Nikolas Ferreira volta a criticar monitoramento de operações via Pix pela Receita Federal
Deputado do PL-MG retoma debate sobre suposta taxação do Pix e aponta risco a trabalhadores informais; Receita nega imposto e diz que monitoramento busca combater crime organizado
14/01/2026 às 17:10por Redação Plox
14/01/2026 às 17:10
— por Redação Plox
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a criticar o monitoramento de operações via Pix em um novo vídeo que circula nas redes sociais.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Na gravação, ele retoma o debate travado no meio de 2025, quando um conteúdo seu sobre uma suposta taxação do sistema de pagamentos instantâneos foi desmentido por órgãos de controle e pela Receita Federal.
Agora, o parlamentar direciona as críticas a uma normativa da Receita editada em agosto de 2025. Segundo ele, a regra faria com que as transações via Pix passassem a sofrer, para fins de fiscalização, as mesmas exigências aplicadas a bancos, incluindo o acompanhamento das transferências.
Norma retoma obrigação de envio de dados financeiros
As falas de Nikolas têm como pano de fundo uma regra da Receita Federal que retomou a obrigatoriedade de envio de informações financeiras por fintechs e instituições de pagamento. A medida foi adotada após uma operação da Polícia Federal que desmontou um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de plataformas digitais.
Com a mudança, essas empresas passaram a ter de usar o sistema e-Financeira, já empregado por bancos, para comunicar à Receita dados sobre saldos e movimentações de clientes. A obrigatoriedade vale quando os valores ultrapassam R$ 2 mil, no caso de pessoas físicas, e R$ 6 mil, para pessoas jurídicas.
No vídeo, Nikolas afirma que trabalhadores informais e autônomos que movimentam quantias pelo Pix podem ser alcançados pela fiscalização se os valores não coincidirem com o que foi declarado ao Imposto de Renda. Segundo ele, isso aumentaria o risco de o contribuinte cair na malha fina, ser chamado a prestar esclarecimentos e ter de pagar tributos sobre recursos que não considerava tributáveis. Para o deputado, o foco do Estado teria se ampliado para o acompanhamento detalhado das operações via Pix.
Receita nega taxação e fala em combate ao crime
Em entrevista à Itatiaia, o superintendente-adjunto da Receita Federal em Minas Gerais, Wagner Bittencourt, rebateu a narrativa de taxação do Pix e reforçou que o trabalho do Fisco é de monitoramento, voltado principalmente ao combate ao crime organizado.
A gente continua exatamente onde estava quando surgiu o primeiro boato, a primeira fake news sobre taxação do Pix. Isso não existe. Qualquer alteração tributária precisa de uma lei que autoriza, precisa passar pelo Congresso. A palavra correta que a gente usa para isso é monitoramento. A gente monitora tudo. Porque isso é feito de forma eletrônica, todos passam por um monitoramento. Mas a gente tem uma gestão de risco, são os grandes volumes que chamam a atenção, que é o combate ao crime organizadoWagner Bittencourt
Segundo o representante da Receita, o acompanhamento eletrônico das movimentações financeiras já vinha sendo realizado e segue regras legais e de gestão de risco, priorizando grandes operações suspeitas ligadas a ilícitos, e não a cobrança de um novo imposto sobre o Pix.