Vorcaro, familiares e sócios são alvos da PF em operação contra Banco Master
Ação mira o controlador Daniel Vorcaro, familiares, sócios e empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur, cumpre 42 mandados em cinco estados e bloqueia mais de R$ 5,7 bilhões em bens em investigação sobre fraudes que podem chegar a R$ 12 bilhões
14/01/2026 às 12:28por Redação Plox
14/01/2026 às 12:28
— por Redação Plox
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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) a segunda fase da operação que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A nova etapa mira o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, além de familiares e sócios, entre eles o pai, a irmã e o cunhado do empresário. Confira na Live as informações e as imagens da operação.
Também são alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos. As investigações apontam para um esquema de captação de recursos, aplicação em fundos e desvio de valores para o patrimônio pessoal de Vorcaro e de seus parentes.
Nesta fase da operação Compliance Zero, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões.
Foto: PF / Divulgação
Mandados em cinco estados e endereços na Faria Lima
Os mandados têm como alvo endereços em São Paulo — incluindo imóveis na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital — e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A primeira fase da operação foi deflagrada em novembro do ano passado e resultou em sete prisões, entre elas a de Daniel Vorcaro. Ele foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando, segundo investigadores, se preparava para deixar o país em um avião particular com destino à Europa. Dias depois, foi solto pela Justiça.
Nesta nova etapa, o pai de Vorcaro passou a ser formalmente investigado após surgirem indícios de que ele teria participado de transferências de bens dentro da família para dissimular ativos vinculados ao Banco Master.
Foto: Rede Social
Cunhado detido em aeroporto e apreensão de celular de empresário
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, chegou a ser detido na madrugada desta quarta-feira em um aeroporto, quando se preparava para embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi liberado em seguida, após o cumprimento das medidas relacionadas à operação.
Foto: PF / Divulgação
Policiais federais também foram até a residência de Nelson Tanure, mas não o encontraram. O empresário acabou localizado no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, prestes a embarcar em um voo nacional. Seu celular foi apreendido.
Banco Master no centro de escândalo financeiro e disputa institucional
O caso do Banco Master se tornou epicentro de um escândalo financeiro de alcance nacional e de uma disputa institucional em Brasília. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), em operações que somaram R$ 12,2 bilhões.
A atuação do Banco Central passou a ser questionada posteriormente. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a inspeção de documentos relacionados à liquidação. Paralelamente, o BC se tornou alvo de ataques digitais com o objetivo de desacreditar sua atuação, e a Polícia Federal passou a investigar supostos pagamentos milionários a influenciadores.
Diante das fraudes identificadas pelos investigadores, a tendência é que o parecer técnico final respalde a decisão da autoridade monetária sobre a liquidação do banco.
Caso chega ao STF e corre sob sigilo
O inquérito envolvendo o Banco Master chegou ao STF no fim do ano passado, por decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso. Ele determinou segredo de justiça sobre todo o processo. Uma das primeiras medidas adotadas no âmbito da Corte foi a realização de uma acareação no tribunal, ainda no fim do ano passado.
Em novembro, na primeira fase da operação, além da prisão de Vorcaro e de outros seis investigados, o Banco Central concluiu que o Master não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros e decretou a liquidação extrajudicial da instituição.
Foto: PF / Divulgação
Liquidação do banco sob contestação
A decretação da liquidação pelo Banco Central se tornou alvo de controvérsia. O ministro do TCU Jonathan de Jesus questionou a autarquia sobre possíveis indícios de decisão considerada “precipitada” em relação ao Banco Master, e o processo passou a tramitar sob sigilo.
As investigações miram, entre outros pontos, a suposta venda de títulos de crédito falsos pela instituição. O banco teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de remuneração de até 40% acima da taxa básica do mercado, patamar considerado irreal pelas autoridades. A PF estima que as fraudes possam alcançar R$ 12 bilhões.
Foto: PF / Divulgação
Defesa de Vorcaro afirma colaboração com as investigações
Advogados do dono do Banco Master afirmaram que todas as decisões judiciais determinadas no âmbito da investigação serão cumpridas com transparência e que Vorcaro está à disposição das autoridades.
A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa não teve ainda acesso aos autos