Irã marca enforcamento de jovem que protestou contra regime dos aiatolás

Erfan Soltani, 26, foi condenado à morte por 'ódio contra Deus' dias após ser detido em casa por participar de protestos em Karaj; família alega falta de defesa e denuncia repressão violenta

14/01/2026 às 06:55 por Redação Plox

O iraniano Erfan Soltani, de 26 anos, teve a execução por enforcamento marcada para esta quarta-feira (14), dias após ser detido em casa por sua participação em protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj.

De acordo com o portal IranWire, Soltani trabalha na indústria de vestuário e havia começado recentemente em uma empresa privada. Pessoas próximas o descrevem como alguém apaixonado por moda e estilo pessoal. Em suas redes sociais, aparece como um jovem que pratica musculação, gosta de esportes e leva uma rotina considerada simples.


Erfan Soltani, manifestante preso no Irã

Erfan Soltani, manifestante preso no Irã

Foto: Reprodução/Instagram

Participação em protestos e ameaças prévias

Erfan Soltani participou das manifestações que ocorrem no Irã há cerca de um mês, desencadeadas em meio a graves dificuldades econômicas e à forte desvalorização do rial, a moeda nacional. Segundo o IranWire, ele já vinha sendo alvo de intimidações antes da prisão.

Erfan havia recebido mensagens ameaçadoras de fontes de segurança antes de sua prisão, mas manteve-se firme nos protestos. Ele disse à família que estava sendo vigiado, mas se recusou a recuar — fonte ouvida pelo portal IranWire

Soltani foi detido nas proximidades de sua casa, no distrito de Fardis, em Karaj. Durante três dias, a família não teve qualquer informação sobre seu paradeiro. No domingo (11), agentes de segurança entraram em contato com os parentes, confirmando que ele estava sob custódia e informando que já havia sido condenado à morte.

Família sob pressão e sem acesso à defesa

Relatos de pessoas próximas à família, ouvidas pelo IranWire sob condição de anonimato, apontam um cenário de forte pressão por parte das autoridades. Um parente que atua como advogado tentou assumir a defesa do manifestante, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança, segundo essas fontes.

A pena imposta a Erfan Soltani é baseada na acusação de Moharebeh, termo traduzido como “ódio contra Deus”. O Irã é conhecido por aplicar esse tipo de acusação de forma recorrente, com centenas de execuções ligadas ao crime, de acordo com organizações de direitos humanos.

Sentença definitiva e visita restrita

Segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw, autoridades locais informaram à família que a sentença era definitiva. Fontes ouvidas pelo portal NDTV afirmam que Soltani não teve a oportunidade de se defender adequadamente antes da condenação. Seus familiares só puderam visitá-lo uma única vez, por cerca de 10 minutos.

A repressão às manifestações em curso no país tem sido descrita como ampla e violenta. Um integrante do governo iraniano afirmou à agência de notícias Reuters, na terça-feira (13), que cerca de 2.000 pessoas já foram mortas desde o início dos protestos.

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