Família faz segundo sepultamento após hospital esquecer perna amputada de motociclista em Várzea Grande

Cláudio Ramos Mamora, de 27 anos, sofreu acidente, teve a perna esquerda amputada e morreu no dia seguinte; dias após o enterro, parentes foram avisados de que o membro havia ficado na unidade

14/02/2026 às 15:07 por Redação Plox

A família do motociclista Cláudio Ramos Mamora, de 27 anos, precisou enfrentar o luto duas vezes em Primavera do Leste (MT). Após sofrer um grave acidente de moto, ele teve a perna amputada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Dias depois do enterro, o hospital entrou em contato com os parentes para informar que a perna amputada havia sido esquecida na unidade e também precisava ser sepultada.

O episódio foi levado ao Ministério Público do Estado e registrado em boletim de ocorrência na polícia.


Família faz dois enterros de filho após hospital esquecer perna amputada em MT

Família faz dois enterros de filho após hospital esquecer perna amputada em MT

Foto: Arquivo pessoal


Hospital abre procedimento para apurar o caso

O Hospital e Pronto Socorro de Várzea Grande, responsável pelo atendimento ao jovem, informou em nota que instaurou um procedimento administrativo para apurar o ocorrido. A direção afirmou que, se forem constatadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.

Acidente e amputação em cirurgia de emergência

O acidente aconteceu em 30 de janeiro, na Rodovia dos Imigrantes, em Várzea Grande, nas proximidades de um posto de combustível no km 514. Cláudio pilotava uma motocicleta e não tinha habilitação quando houve a batida com uma carreta. As circunstâncias da colisão ainda são investigadas.

Na região há obras de duplicação da via, com placas de sinalização instaladas. Segundo as informações disponíveis, não foram identificados obstáculos na pista que pudessem ter contribuído diretamente para o acidente.

Cláudio foi socorrido em estado grave e levado ao hospital, onde passou por uma cirurgia de emergência e teve a perna esquerda amputada. No dia seguinte, ele não resistiu aos ferimentos. A família autorizou a doação de órgãos do jovem.

Família diz que não foi informada sobre membro amputado

Os parentes, que moram em Primavera do Leste, entraram em contato com a administração do hospital e com o necrotério para liberar o corpo e providenciar o traslado até o município onde vivem. De acordo com a família, em nenhum momento desse processo houve menção à perna amputada, o que levou todos a acreditarem que o corpo estava completo para o funeral.

Alguns dias após o sepultamento, a unidade de saúde ligou para informar que a perna havia ficado no hospital e precisava ser retirada para sepultamento. Com isso, a família teve de organizar um segundo enterro, reabrindo o processo de luto.

Dois enterros e busca por reparação

O advogado da família, Wagner Gouveia, relatou que, devido ao alto custo do translado, os parentes optaram por enterrar o membro no cemitério de Várzea Grande. Assim, ocorreram dois sepultamentos em cidades diferentes.

Segundo ele, a família pretende buscar reparação por danos morais, psicológicos e materiais.

Houve ausência de apoio psicológico e uma forma inadequada de comunicação. A família teve que realizar dois velórios e passou por constrangimento e sofrimento. Vamos entrar com uma ação de cunho reparatório para que isso também sirva de exemplo e não aconteça com outras pessoas

Wagner Gouveia

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