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O aumento de R$ 0,38 por litro no diesel já começa a pesar no bolso de caminhoneiros que circulam por Belo Horizonte e Região Metropolitana. O reajuste, aplicado ao combustível vendido às distribuidoras, chega rapidamente às bombas e obriga motoristas a redobrarem a pesquisa de preço para tentar reduzir o custo do abastecimento — uma despesa que tende a pressionar o valor do frete e, em cadeia, o preço de mercadorias.
A Petrobras elevou o preço do diesel para as distribuidoras em R$ 0,38 por litro, com vigência a partir deste sábado, 14 de março de 2026. O aumento ocorre em meio a um cenário de pressão no mercado internacional de petróleo e de debates sobre a defasagem dos valores internos em relação à paridade de importação, ponto levantado por agentes do setor nas últimas semanas.
Na prática, o reajuste nas refinarias e distribuidoras não significa que o consumidor verá necessariamente o mesmo acréscimo imediato no posto. O valor final na bomba inclui impostos, mistura obrigatória de biodiesel, margens de revenda e custos de logística, além do tempo de giro de estoque em cada estabelecimento. Ainda assim, a tendência é de repasse parcial ou total do aumento conforme os postos renovem o combustível e de acordo com o nível de concorrência em cada região.
Diesel sobe R$ 0,38 e motoristas reclamam
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi/Fotográfo/Agência Brasil
Na semana de 1º a 7 de março de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou o diesel S10 em torno de R$ 6,15 por litro na média nacional, em movimento de alta no varejo. A agência divulga semanalmente uma síntese do comportamento dos preços, usada como referência para acompanhar repasses e variações ao longo do tempo.
No painel de preços da Petrobras, a média nacional do diesel ao consumidor final também aparecia em R$ 6,15 por litro, com base em dados da ANP e na mistura obrigatória de biodiesel. A estatal ressalta que o valor pago pelo motorista depende de uma combinação de fatores além do preço definido na refinaria.
Para caminhoneiros e transportadoras da Grande BH, o diesel é um dos componentes centrais do custo operacional. Com o reajuste de R$ 0,38 por litro, a rotina passa a incluir ainda mais comparação de preços entre bairros e municípios vizinhos, além de um planejamento mais detalhado de rotas e pontos de parada para abastecer e tentar reduzir o gasto por viagem.
Esse esforço é ainda maior entre profissionais que operam com margens apertadas e contratos de frete já fechados, em que o repasse imediato do aumento de combustível não é garantido. Nesses casos, a pesquisa por postos mais baratos vira estratégia para evitar que o reajuste corroa a renda.
No comércio, o impacto costuma ser indireto: o aumento do custo do transporte pode elevar o preço de alimentos, materiais de construção e outros produtos que chegam de caminhão à capital e às cidades do entorno. O tamanho desse repasse, porém, varia conforme o segmento, o nível de estoque e a disputa por clientes em cada mercado.
Nos próximos dias, a expectativa é acompanhar como o reajuste será incorporado aos preços praticados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, à medida que os postos renovem seus estoques. Levantamentos semanais da ANP serão uma referência para medir a velocidade e a intensidade do repasse.
Como parte relevante do diesel consumido no país é importada, oscilações nas cotações internacionais do petróleo e na taxa de câmbio podem manter a pressão sobre preços e abastecimento nos postos.
Para dimensionar com mais precisão o efeito local em BH, a apuração deve incluir checagem de preços em corredores logísticos estratégicos, como Anel Rodoviário, BR-381, BR-040 e entorno do Ceasa, além de ouvir sindicatos e entidades do transporte sobre a evolução do frete e dos custos operacionais.