Casos e mortes por metanol em bebidas levam estados a reforçar alertas para o carnaval

Ministério da Saúde confirma 76 casos em 2025, com 25 óbitos; fiscalização e orientações ao consumidor são intensificadas em diferentes regiões

14/02/2026 às 08:58 por Redação Plox

Estados que registraram mortes e casos de intoxicação por bebidas contaminadas com metanol entram em estado de alerta para o carnaval. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025 o país confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas.

Outras 29 ocorrências seguem em investigação. No mesmo período, foram contabilizados 25 óbitos confirmados e mais oito em análise. Neste ano, até 3 de fevereiro, já foram confirmados sete casos, enquanto 13 continuam sob investigação.

Folião deve consumir apenas bebidas de procedência conhecida

Folião deve consumir apenas bebidas de procedência conhecida

Foto: Agência Brasil



São Paulo concentra maioria dos casos e reforça fiscalização

São Paulo foi o estado mais afetado. A Secretaria de Estado da Saúde atualizou, na quarta-feira (11), o balanço de intoxicações por metanol: foram confirmados 52 casos, com 12 mortes. Entre as vítimas estão quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos, moradores da capital; uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos, de São Bernardo do Campo; dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos, de Osasco; um homem de 37 anos, de Jundiaí; um homem de 26 anos, de Sorocaba; e um homem de 26 anos, de Mauá.

Quatro mortes ainda são investigadas: um paciente de 39 anos, em Guariba; um de 31 anos, em São José dos Campos; e dois em Cajamar, de 29 e 38 anos.

Folião deve consumir apenas bebidas de procedência conhecida

Folião deve consumir apenas bebidas de procedência conhecida

Foto: Agência Brasil


A secretaria orienta a população sobre os riscos do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas e reforça os cuidados durante o carnaval. A recomendação é comprar apenas em estabelecimentos regularizados, conferir a procedência e evitar produtos de origem desconhecida. Consumir bebidas de procedência duvidosa aumenta significativamente o risco de intoxicação grave e morte.

O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) coordena ações com as Vigilâncias Sanitárias Municipais, responsáveis por inspecionar estabelecimentos e vendedores ambulantes que comercializam alimentos e bebidas alcoólicas, verificando origem e procedência dos produtos.

Recomendações para bares e consumidores

O CVS orienta que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção com a procedência das bebidas. A população deve adquirir apenas produtos de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando itens de origem duvidosa para prevenir intoxicações que podem levar à morte.

Pernambuco intensifica inspeções no carnaval

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou oito casos de intoxicação por metanol, com cinco óbitos em outubro e novembro de 2025. O órgão alerta que destilados de procedência duvidosa podem conter metanol ou outras substâncias impróprias para consumo. O metanol é um tipo de álcool extremamente tóxico, capaz de causar cegueira irreversível, falência renal e morte.

Segundo a secretaria, é importante desconfiar de bebidas com preço muito abaixo do praticado no mercado, evitar misturas prontas vendidas em garrafas pet ou recipientes inadequados e comprar apenas de estabelecimentos licenciados pela vigilância sanitária ou de vendedores credenciados pela prefeitura. Latas lacradas são consideradas mais seguras.

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) prevê ultrapassar quinhentas inspeções sanitárias. As ações incluem fiscalização em bares, camarotes, restaurantes, locais com grande concentração de pessoas e no comércio ambulante, para garantir armazenamento e venda adequados de alimentos e bebidas.

Bahia reforça antídoto e fiscalização de destilados

Na Bahia, foram confirmados nove casos de intoxicação por metanol, com três mortes — moradores de Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. A Secretaria da Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde, reforçou os estoques do antídoto usado no tratamento desses casos e tem incentivado os municípios a apertar a fiscalização da venda e distribuição de bebidas destiladas.

Paraná e Mato Grosso mantêm alerta após óbitos

No Paraná, a Sala de Situação sobre intoxicação por metanol foi encerrada em 24 de novembro de 2025, após a confirmação de seis casos, três deles fatais.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde intensificou as ações de vigilância e fiscalização, mesmo sem novos casos confirmados há mais de 30 dias. O estado registrou seis ocorrências, com quatro óbitos entre novembro e dezembro de 2025. As autoridades recomendam que foliões consumam bebidas apenas em estabelecimentos regulares, evitando produtos sem rótulo ou de procedência incerta. Em caso de visão turva, dor abdominal intensa, tontura ou confusão mental após beber, é fundamental procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Rio de Janeiro usa laboratório móvel para flagrar fraudes

O Rio de Janeiro não registrou casos ou mortes por metanol em bebidas, mas mantém ações de prevenção. A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon atuam com o Laboratório Itinerante do Consumidor, que circula pelos blocos e pelo Sambódromo.

Equipado com um laboratório portátil de alta tecnologia, o serviço testa em tempo real bebidas com indícios de falsificação, comparando amostras coletadas com as fórmulas originais dos principais destilados do mercado.

No último fim de semana, em ações realizadas no sábado (7) e no domingo (8), em blocos da zona sul e do centro da cidade, cerca de 26 litros de bebidas falsificadas foram apreendidos e analisados, evidenciando o risco que esses produtos oferecem à saúde.


“A venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco. Nossa atuação é firme para retirar esses produtos de circulação e alertar a população sobre os perigos desse consumo”, disse o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor

Sintomas que exigem atenção imediata

Entre os sinais iniciais de intoxicação por metanol, que podem surgir até seis horas após a ingestão, estão dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e queda da pressão arterial.

Entre seis e 24 horas depois podem aparecer visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave. Nos quadros mais severos, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal e lesões neurológicas com tremores, rigidez e lentidão dos movimentos.

Como o metanol age no organismo

O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico, explica que, ao contrário do etanol, o metanol gera substâncias altamente tóxicas quando metabolizado pelo organismo, interferindo na produção de energia das células e atingindo principalmente o sistema nervoso.

De acordo com o médico, esse processo pode levar a uma acidose metabólica grave, com alterações visuais, lesão do nervo óptico, confusão e desorientação mental, convulsões, queda do nível de consciência, arritmias e insuficiência respiratória, com risco de morte.

A intoxicação por metanol nem sempre se manifesta de imediato e pode ser confundida com uma ressaca intensa. Os sintomas tendem a surgir de forma progressiva, em geral entre seis e 24 horas após o consumo, mas podem aparecer até 48 horas depois.

Um dos diferenciais em relação à intoxicação alcoólica comum é a intensidade e a evolução do quadro, muitas vezes incompatíveis com a quantidade ingerida. As alterações visuais são consideradas as mais características e não devem ser ignoradas, mesmo quando discretas. Ao chegar a um serviço de emergência, é importante relatar a suspeita de ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levar a embalagem ou uma amostra do produto consumido.

Há exames laboratoriais que confirmam a intoxicação, como a dosagem de metanol no sangue ou na urina, embora nem sempre estejam disponíveis de imediato. Por isso, o Ministério da Saúde orienta que o tratamento seja iniciado sem aguardar o resultado.

Como medida de prevenção, a recomendação aos foliões é consumir apenas bebidas de procedência conhecida, evitar produtos sem rótulo ou vendidos em condições suspeitas e buscar atendimento médico diante de qualquer sinal incomum após o consumo de álcool. A escolha do que beber durante o carnaval pode ser decisiva para preservar a própria vida.

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