Polícia confirma que celular achado perto da casa da família é de Silvana Germann, desaparecida com os pais
Aparelho foi localizado em 7 de fevereiro; ex-companheiro de Silvana, um policial militar, está preso temporariamente e investigação trata o caso como possível homicídio
14/02/2026 às 14:31por Redação Plox
14/02/2026 às 14:31
— por Redação Plox
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A Polícia Civil confirmou nesta sexta-feira (13) que o celular encontrado em 7 de fevereiro nas imediações da casa dos pais e do mercado da família pertence a Silvana Germann de Aguiar. O aparelho foi localizado após uma denúncia anônima, enrolado em uma toalha e escondido sob uma pedra em um terreno baldio na rua do estabelecimento, e encaminhado para perícia.
Silvana, de 48 anos, e os pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão desaparecidos há 20 dias.
Esses dados que são extraídos dos telefones são bem importantes pois permitem à polícia contextualizar os eventos
delegado Anderson Spier
Os celulares do policial militar Cristiano Domingues Francisco, preso temporariamente por suspeita de envolvimento no desaparecimento da família Aguiar, e da atual companheira dele também foram apreendidos. Segundo o delegado, ambos se recusaram a fornecer as senhas.
O PM é ex-companheiro de Silvana. A prisão temporária foi decretada após a quebra de sigilo telefônico apontar o que a polícia considera uma movimentação suspeita. A principal linha de investigação é homicídio.
A quebra de sigilo permite identificar horários e locais de uso dos telefones, enquanto o acesso por senha possibilita a análise de mensagens e arquivos armazenados nos aparelhos.
Casas da família desaparecida no RS passou por perícia; celular de silvana estava nas imediações.
Foto: Reprodução/RBS TV
Celulares sem senha e avanço da investigação
Além do celular de Silvana, a polícia já havia apreendido o telefone e o computador da atual esposa do PM suspeito. Segundo o delegado responsável pelo caso:
Alguns celulares foram fornecidas as senhas. E dois telefones, do suspeito e da atual companheira dele, que são relevantes e pertinentes para celeridade das investigações, não foram informados quais as senhas para poder acessar
delegado Anderson Spier
A defesa do suspeito foi procurada pela reportagem e não se manifestou até a última atualização. Em nota divulgada na quinta-feira (12), sobre a quebra de sigilo telefônico, o advogado do PM afirmou que ainda não teve acesso aos autos e à decisão judicial, relatando conhecer apenas o que foi divulgado pela imprensa.
Suspeito esteve próximo da família no dia do sumiço
De acordo com a investigação, há indícios de que Cristiano esteve próximo da família Aguiar, especialmente de Isail e Dalmira, no dia em que o casal desapareceu — um dia após o sumiço de Silvana. Como foi ele quem registrou a ocorrência de desaparecimento, inicialmente foi ouvido como testemunha. Após a prisão, permaneceu em silêncio no depoimento.
Na ocasião, a gente aproveitou e perguntou para ele onde ele estava na hora dos eventos. Ele nos relatou que estava jantando com um casal de amigos em um local em Cachoeirinha. Ele ofereceu a versão de que ele estava fazendo um trabalho em uma obra da família, mas esse local não tem como comprovar que ele estava lá
delegado Anderson Spier
A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias. A Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial, e a Corregedoria-Geral acompanha o caso.
Silvana e o ex-marido mantinham uma relação conflituosa, o que, para a polícia, pode ter motivado o crime. Eles têm um filho de 9 anos. O menino morava com a mãe e passava os fins de semana com o pai. Após o desaparecimento de Silvana, Cristiano procurou o Conselho Tutelar, que recomendou que o filho ficasse com ele durante as investigações. Agora, a criança está sob os cuidados da avó paterna.
Antes de desaparecer, Silvana havia acionado o Conselho Tutelar para relatar que o filho tem restrições alimentares e que o pai não respeitava as orientações sobre a dieta da criança.
