Estudo aponta que quase metade dos semáforos de pedestres em SP dá só 4 a 5 segundos de travessia

Levantamento do Instituto Corrida Amiga mostra que 44% dos semáforos de pedestres em São Paulo oferecem tempo insuficiente de travessia, com filas de espera que passam de três minutos e aumento de 14,23% nas reclamações à prefeitura em 2025

14/01/2026 às 07:00 por Redação Plox

Quase metade dos semáforos da cidade de São Paulo oferece apenas cerca de cinco segundos de travessia para pedestres, segundo levantamento do Instituto Corrida Amiga, que analisou tempos semafóricos na capital paulista.

De acordo com o estudo, 44% dos equipamentos permanecem entre 4 e 5 segundos abertos para quem atravessa a rua — intervalo considerado insuficiente para pessoas que não conseguem andar rápido, como idosos, crianças e pessoas com deficiência.


Semáforo para pedestre em SP

Semáforo para pedestre em SP

Foto: Reprodução

Travessias apertadas em vias de grande movimento

Na Avenida Rebouças, uma das principais vias da cidade, o fluxo de veículos é intenso ao meio-dia e o pedestre não tem prioridade. Moradores relatam que o tempo é tão curto que muitos precisam correr para completar o trajeto.

Situação semelhante é observada no cruzamento das avenidas João Dória e Doutor Chucri Zaidan, no Jardim das Acácias, na Zona Sul, onde, segundo usuários da via, o semáforo praticamente não garante segurança a quem atravessa a pé.

Em um dos trechos analisados, a ciclovia termina e bicicletas, patinetes, carros e motos passam a disputar o mesmo espaço. Nessa área, o tempo de travessia chega a 18 segundos. À primeira vista, pode parecer suficiente, mas, quando a rua está cheia, completar o percurso com calma se torna difícil, especialmente para quem tem mobilidade reduzida.

A TV Globo testou alguns desses semáforos. Em um dos cruzamentos, ainda no meio da travessia, o sinal para pedestres já começou a piscar em vermelho, fazendo com que parte das pessoas tivesse que correr para concluir o trajeto, enquanto quem se sentiu inseguro acabou voltando ou ficando para trás.

Centro também registra travessias de risco

No Centro da capital, no bairro da Bela Vista, em frente à Federação Espírita, a Rua Maria Paula — que integra o chamado “mini anel viário” de São Paulo e é caminho para as praças da Sé e João Mendes — impõe outro desafio. Ali, atravessar em 12 segundos é considerado arriscado em qualquer horário do dia.

Além do tempo reduzido para pedestres, também cresceu o volume de reclamações sobre semáforos na cidade.

Levantamento do telejornal SP1 mostra que as queixas registradas no telefone 156 da prefeitura aumentaram no último ano. Entre janeiro e setembro de 2025, foram 2.127 reclamações, alta de 14,23% em relação ao mesmo período de 2024.

Média de tempo verde sobe, mas espera continua longa

O estudo do Instituto Corrida Amiga aponta uma leve melhora geral nos tempos semafóricos, mas considera que o avanço ainda é pequeno diante das necessidades de quem anda a pé.

A média de tempo verde exclusivo para pedestres passou de 4,7 segundos para 5,8 segundos em um ano — um ganho de cerca de um segundo, ou aproximadamente 20%. Por outro lado, o tempo médio de espera caiu de dois minutos para um minuto e 38 segundos.

Ainda assim, mais da metade das travessias exige espera superior a 90 segundos, e houve casos em que pedestres ficaram mais de três minutos parados aguardando o sinal abrir.

Quando são aplicados os parâmetros do Estatuto do Pedestre — que considera crianças, idosos e pessoas com deficiência —, o cenário se torna ainda mais crítico. Segundo o instituto, 80% das travessias não oferecem tempo seguro para idosos, e 90% não garantem tempo suficiente para crianças e pessoas com deficiência.

Instituto aponta descumprimento de legislação

Para a diretora do Instituto Corrida Amiga, Silvia Stuchi, os tempos atuais de travessia não atendem ao que prevê a legislação voltada à mobilidade urbana e à proteção dos pedestres.

O tempo semafórico, ele não é ideal, principalmente se nós pensarmos no público de crianças, pessoas com deficiência, pessoa idosa. Não tem tempo suficiente pra realizar sua travessia com conforto, segurança como colocado na Política Nacional de Mobilidade Urbana, bem como no Estatuto do Pedestre no âmbito municipalSilvia Stuchi

Um dos exemplos destacados no levantamento é o cruzamento da Avenida Paulo VI com a Rua Lisboa, na Zona Oeste. No local, os semáforos têm uma linha amarela que indica o uso de inteligência artificial para ajustar o tempo em tempo real conforme o fluxo de veículos, ciclistas e pedestres — os chamados “semáforos inteligentes”.

Mesmo assim, foi verificado acúmulo de pessoas aguardando para atravessar, com tempo de abertura variando de cinco a sete segundos até o canteiro central. Para concluir a travessia no segundo trecho, a situação é ainda mais crítica: mesmo após o acionamento do botão, o tempo de espera chegou a quase dez minutos.

Posicionamento da CET sobre os semáforos

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que os tempos de travessia são definidos com base na largura de cada via, mas destaca que, em situações específicas, esse tempo pode ser ampliado. A companhia informa ainda que o aumento do número de faixas de pedestres também é uma alternativa em estudo.

Em nota, a CET comunicou que o mesmo modelo de semáforo inteligente opera nos três pontos citados: na Avenida Rebouças, na altura do número 965; na Rua Maria Paula, nº 140; e no cruzamento da Avenida João Dória com a Avenida Doutor Chucri Zaidan. A companhia acrescentou que equipes técnicas irão vistoriar esses locais para verificar os tempos programados, o funcionamento das botoeiras e, se forem encontradas falhas, adotar as medidas de manutenção necessárias.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a