redação Plox
14/01/2026 às 09:17
— por Redação Plox
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O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (14) atento ao cenário interno e externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.
Os mercados começam o dia divididos entre a agenda econômica dos Estados Unidos e os acontecimentos no Brasil. Lá fora, dados e sinais do Federal Reserve (Fed) concentram as atenções. Aqui, uma nova fase de operação da Polícia Federal movimenta o noticiário e entra no radar dos investidores.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: FreePik
PF avança em investigação sobre supostas fraudes financeiras
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta a segunda fase de uma operação que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Agentes cumprem mandados de busca em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares.
Além de Vorcaro e parentes, a operação também tem como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, de acordo com informações divulgadas pela PF.
Dados do Fed e Livro Bege no foco dos mercados
Nos Estados Unidos, serão divulgadas nesta quarta as vendas no varejo e o índice de preços ao produtor (PPI), estatísticas acompanhadas de perto pelo Federal Reserve. Economistas consultados pela Reuters projetam alta de 2,70% para o PPI em 12 meses.
Mais tarde, o Fed divulga o Livro Bege, relatório com avaliações dos 12 distritos do banco central sobre o ritmo da atividade econômica. Paralelamente, o mercado acompanha uma possível decisão da Suprema Corte sobre as tarifas globais impostas durante o governo Donald Trump.
Em segundo plano, mas ainda relevante, seguem as tensões entre a Casa Branca e o Fed. No domingo, Jerome Powell reagiu às pressões do governo, e, na véspera, dirigentes de bancos centrais de diversos países divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Federal Reserve.
Desempenho recente do dólar e do Ibovespa
No acumulado recente, o dólar registra os seguintes resultados:
Acumulado da semana: +0,19%
Acumulado do mês: -2,07%
Acumulado do ano: -2,07%
Já o Ibovespa apresenta:
Acumulado da semana: -0,84%
Acumulado do mês: +0,54%
Acumulado do ano: +0,54%
Trump anuncia tarifa sobre países que negociam com o Irã
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá impor uma tarifa de 25% a países que mantiverem relações comerciais com o Irã. Segundo ele, a medida passa a valer imediatamente.
Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto
Donald Trump
O Brasil pode ser afetado pela decisão devido à relação comercial com o Irã. Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do país, principalmente ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações somaram US$ 2,9 bilhões, com destaque para milho, soja e açúcar.
Mesmo com esses números, o Irã não figura entre os 20 principais parceiros comerciais do Brasil, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O país, porém, é um dos principais destinos das exportações brasileiras no Oriente Médio.
No comunicado em rede social, Trump não detalhou se a tarifa incidirá sobre países que já mantêm relações com o Irã ou apenas sobre transações futuras, o que adiciona incerteza sobre o alcance da medida para parceiros comerciais como o Brasil.
Pressão da Casa Branca sobre o Fed e defesa da independência
Ao mesmo tempo, o governo Trump elevou a pressão sobre o Federal Reserve ao mencionar a possibilidade de indiciar criminalmente o presidente da instituição, Jerome Powell.
A ameaça está ligada a declarações feitas por Powell ao Congresso sobre os custos de um projeto de reforma de um prédio do Fed. Segundo o dirigente, o episódio tem sido usado como pretexto para ampliar a influência do governo sobre a política monetária, especialmente para forçar cortes mais agressivos de juros.
As movimentações aumentaram a preocupação do mercado com a independência do banco central americano. Nesta terça-feira, dirigentes de alguns dos principais bancos centrais do mundo divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Fed.
Na mensagem, o grupo afirma estar em solidariedade ao Sistema do Federal Reserve e ao seu chair, e ressalta que a autonomia dos bancos centrais é peça-chave para garantir a estabilidade econômica, financeira e de preços em benefício da população. O comunicado também destaca que Powell tem exercido sua função com integridade, foco no mandato e compromisso com o interesse público, sendo considerado um colega respeitado por quem já trabalhou com ele.
Inflação ao consumidor nos EUA volta a ganhar fôlego
Os preços ao consumidor nos Estados Unidos voltaram a subir em dezembro, após efeitos pontuais que haviam reduzido artificialmente a inflação no mês anterior.
Dados divulgados nesta terça-feira pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho, ligado ao Departamento do Trabalho americano, mostram que o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,3% em dezembro. Em 12 meses até o fim do ano, a alta foi de 2,7%, repetindo a variação de novembro.
O resultado ficou em linha com as expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam aumento mensal de 0,3%.
Entre setembro e novembro, o próprio Escritório de Estatísticas havia estimado variação de 0,2%. Parte da distorção nos dados de novembro está relacionada à paralisação de 43 dias do governo federal, que impediu a coleta regular de preços em outubro.
Ao excluir itens mais voláteis, como alimentos e energia, o chamado núcleo da inflação registrou alta de 0,2% em dezembro. Na comparação anual, esse núcleo cresceu 2,6%, a mesma taxa observada em novembro.
Vendas de casas novas e mercado imobiliário americano
As vendas de casas unifamiliares novas nos EUA recuaram levemente em outubro, após dois meses consecutivos de alta.
De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, as vendas de casas novas caíram 0,1% no mês, para uma taxa anualizada e ajustada sazonalmente de 737 mil unidades. Esse tipo de medida projeta, para o ano inteiro, o ritmo de vendas do mês, já descontados efeitos sazonais.
Em setembro, as vendas haviam chegado a 738 mil unidades, depois de 711 mil em agosto. A divulgação ocorreu com atraso por causa da paralisação do governo federal, que durou 43 dias.
As vendas de casas novas representam apenas uma parcela do mercado imobiliário americano e costumam apresentar grande volatilidade de um mês para outro. Diferentemente das casas usadas, esse tipo de imóvel é contabilizado no momento da assinatura do contrato, e não na entrega.
Na comparação com outubro do ano anterior, as vendas de casas novas cresceram 18,7%, em um contexto de queda das taxas de juros dos financiamentos imobiliários em 2025.
Bolsas globais: volatilidade em Wall Street, Europa mista e Ásia dividida
Em Wall Street, os principais índices inverteram o sinal positivo registrado pela manhã e passaram a operar em baixa, após o banco JP Morgan alertar que o teto para taxas de cartão de crédito pode prejudicar o setor financeiro.
Perto das 15h, o Dow Jones Industrial Average recuava 0,71%, para 49.238,10 pontos. O S&P 500 caía 0,23%, aos 6.960,81 pontos, enquanto o Nasdaq Composite tinha queda de 0,16%, para 23.696,83 pontos.
Na Europa, as bolsas fecharam sem direção única nesta terça-feira, em meio à análise de resultados corporativos e novos dados de inflação. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,1%, após renovar a máxima histórica no início da sessão.
Entre os principais índices locais, o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,03%; o CAC-40, da França, caiu 0,14%; e o DAX, da Alemanha, avançou 0,06%.
Na Ásia, as ações de Hong Kong alcançaram a máxima em dois meses, com alta de 0,9% no índice Hang Seng. Na China continental, porém, as bolsas fecharam em queda.
O sentimento na região foi moderado pela percepção de que o ritmo recorde de exportações chinesas, impulsionado pela diversificação de mercados, pode ter perdido força no último mês de 2025. A perspectiva para o próximo ano dependerá da capacidade dos fabricantes de ampliar ainda mais sua presença em novos destinos de exportação.