Pontos centrais sob análise da polícia
A investigação se concentra em alguns elementos considerados decisivos:
Sinais de telefonia de Silvana e de Cristiano foram fundamentais para que o PM passasse à condição de suspeito.
Há indícios de que o suspeito esteve com a família no domingo em que os idosos desapareceram.
A chave da casa de Isail e Dalmira estava com o suspeito no dia em que ele foi ouvido como testemunha.
Vestígios de sangue e perícias em imóveis e veículos
Silvana e os pais não são vistos desde o fim de janeiro. Mais de duas semanas depois, o suspeito foi preso na terça-feira (10). Na casa de Silvana, a perícia encontrou vestígios de sangue. O material foi coletado em 5 de fevereiro. Dois veículos da família e a casa de Isail e Dalmira também passaram por análise pericial.
Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (...) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP
delegado Anderson Spier
Segundo o delegado, o sangue foi localizado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da residência de Silvana. Não foram identificados sinais de luta corporal ou de montagem de cena. Para os peritos, o imóvel estava íntegro, sem alterações que indicassem briga dentro da casa.
A polícia aguarda os laudos finais das perícias nas casas, no minimercado da família e na análise de imagens de câmeras de segurança que registraram a movimentação nos dias dos desaparecimentos.
Cartucho de festim encontrado na casa dos idosos
A Polícia Civil também confirmou que o cartucho localizado na casa do casal de idosos é de festim. O tema foi discutido em reunião com autoridades em Cachoeirinha, na segunda-feira (9).
Um cartucho de festim simula um disparo real, com barulho e fumaça, mas sem projétil. Contém pólvora, é usado em treinamentos, cerimônias militares e efeitos especiais, e exige cuidado pelo risco associado aos gases liberados.
Áudios do suspeito após o desaparecimento
Após a prisão do PM, a reportagem teve acesso a materiais atribuídos ao ex-marido de Silvana. Em um áudio enviado a uma conhecida na semana do desaparecimento, ele questiona o andamento das apurações e demonstra insatisfação com o ritmo do trabalho policial:
Aproveitar e ver com o teu parente aí, ver o que eles conseguiram de imagem pra nós aí. Se a gente deixar só por eles (polícia), parece que não está progredindo
suspeito
Em 1º de fevereiro, Cristiano enviou uma foto de dentro da casa de Isail e Dalmira, mostrando um veículo do casal. Em outro áudio, contou que vinha entrando repetidamente nas casas ligadas à família Aguiar:
Eu só estou indo muito na casa da Silvana, todos os dias, porque tem um cachorro e um gato lá. Tanto que hoje eu não fui ainda, eu preciso levar ração
suspeito
Foi o próprio suspeito quem registrou o primeiro boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Silvana.
Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar
Foto: Imagens cedidas/Polícia Civil
Como ocorreram os desaparecimentos
Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais informou que ela teria sofrido um acidente em Gramado, mas estaria bem. A polícia afirma que o acidente nunca aconteceu e que a postagem tinha o objetivo de despistar o sumiço. Desde então, o celular dela está desligado e não houve novos contatos.
Preocupados com a publicação e alertados por vizinhos, os pais saíram para procurar a filha no domingo (25). Eles chegaram a ir até uma delegacia distrital para registrar o desaparecimento, mas a unidade estava fechada. Depois disso, também não foram mais vistos.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem da casa, com a chave dentro da residência, o que reforça a suspeita de que ela não viajou.
Imagens de uma câmera de segurança mostram movimentação atípica na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na casa de Silvana às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo da própria vítima entrou na garagem. Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou, permaneceu por 12 minutos e deixou o local. A polícia apura se era Silvana quem conduzia o próprio carro e trabalha para identificar os outros veículos.
Filha única, Silvana mora na mesma região dos pais. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e atua junto com a família em um pequeno mercado que funciona anexo à residência. Isail e Dalmira são descritos por parentes e vizinhos como pessoas queridas, tranquilas e com bom relacionamento com a filha.